Alexandre Araújo: Casos da família futebol

O brasileiro nasce com um binóculo na mão para espionar a vida alheia. Fofocar e fazer intriga sobre a vida do próximo é esporte nacional. Não basta ler ou ouvir, tem que opinar, criticar e meter o bedelho onde não é chamado. As fúteis revistas sobre o dia-a-dia das celebridades ainda sustentam os jornaleiros e nossas tardes são repletas de programas de fofoqueiros na TV. É cultural bisbilhotar o que não nos diz respeito. O assunto dessa semana foi o possível término da relação do goleiro Júlio César, agora no Flamengo, com a atriz Suzana Werner. O ex-goleiro da seleção resolveu encerrar a carreira no clube de coração. Mas, segundo a esposa, que se manifestou de forma contundente nas redes sociais, ele sequer comunicou a família sobre a decisão. Suzana teria dito que o anúncio foi feito horas antes dele embarcar para o Brasil. Os internautas viram que ali tinha um prato cheio. Uns disseram que o goleirão deveria ter pensado na família, que o casamento é uma parceria, e a decisão de Júlio foi egoísta. “Enquanto a família fica em Portugal, ele atravessa o oceano para jogar bola. Tenha paciência! ”. Também temos os defensores do camisa 1 do 7 a 1. “ A Suzana sabe que a profissão de jogador é assim. Um dia numa cidade, outro dia em outra”, argumentaram os fofoqueiros da bola. Suzana foi criticada por expor a vida do casal nas redes. Como bom brasileiro, também vou meter a minha colher. O goleiro saiu mal na foto quando decidiu assumir de supetão um compromisso longe da família e ela não precisava ter aberto a relação do casal para um Brasil de audiência.

Mas isso também não é problema meu. Assim como também não me interessa as idas e vindas de Neymar e Bruna Marquesini. “ O Neymar é novo, está cheio de dinheiro no bolso e tem mais que curtir a vida”. “ Se o craque do PSG fosse frentista de posto de gasolina, duvido que ela se apaixonaria por ele”. Pensei alto… somos o povo que adora novelas, éramos apaixonados por elas ainda na época do rádio. E quando os personagens se tornam reais, é ainda melhor. Temos salvo conduto para dar pitacos, aconselhar e debater nas mesas de boteco. É esporte nacional. O futebol é uma paixão, mas as histórias que cercam o esporte também são fascinantes. Jogadores que se envolvem com travestis, atletas que se entregam ao álcool, decadência de antigos ídolos. Temas que fascinam o torcedor, às vezes mais que uma simples contratação. Quando analisamos o futebol somos um misto de João Saldanha e Nelson Rubens. E como diz o ditado, o Brasil de 180 milhões de treinadores e fofoqueiros de plantão. Ta sabendo da última?