Botafogo empata com Cruzeiro e segue próximo da Z-4

Botafogo e Cruzeiro ficaram no empate no Nilton Santos (Foto: Reprodução Twitter oficial do Botafogo)

Muitas vezes, a fé demonstrada e praticada por Fábio vira assunto após fervorosas entrevistas do arqueiro cruzeirense. Mas, hoje, o que parece inquebrantável é a fé do cruzeirense em Fábio. Infalível, o goleiro não passou pelo Nilton Santos sem ser vazado nesta quarta (05). Porém, com defesas sensacionais no segundo tempo, garantiu o empate para o Cruzeiro, contra o Botafogo, pela 23ª rodada do Brasileirão.

Pior para o Glorioso que, com o resultado de 1 a 1 – gols de Luiz Fernando, para o Bota, e Edílson, para a Raposa, no primeiro tempo – está na 15ª posição (pode ser ultrapassado por Vasco e Vitória amanhã), com 26 pontos, a três da zona de rebaixamento. Enquanto isso, o time mineiro, que segue na disputa da Copa do Brasil e da Libertadores, ocupa a sétima posição, agora com 32 pontos e continua buscando uma vaga no G-6.

No próximo fim de semana, os Celestes abrem a rodada enfrentando o Sport, fora de casa, no sábado (8). Já o Glorioso terá pela frente o clássico contra o Fluminense, domingo (9), às 16 horas, no Maracanã.

TORCIDA PERSEGUE BRUNO SILVA E BOTAFOGO SAI NA FRENTE

Em situações diferentes na tabela, mas vivendo um momento em comum, as equipes de Botafogo e Cruzeiro que subiram ao gramado do Nilton Santos eram times transformados. Os cariocas, em virtude do fraco desempenho recente. Os mineiros, em virtude do desgaste de alguns atletas pela sequência de jogos nas três competições que o clube ainda disputa na temporada e da convocação de Dedé para a Seleção Brasileira. Assim, o início de jogo foi de muita participação dos dois treinadores, na orientação ao posicionamento de seus atletas. E também de muita participação da torcida alvinegra que, antes das aparições fundamentais de Fábio, pegava no pé e vaiava, a cada lance, o ex-xodó Bruno Silva, atualmente no Cruzeiro.

Curiosamente, aos 10 minutos, o Botafogo versão 2018, de Zé Ricardo, colocou em prática uma jogada típica do Glorioso 2017, então dirigido por Jair Ventura: lançamento longo de Igor Rabello para o bico da área rival. Só que, desta vez, Bruno Silva, vestindo azul, não se projetou para se impor sobre o defensor oponente e, de cabeça, criar um lance de perigo. Praticamente imóvel, do outro lado do campo, ele assistiu a Erik fazer exatamente o que ele costumava fazer um ano atrás. E o toque de cabeça encontrou Luiz Fernando, que limpou a marcação e finalizou sem chances para Fábio, fazendo seu primeiro gol no campeonato: 1 a 0 Fogão.

Alçado à condição de personagem do jogo, Bruno Silva tentou assumir de vez o protagonismo, sete minutos depois. Mas, após cruzamento por baixo de Marcelo Hermes, a conclusão do polêmico meia-direita acabou parando no desvio salvador de Moisés. Sem conseguir cumprir a “lei do ex”, por muito pouco Bruno não estendeu sua influência na partida ao placar… Mas em favor de sua antiga equipe. Em cobrança de falta, foi ele o único defensor cruzeirense a não sair, o que deixou Kieza livre – e em posição legal – para cabecear. No entanto, o K9 errou o tempo da bola e ela foi pela linha de fundo.

“LEI DO EX” DE ONDE MENOS SE ESPERA

Os deuses do futebol, que costumam castigar quem desperdiça grandes oportunidades, não deixariam o gol perdido por Kieza passar impune. Portanto, aos 36 minutos, quando o Cruzeiro teve falta na intermediária, tudo confluiu a favor da equipe celeste: Edílson pegou na veia, a barreira de três homens de camisa listrada se abriu completamente, Saulo foi enganado pelo efeito da bola e a “lei do ex” foi posta em ação por um caminho inesperado. Enxotado pela diretoria do Botafogo em 2014, o lateral se pôs a comemorar o belo gol de empate.

De temperamento explosivo, porém, acabou advertido com cartão após se estranhar com Luiz Fernando, que também foi punido em uma reta final de primeiro tempo cheia de intercorrências, lances ríspidos e de trabalho para o juiz Raphael Claus.

A segunda etapa começou mais calma. Até demais, com primeiros minutos pouquíssimo produtivos das duas equipes. Tanto que o primeiro momento de maior emoção nas arquibancadas do Nilton Santos veio apenas com a substituição de Bruno Silva para entrada de Rafael Sóbis. Antes, no intervalo, Mano Menezes já havia tirado o autor do gol, Edílson, temendo a expulsão do lateral no segundo tempo.

BOTAFOGO PRESSIONA, MAS FÁBIO GARANTE EMPATE

Lance de perigo mesmo, só aos 17, quando Moisés cobrou falta para a área e Igor Rabello subiu mais que todo mundo para cabecear no ângulo. A reconhecida fé do goleiro Fábio fez a diferença e a bola beijou a trave. Porém, como nem só de fé pode viver o homem, o histórico arqueiro cruzeirense também trabalhou de forma competente, dois minutos depois, em finalização cara a cara de Luiz Fernando. Se não mexeram no placar, os dois lances evidenciavam um Botafogo superior no segundo tempo. Tanto que o Alvinegro teria ainda outras duas chances. Primeiro, após cruzamento, Igor Rabello ajeitou de peito e Kieza ficou sozinho na pequena área contra Fábio: melhor para o goleiro, que fez a defesa. Pouco depois, Moisés bateu de meia distância e, novamente, Fábio apareceu para pegar sem dar rebote.

O Cruzeiro até tentou responder, mas Rafinha mandou longe a chance da virada após cruzamento da esquerda. Entretanto, logo depois, o Botafogo voltou a assustar em lindo passe de Erik que deixou Matheus Fernandes – substituto de Jean – de frente para Fábio, mas o goleiro cruzeirense saiu abafando. Àquela altura, Zé Ricardo já tentava dar fôlego novo ao seu ataque em busca da vitória, colocando Aguirre no lugar de Kieza e, mais tarde, Ezequiel na vaga de Luiz Fernando. Aos 42 minutos, tanto Aguirre como Ezequiel fecharam tentando aproveitar bom cruzamento de Marcinho, e foi o uruguaio quem mandou a pelota na direção do que parecia um gol certo. Mas, outra vez, Fábio apareceu transformando o ponto conquistado pela Raposa, fora de casa, em milagre.

Botafogo 1 x 1 Cruzeiro

Brasileirão, 23ª rodada

Local: Estádio Nilton Santos (Rio de Janeiro – RJ)

Árbitro: Raphael Claus (Fifa/SP).

Auxiliares: Danilo Ricardo Simon Manis (Fifa/SP) e Rogério Pablos Zanardo (SP).

Botafogo: Saulo, Marcinho, Carli, Igor Rabello e Moisés; Jean (Matheus Fernandes), Rodrigo Lindoso e Buchecha; Erik, Kieza (Aguirre) e Luiz Fernando (Ezequiel). Técnico: Zé Ricardo.

Cruzeiro: Fábio, Edílson (Ezequiel), Léo, Murilo e Marcelo Hermes; Henrique e Ariel Cabral; Bruno Silva (Rafael Sóbis), Thiago Neves (Éderson) e Rafinha; Raniel. Técnico: Mano Menezes.

Gols: Luiz Fernando (BOT – 10’/1T); Edílson (CRU – 37’/1T)

Cartões Amarelos: Luiz Fernando, Jean, Carli (BOT); Henrique, Edílson, Bruno Silva (CRU).

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 5.320 pagantes; 5.749 presentes.