Ainda há esperança para Nico Hülkenberg na Fórmula 1?

Foto: Getty Images

A atual situação da Fórmula 1, com três equipes disparadas na frente e todas as outras sem nenhuma chance de brigar sequer por pódios regularmente, deixa muitos pilotos talentosos aquém do que seus potenciais permitiriam. Mas tem um em específico que se destaca dos demais: Nico Hülkenberg.

O alemão despontou no final da década passada como uma das principais promessas do automobilismo mundial, arrematando títulos importantes nas categorias de formação, como a extinta Fórmula BMW, Fórmula 3 européia e a GP2 (atual F2). Suas performances consistentes e seus resultados impressionantes o colocaram como principal candidato a ser o “próximo grande alemão”, seguindo os passos de Michael Schumacher e Sebastian Vettel – que já brigava por vitórias na F1 e despontava como futuro campeão mundial. Mas sua carreira na principal categoria do automobilismo não deslanchou como todos imaginavam.

A bordo de uma Williams que já não vivia seus melhores dias, Hülkenberg teve um ano de estréia de altos e baixos em 2010. Pontuou em apenas sete das 19 etapas do ano e teve quatro abandonos, mas brilhou no Grande Prêmio do Brasil ao conquistar uma inesperada pole position. No ano seguinte, ficou sem vaga no grid e teve que se contentar com o posto de piloto de testes da Force India, equipe que defenderia em quatro das cinco temporadas seguintes (com uma breve passagem pela Sauber no meio) e onde se consolidaria como um dos principais nomes do pelotão intermediário da categoria, chegando a ser cotado pela Ferrari para substituir Felipe Massa. No final, acabou sendo preterido por Kimi Raikkönen e ficou na Force India até o convite da Renault para 2017. Por ironia do destino, ao final de 2016, seu compatriota Nico Rosberg decidiu se aposentar após se sagrar campeão e “Hulk” foi o primeiro nome na lista da Mercedes para fazer dupla com Lewis Hamilton. Mas o contrato com a Renault já havia sido assinado e os franceses não abriram mão de sua grande aposta para o projeto de voltar a disputar o título nos próximos anos.

Apesar de, enfim, se tornar piloto de uma grande montadora, Hülkenberg segue impossibilitado de brigar por vitórias, já que a equipe francesa ainda não conseguiu alcançar as Flechas de Prata e a Ferrari em termos, principalmente, de eficiência da unidade de potência. E mesmo com o claro crescimento da Renault desde que voltou à F1, a equipe ainda não deverá ser capaz de brigar por vitórias e títulos nos próximos anos, o que levanta a questão: aos 30 anos e sem nunca sequer ter subido ao pódio, será que é tarde para Hülkenberg fazer sua carreira na Fórmula 1 fazer jus ao que seu potencial prometia?

Foto: Getty Images

Para responder essa pergunta, vamos recordar outro piloto que teve uma trajetória semelhante a do alemão na categoria: Mark Webber. Menos promissor que Hülkenberg nas categorias de formação, o australiano também passou boa parte de sua carreira por equipes que não lhe permitiam sonhar com muita coisa: Um ano na Minardi, dois na Jaguar e na Williams, até que recebeu o convite para fazer parte do projeto da Red Bull, em 2007. Lá, ainda teve dois anos longe do protagonismo até que, em 2009, a equipe austríaca se aproveitou da mudança drástica no regulamento e se tornou uma potência. Aos 33 anos, passou a freqüentar o pódio, vencer corridas e brigar pelo título, tendo a melhor chance em 2010, quando liderou boa parte do campeonato, mas viu seu companheiro, Vettel, ficar com a taça no final do ano.

Se vocês notarem, Hülkenberg e Webber tiveram caminhos muito parecidos na F1: início em equipes medianas, passando por uma grande que já não vivia seus melhores dias, até apostar em um projeto de longo prazo, visando colher os frutos anos depois. Então, não, não é muito tarde para Nico virar a chave em sua carreira e se tornar um piloto vencedor. Este ano, vem demonstrando estar no auge de sua forma e está em uma equipe que dispõe de todos os recursos necessários para voltar a ser grande e brigar por títulos. Resta ao alemão saber capitalizar suas chances quando elas aparecerem – coisa que Webber não conseguiu. Caso contrário, se tornará mais uma história de uma promessa que acabou sendo vítima do desequilíbrio e da segregação que se estabeleceu na Fórmula 1.