Após brilhar no Future FC, Rafael “Coxinha” assina contrato com o LFA

Foto: Future FC

Há uma linha tênue que diferencia o que é sorte de competência, porém Rafael “Coxinha” pode afirmar que ambos estiveram ao seu lado. Após seu companheiro de equipe, Augusto Sparta, ser cortado por lesão do Future FC, faltando três semanas para o evento. Triste pela lesão do amigo, mas pronto para a missão, o lutador de apenas 21 anos de idade recebeu a oportunidade de lutar o main event na estreia do evento. Com muita estrela, o lutador do projeto Maquininha do Futuro derrotou por nocaute técnico o experiente Carlos Alexandre “Mistoca” e levou os fãs das artes marciais mistas ao delírio.

Com o triunfo, o faixa preta de karatê não só convenceu o público presente como também o CEO do FFC, Jorge Oliveira, que levou o talentoso lutador para ser o primeiro atleta do Future a assinar com o LFA, evento americano que é conhecido por ser um celeiro de talentos para o UFC.

Da esquerda para a direita: Jorge Oliveira, Rafael e Ed Soares.

Na última sexta-feira, acompanhando de Jorge Oliveira e Ed Soares, presidente do LFA, Rafael foi apresentado ao público durante o LFA 59 como o novo lutador da organização.

A missão de Rafael nos Estados Unidos é também para ajudar a preparar uma grande estrela, o ex-campeão meio-pesado do UFC Lyoto Machida. O jovem fará parte do camp de Lyoto, e terá o reforço do próprio Lyoto em seu córner para a estreia no LFA, que provavelmente acontecerá em março. Nesta próxima semana, o matchmaker Mark Bieri formalizará em contrato a chegada de Rafael “Coxinha” e, possivelmente, anunciará a estreia do brasileiro na organização.

Na Machida Karatê, dos EUA, com Werdum, Lyoto, Chinzo e yuri Simões.

Com a mudança do FFC para o LFA, Rafael se torna o primeiro lutador a fortalecer a proposta do Future FC, que é dar oportunidades aos lutadores brasileiros.

Ainda se adaptando a um novo universo, o jovem passou por muitas dificuldades na infância, sem casa própria e sempre dependendo de favores de terceiros, Rafael passou por um momento trágico em sua vida, quando, aos 11 anos de idade, perdeu o pai, em decorrência de um câncer de garganta.

“Minha infância foi difícil, moramos durante um período de favor em um terreno de um padre, mas tivemos que sair quando o terreno foi vendido. Nos mudamos e tudo parecia que iria melhorar, mas, em decorrência de algumas dívidas que surgiram, fomos forçados a nos mudar para a casa da minha vó. Lá ficamos em uma casa de dois cômodos, que(quando chovia) pingava mais dentro do que fora. Infelizmente meu pai adoeceu e veio a falecer. Ele havia me prometido que me colocaria no Karatê, como não deu tempo, após o falecimento dele, eu mesmo corri atrás para me matricular e foi ai que minha história com as lutas começaram, foi quando connheci o projeto Simões. Hoje em dia, felizmente, Deus abençoou minha família com uma casinha, destas do governo, e aos poucos vamos conquistando nossas coisas. Quero dar a minha mãe uma vida digna, ela merece muito.” – conta

Sr Gilberto, pai de Rafael.

Após o falecimento do pai, Rafael traçou como meta para a sua vida dar conforto e estabilidade para a mãe. E isso deveria ser através do esporte.

“meu interesse na luta surgiu através do incentivo do meu pai, quando comecei no karatê logo enxerguei uma oportunidade, através do esporte, de dar uma vida melhor para minha mãezinha. Logo de cara me apaixonei por treinar, fiz boxe, jiu jitsu e depois cheguei no MMA. Tenho certeza que essa semente que meu pai plantou antes de nos deixar foi obra de Deus, e através dessa semente eu darei a nossa família tudo que meu pai sempre quis.” – revela

Tendo iniciado no Karatê no projeto Simões, com os professores Nicomedes e Fabio Simões, o jovem sempre demonstrou muito talento e logo os títulos surgiram. Quando chegou ao projeto, logo após perder o pai, Rafael tinha recém completado 11 anos de idade e encontrou nos mestres duas grandes referências também para sua vida pessoal.

Foto: Arquivo pessoal

“Tudo na minha vida começou no projeto Simões, serei sempre grato aos mestres Nicomedes e Fábio. Foi lá que peguei gosto pelo esporte, que recebi bons conselhos e pude me manter firme após a morte do meu pai. Me ajudaram até com minhas refeições, me sinto parte da família e até hoje tenho essa liberdade de frequentar a casa deles.” – conta

O Karatê foi a única arte marcial de Rafael até os 14 anos, idade em que começou no jiu jitsu, onde atualmente é graduado na faixa roxa. Ainda aos 14 anos, começou a se aproximar do MMA, quando alguns atletas apareciam na academia, no horário as 14 horas, para uma aula chamada “guerra”, na academia Maquininha do Futuro, onde os lutadores podiam utilizar todos os fundamentos da luta, em pé e no solo. Aos 16 anos deu início também aos treinamentos no boxe.

Rafael ao lado do mestre Fabio Simões.

“Minha mudança para o MMA começou quando aos 14 anos passei a treinar no período do dia, exatamente as 14 horas, que chamávamos de guerra. A galera colocava luva grande, caneleira e partia para a trocação. Aos poucos fui me misturando com o pessoal do MMA, mas continuei no jiu jitsu e no karatê. Aos 16 anos passei a treinar o boxe, para melhorar meus fundamentos na luta em pé. Continuo até hoje representando as duas academias, tanto o projeto Simões, quanto o projeto Maquininha do Futuro, onde o mestre Fábio Simões também da aulas.” – conta

O convite para o Future FC foi inesperado. Após Augusto Sparta se lesionar, Rafael “Coxinha” recebeu a grande oportunidade de sua vida. Fabio Simões e Bruno Moura, treinadores de Rafael, não hesitaram em consultar o presidente do Future FC, Lucas Lutkus, sobre a possibilidade de colocar Rafael no Lugar de Augusto “Sparta”. Com a chance nas mãos, Rafael “Coxinha” liquidou a fatura no início do segundo round e de quebra chamou a atenção de Jorge Oliveira, que fez questão de apresenta-lo a Ed Soares.

Rafael, ao lado de Jorge Oliveira, com a equipe presente no evento.

“Após meu amigo se lesionar, meu treinador viu que eu era da mesma categoria e ligou para o Lucas Lutkus para ver se haveria possibilidade, graças a Deus ele topou e eu tive três semanas para me preparar e bater o peso. Confesso que fiquei maravilhado com a estrutura do evento, me emocionei quando colocaram a bandagem do UFC em mim. Subi no cage e fiz o meu trabalho, não iria perder essa chance de ouro. Sou muito grato ao Lucas Lutkus e ao Jorge Oliveira, eles acreditaram no meu trabalho, abriram as portas e hoje eu estou realizando um sonho. Vou buscar mais vitórias, agora dentro do LFA e esperar uma chance no UFC, esse é meu maior objetivo.” – finaliza