Botafogo derruba Chapecoense e vence primeira com Paquetá

Marcinho marcou o gol da vitória do Botafogo sobre a Chapecoense | Vitor Silva (BFR)

Desde o dia 16 de julho, o amante do futebol sofre com a abstinência deixada pela Copa do Mundo. Entretanto, diante de irremediabilidade da situação, o torcedor brasileiro vai, aos poucos, se reacostumando à realidade do futebol nacional. Nesta quinta (26), foi a vez do botafoguense se reencontrar com o prazer de apoiar seu time após a parada para ao Mundial. Após os protestos da noite anterior na sede do clube, o alvinegro que compareceu ao Nilton Santos teve a oportunidade de curtir a primeira vitória do Glorioso após a parada para a Copa e, consequentemente, sob o comando de Marcos Paquetá. Marcinho marcou o gol do triunfo por 1 a 0 diante da Chapecoense.

Os três importantíssimos pontos distanciam o Bota da zona de rebaixamento – que vinha se aproximando depois das duas últimas rodadas. A equipe chega aos 20 pontos ganhos e aparece, agora, na 10ª posição. Já a Chape se afunda de vez na briga contra o descenso: com 16 pontos, o time de Gilson Kleina entra na Z-4, em razão do triunfo do Vitória sobre o Sport, ficando na 17ª colocação.

PROFUSÃO DE ERROS MARCA PRIMEIRO TEMPO

A necessidade da vitória para melhorar a situação no campeonato e – no caso do Botafogo – acalmar os ânimos do torcedor após os protestos da última quarta-feira (25) trouxe um início de jogo nervoso. A Chape teve um escanteio, mas foi o Fogão que aproveitou. O contragolpe de Léo Valencia, porém, foi parado por Canteros e o primeiro cartão da noite foi mostrado aos três minutos. Na afobação de ânimos aflorados, os erros se propagavam desde os primeiros toques. De modo que a primeira finalização do jogo, disparada pelo condá Leandro Pereira, recebeu assistência do alvinegro Valencia. Saulo, começando desta vez como titular em virtude da lesão de Jefferson, defendeu sem problemas. Tentando a redenção após o passe açucarado para o adversário, o próprio chileno arrematou de longe, mas não levou perigo a Jandrei. Aos 15, o primeiro lance de maior perigo: Kieza passou a Valencia que, dentro da área, preferiu não chutar, mas servir a Matheus Fernandes. O volante chegou de trás e bateu de primeira, buscando o ângulo. Parado no centro do gol, Jandrei apenas torceu… E deu certo: a bola se perdeu pela linha de fundo.

Passada a primeira metade da etapa inicial, a grande novidade promovida por Marcos Paquetá no jogo ainda não havia trazido qualquer resultado. Gilson, lateral esquerdo improvisado na ponta esquerda devido à suspensão de Luiz Fernando, não acrescentava ao ataque nem, tampouco, fechava espaços pelo setor na defesa. Para piorar, seu parceiro por aquele lado de campo vivia um início de confronto conturbado. Em mais um de tantos erros, Moisés cortou mal uma jogada e Canteros buscou Bruno Silva às costas da zaga. Mal posicionado, o próprio Moisés lhe dava condição para partir em direção ao passe e ao gol, mas Saulo saiu bem e aliviou o perigo.

Apesar de encontrarem espaços para armar as jogadas nas zonas intermediárias do campo, ambas as equipes esbarravam nas próprias dificuldades técnicas. Durante mais de 20 minutos, os torcedores presentes ao estádio Nilton Santos viram o dinheiro de seus ingressos retornar em forma de erros de todos os tipos: de passe, de domínio, de lançamento, de concepção de jogada, etc. Nesse cenário, ausente o Código de Defesa do Consumidor, a única arma possível ao cidadão ocupante das arquibancadas foi a boa e velha vaia. E ela atingiu, principalmente, Léo Valencia: disparadamente o atleta que mais participou do jogo e, igualmente, o que melhor refletiu a imagem do duelo, sendo também o que mais falhou. Sem qualquer outra oportunidade de gol ou mesmo ataque digno de nota, o cotejo se encaminhou infrutífero até o intervalo.

EM JOGO DE ERROS, BOTAFOGO APROVEITA E SAI NA FRENTE

 O apito inicial do segundo tempo representava a esperança de 45 minutos melhores, ainda que os técnicos tenham preferido manter na cancha os mesmos 22 atletas que começaram e terminaram a primeira metade de partida. Mas o princípio da etapa final parecia sufocar a expectativa de um aumento no índice de acertos no relvado. Aos sete minutos, Igor Rabello tinha lance dominado e decidiu recuar desgraçadamente para o goleiro Saulo, na direção da meta alvinegra. O arqueiro, que já saía para receber um possível passe fora da pequena área, foi obrigado a voltar no pique e conseguiu chegar à bola antes que Leandro Pereira tocasse para o gol vazio.

A jogada era um indicativo que, diante de tantos erros, a vitória só poderia pender para quem os aproveitasse. Pois quando Marcio Araújo escorregou na entrada da área quando tentava cortar o toque que chegava a Léo Valencia, a chance sorriu para o Botafogo. O chileno cruzou para a área, Kieza escorou de lado e o lateral Marcinho invadiu livre e soltou a bomba de pé esquerdo para marcar seu primeiro gol como profissional, aos nove minutos. Minutos depois, entretanto, Marcos Paquetá resolveu sacar o lateral para colocar Luís Ricardo.

Também a Chapecoense mexeu: Guilherme, ex-Bota, substituiu Osman e Canteros deu lugar a Doffo, meia argentino de características mais ofensivas. Mas quem quase marcou foi o Glorioso, em cabeçada de Kieza, defendida por Jandrei, aos 22. Dali em diante, o Verdão do Oeste ensaiou uma pressão. Porém, em três escanteios seguidos, a zaga alvinegra levou a melhor.

FIM DE JOGO TEM DOIS GOLS ANULADOS

Com a vantagem no marcador, o Bota completou um movimento que iniciara ainda no primeiro tempo: forneceu a posse de bola de uma vez para a Chapecoense e adotou a estratégia de fechar-se para tentar contra-atacar. Nesse sentido, pôs em campo Renatinho no lugar de Léo Valencia. Entretanto, a oportunidade teimava em não aparecer. Até os 37. A Chape jogou bola na área alvinegra e, após a intervenção da defesa, Kieza foi lançado pela esquerda. O K9 conduziu até a linha de fundo, superando a marcação, e cruzou na medida para Moisés completar para o gol vazio. Mas enquanto o lateral partia para a comemoração, a arbitragem anulava o tento alegando falta do próprio camisa 6 quando partia em direção à pequena área rival.

O gol invalidado, no entanto, não fez falta ao Botafogo, que soube administrar a tentativa de pressão adversária mantendo a posse de bola. Renatinho tentou até ampliar em batida de longe, mas Jandrei pegou. No fim, Leandro Pereira ainda chegou assustar, completando para as redes o cruzamento de Doffo, mas também teve seu gol anulado pois estava impedido.

Embalado pela vitória, o Alvinegro tem pela frente viagem ao Rio Grande do Sul para enfrentar o Inter (4º), no Beira-Rio, no próximo domingo (29), às 16 horas. Na ocasião, Marcos Paquetá não terá Pimpão, suspenso pelo terceiro cartão amarelo recebido durante o segundo tempo desta quinta. Já a Chape recebe o Grêmio (6º) na Arena Condá às 19h do mesmo domingo e precisa vencer se quiser sair da zona de descenso.

Botafogo 1 x 0 Chapecoense

Local: Estádio Nilton Santos (Rio de Janeiro – RJ)

Árbitro: Sávio Pereira Sampaio (CBF/DF).

Auxiliares e Adicionais: Daniel Henrique Andrade (CBF/DF) e Ciro Chaban Junqueira (CBF/DF); Vanderlei Soares de Macedo (CBF/DF) e Christiano Gayo Nascimento (CBF/DF).

Botafogo: Saulo, Marcinho (Luís Ricardo), Carli, Igor Rabello e Moisés; Rodrigo Lindoso e Matheus Fernandes; Rodrigo Pimpão (Ezequiel), Léo Valencia (Renatinho) e Gilson; Kieza. Técnico: Marcos Paquetá.

Chapecoense: Jandrei, Eduardo, Rafael Thyere, Douglas e Bruno Pacheco; Elicarlos, Márcio Araújo e Canteros (Doffo); Osman (Guilherme), Leandro Pereira e Bruno Silva (Júnior Santos). Técnico: Gilson Kleina.

Gols: Marcinho (BOT – 9’/2T).

Cartões Amarelos: Rodrigo Pimpão (BOT); Canteros e Douglas (CHA).

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 6.913 pagantes; 7.602 presentes.