Alexandre Araújo: Santa fissura?

A notícia da semana no meio esportivo foi a contusão de Neymar e sua ausência (ou não) do jogo contra o Real Madrid, em Paris, pela Liga dos Campeões da Europa. O mais provável é que o atacante fique de fora da partida mais importante para o clube francês em 2018. E também é muito provável que sem Neymar o PSG não consiga despachar o gigante merengue. O sonho parisiense em se tornar uma potência ficou mais distante, é verdade. Para bater o Real e reverter o resultado de 3 a 1, o time do xeique terá que comer a baguete que o diabo amassou. O ídolo brasileiro não tem levado sorte em jogos decisivos. Não dá para dizer que uma contusão vem em boa hora, mas muita gente acha que se Neymar estivesse em campo no fatídico 7 a 1 o resultado teria sido diferente. Não acho. Ali faltou liderança para esfriar o jogo, e o namorado da Marquesini não tem esse perfil. Se o PSG for eliminado da Champions, vão dizer que se Neymar estivesse em campo a história teria sido diferente. Nunca saberemos. É evidente que o time francês carece da sua presença num jogo tão decisivo. Neymar é referência. Ele é o bandleader do grupo, ao contrário dos alemães que jogavam como uma orquestra, sem destaques individuais. Se precisavam de uma desculpa, os franceses já têm na ponta da língua. “Perdemos porque Ney não foi para o jogo. Ano que vem voltaremos mais fortes”.

Às vezes, o azar também sorri para os vencedores. O brasileiro não levaria a culpa da eliminação, como não carregou nos 7 a 1, por exemplo. Sem poder jogar, automaticamente ele tira o corpo fora de um fracasso. Assim, ele é elevado a um herói que foi impedido de trocar a roupa na cabine telefônica. Não foi por minha culpa, mas caímos porque não joguei. Vira a dependência. Isso só fortalece seu ego inflamado e o torna cada vez mais mimado e bajulado, Ah, como o Neymar faz falta, como seria se ele estivesse aqui…. Se pensarmos por esse lado, a contusão veio em péssima hora para seu amadurecimento. Araujo, e a seleção brasileira? É claro que um Brasil sem seu principal jogador perde, mas também pode ganhar, como já venceu algumas partidas sem o camisa 10. Hoje, com o comando de Tite, há uma dependência menor, o espírito de conjunto prevalece e outros jogadores surgiram das sombras, caso do meia Paulinho.

O Brasil de hoje joga muito mais como equipe e cada vez menos para um determinado jogador. O PSG perde muito mais que a seleção. Se a cirurgia for confirmada, Tite terá a chance de armar o time sem Neymar, algo que pode acontecer na Copa do Mundo, principalmente se o jogador não conseguir controlar seus instintos ou se machucar. Se pensarmos por esse ângulo, a lesão e a folga forçada, vão dar ao treinador brasileiro a oportunidade de testar novos esquemas. É evidente que todos nós queremos ver o astro do time voando na Rússia. O desespero seria maior se a contusão acontecesse as vésperas da competição. O pisão em falso pode derrubar o PSG, dar mais poder ao nosso astro, mas, em contrapartida, o time de Tite poderá ganhar mais alternativas de jogo para a seleção nos próximos amistosos. A fissura no mindinho poderá mostrar se poderemos sonhar com o hexa caso um novo infortúnio aconteça com nosso garoto de ouro. Será que vai dar pé?