Alexandre Araújo: Mascotes S.A

Mascote é o nome dado a um animal, pessoa ou objeto animado que é escolhido como representante visual ou identificador de uma marca, de uma empresa ou de um evento. São, normalmente, humanizadas e utilizadas para atingir públicos específicos. A Copa do Mundo também sempre teve as suas mascotes. Estranhou o uso do artigo feminino? Segundo alguns dos principais dicionários, mascote é substantivo feminino.

No entanto, há uma tendência, em razão do uso para se aceitar o masculino. Alguns deles caíram no gosto popular e outros no ostracismo. A primeira mascote usada num Mundial foi em 1966, na Inglaterra. Willie, o leão, símbolo da coroa britânica, foi o pioneiro. O rei da selva deu sorte ao English Team. Até uma música foi composta para ele, pelo artista escocês Lonnie Donegan.

A adoção de uma mascote permitiu à FIFA um ganho extra de 2 milhões de dólares em publicidade e propaganda, no torneio disputado na Inglaterra.  Em 70, ano do tricampeonato do Brasil, os mexicanos apresentaram a primeira figura humanizada a ser uma mascote. O garotinho Juanito Maravilla vestia roupas com as cores do uniforme da seleção mexicana e usava um sombrero, chapéu típico do país. Juanito não deu tanta sorte aos donos da casa, mas, provavelmente, ficou maravilhado com o futebol de Pelé e companhia. Quatro anos mais tarde, na Alemanha, foi a vez dos meninos Tip e Tap. A dupla não fez muito sucesso, mas, em tese, representou o sonho de unir as duas Alemanhas, ainda divididas pelo muro. Em 1978, na Argentina, mais uma figura humanizada.

O garotinho Gauchito usava a camisa argentina, um chapéu característico, além do tradicional lenço amarrado ao pescoço. O Gauchito logo ganhou um apelido pejorativo: “Playmobil dos Pampas”. A mascote da Copa da Espanha, em 1982, é a mais lembrada pelos saudosistas da bola. Pela primeira vez uma comida – a laranja – foi escolhida para representar o evento. A fruta típica do país usava o uniforme da Roja e tinha um sorriso simpático. Naranjito fez tanto sucesso que até ganhou um programa de TV. Infelizmente, em 1982, a Copa azedou para o Brasil e o caldo derramou na fatídica derrota em Sarriá.

O México voltou a receber mais uma Copa, em 86. Dessa vez os mexicanos trocaram o menino de 70 por uma pimenta chili jalapeño, que usava novamente um sombrero. Pique vibrou com o show de Maradona, mas queimou a língua com a seleção brasileira, eliminada pela França. Na Copa de 1990, a mascote escolhida fugiu dos padrões utilizados. Nada de garotinhos, bichos ou comidas. Ciao, uma das mascotes mais feias de todos os tempos, era uma figura que lembrava um boneco feito de Lego, cuja cabeça era uma bola de futebol.

Quem deu Ciao cedo foram os brasileiros, despachados pelos Hermanos argentinos nas oitavas. No ano do tetra, nos Estados Unidos, os americanos que são os reis da publicidade, deram uma tremenda bola fora, O cachorro não vingou e os souvenires da Copa acabaram encalhando. Na Copa da França, em 1998, o galo, mascote da seleção francesa, foi escolhido para ser o bicho-propaganda da Copa. Footix, nome que mistura futebol com o personagem “Asterix”. A França deu um bico para o azar e levantou seu primeiro e único mundial.

Na Copa da Coréia do Sul e do Japão, os países usaram três mascotes bizarros: Kaz, Ato e Nik.  As criaturas brigam forte pelo prêmio da mascote mais bisonha dos mundiais. Em 2006, na Alemanha, o leão voltou a ser a mascote da Copa. Goleo, junção de de “gol” com “leo”, latim para leão, não empolgou. O animal lembrava muito aquelas fantasias toscas de personagens dos trenzinhos de cidades do interior.

Na primeira Copa disputa no continente africano, em 2010, o leopardo Zakumi foi a mascote escolhida.  O lucro obtido com merchandising chegou a espantosa marca de 3 bilhões de dólares. E quem não se lembra do Fuleco, o tatu-bola, símbolo do Mundial do Brasil? Segundo a FIFA, Fuleco é uma junção das palavras futebol e ecologia.

A mascote escolhida para a Copa da Rússia foi um lobo siberiano, batizado Zabivaka, através de uma votação feita Internet. Vou comprar o meu!