Botafogo joga bem, bate o Nacional-PR e avança na Sul-Americana

Com Nilton Santos lotado, Botafogo reverte desvantagem e passa às oitavas da Sul-Americana (Foto: Vitor Silva/SS Press/BFR)

O torcedor pediu em mosaico e o Botafogo segue em busca do Bi. Campeão da Copa Conmebol de 1993, o Glorioso garantiu classificação às oitavas de final da Copa Sul-Americana na noite desta quinta (16), no Estádio Nilton Santos. Em uma de suas melhores atuações no ano, o time dirigido por Zé Ricardo reverteu a desvantagem de 2 a 1 trazida do primeiro jogo, no Paraguai, há duas semanas. Com gols de Rodrigo Lindoso e Léo Valência, o Alvinegro derrotou o Nacional por 2 a 0 e agora enfrenta o Bahia na próxima fase da competição continental, onde terá a suposta vantagem de decidir em casa o confronto que ainda não tem datas definidas.

CLIMA DE LIBERTADORES EMPURRA BOTA NO PRIMEIRO TEMPO

Copa Sul-Americana, mas com cara de Libertadores da América. Em situação difícil após a derrota na primeira partida, o torcedor do Botafogo aproveitou o momento para abraçar o elenco e reviver as noites de festa vividas no Nilton Santos na temporada passada. Em uma espécie de catarse coletiva, recebeu o time em campo meio que expulsando as frustrações recentes para apoiar ininterruptamente o Glorioso à virada no duelo de volta, lembrando em mosaico a conquista da Copa Conmebol de 1993 e deixando claro aos eleitos de Zé Ricardo o seu desejo pela conquista de mais um título continental.

A atmosfera contaminou a equipe. Mesmo sem ser brilhante, o Alvinegro não deixou um só tostão de bola para os paraguaios. Foram cerca de 70% de posse de bola em uma primeira etapa dominada, do início ao fim, pelos donos da casa. E com um nome em especial destaque: Rodrigo Lindoso.

Foi dela a primeira oportunidade da partida, aos 11 minutos, em cabeçada que passou a direita do gol de Rojas. Aos 20, o volante balançou as redes pela primeira vez, mas a participação de Igor Rabello, em posição de impedimento, invalidou o lance e fez com que quase 40 mil gritos de gol tivessem que realizar o caminho de volta goela adentro de cada um dos botafoguenses presentes ao Engenhão. E dentro do peito dos fanáticos alvinegros permaneceram por mais 17 minutos, até que o próprio Lindoso subisse em meio à defesa do Nacional para escorar cruzamento de Léo Valencia e mandar a bola no cantinho: 1 a 0 Fogão, resultado suficiente para garantir a passagem dos cariocas às oitavas da Sul-Americana pelo critério do gol marcado fora de casa.

Antes, um lance causou susto: Rojas saiu da área para cortar um lançamento e se chocou contra Luiz Fernando. Os dois caíram após a batida de cabeças, mas foi o goleiro paraguaio quem levou a pior, caindo como um pugilista nocauteado. Após atendimento médico, ambos os jogadores seguiram no jogo. E, nele, apesar do maior volume, o Botafogo penava para chegar trocando passes. Via de regra, esbarrava na precipitação de Renatinho ou nas más escolhas de Léo Valencia. Só aos 44, sem que os dois tocassem na bola, Carli passou a Luiz Fernando, que deixou a bola passar para Rodrigo Lindoso. Na ponta direita, ele cruzou por baixo e Renatinho tentou toque de calcanhar, sem sucesso.

GLORIOSO NÃO DEFINE E DEIXA TORCIDA COM PULGA ATRÁS DA ORELHA

Após uma etapa inicial praticamente sem ver a bola e com as parcas chances de contragolpe neutralizadas pelo sistema defensivo do Botafogo, o ex-zagueiro Celso Ayala mexeu já no intervalo, colocando Baez em campo, na vaga de Alegre. Mas foi o Glorioso quem voltou a assustar com sua principal arma: a bola aérea. Logo aos dois minutos, Léo Valencia suspendeu em cobrança de escanteio e Carli mandou um tiro de cabeça, forçando Rojas a uma defesa espetacular.

Sem mudar o ritmo do primeiro tempo, o Bota continuou pressionando em busca do segundo gol. Após linda jogada individual de Renatinho, Léo Valencia pegou a sobra e acertou a trave. Não foi só ele. Instantes depois, Aguirre ficou perto de quebrar o jejum com a camisa alvinegra ao emendar de fora da área e acertar o outro poste paraguaio. E, depois de tanta expectativa, uma dose de anticlímax: Renatinho sentiu e teve de dar lugar a Pimpão. Fresco no jogo, ele recebeu lançamento aos 20 e, na matada, deixou para trás um adversário antes de servir Luiz Fernando. Cara a cara com Rojas, o camisa 19 concluiu, mas o goleiro defendeu com a pontinha da chuteira. Quando parecia impossível para Rojas, Paniagua se interpôs ao tirambaço de Léo Valencia e mandou a corner.

Foi aí que, pela primeira vez, o Nacional apareceu no ataque. Danilo Santacruz tricotou na entrada da área e deu passe açucarado para a infiltração livre do argentino Vieyra, que recém-entrara. Um toque sutil na saída de Saulo bateu o arqueiro alvinegro e durante frações de segundo o Nilton Santos foi um estádio sem barulho, sem respiração. Até que a bola se perdeu pela linha de fundo, passando milímetros à direita da trave botafoguense.

LÉO VALENCIA TIRA GRITO DA GARGANTA ALVINEGRA E GARANTE VAGA

Em seu primeiro jogo em casa no comando do Bota, Zé Ricardo tomou a decisão de tirar Aguirre para por Brenner em campo. Mas foi Carli, e não o centroavante, quem teve chance cristalina, aos 33. Talvez por isso, o desfecho do chute, dado a tão poucos metros da meta rival, tenha sido a linha de fundo e não o fundo das redes, prorrogando o sofrimento e colocando, atrás da orelha da torcida, aquela pulga que só uma equipe que tem oportunidades, mas não mata o jogo, é capaz.

Contudo, na noite desta quinta não seria justo com o Alvinegro sofrer um gol no fim. Seja pela festa e apoio da torcida da entrada em campo ao apito final, seja pela alta competitividade com que jogou o Botafogo, especialmente em seu sistema defensivo para neutralizar quase na totalidade as jogadas criadas pelo Nacional.

E o ponto de exclamação da noite veio com Léo Valencia. Contestado pela torcida após a cara feia nas substituições e as mensagens subliminares nas redes sociais, o chileno queria o dele. Mas, inicialmente, Moisés (em grande partida) não quis deixar e tomou sua frente na hora de cobrar uma falta na entrada da área rival, mandando na barreira. Por isso, quando a bola ficou nos seus pés aos 43 minutos, o baixinho gringo não quis saber da farta gama de opções que se apresentavam em mais um contragolpe em preto e branco. Soltou uma pancada de pé direito, sem chances para Rojas, e consolidou a passagem do Botafogo às oitavas de final da Sul-Americana.

Botafogo (1) 2 x 0 (2) Nacional-PAR

Copa Sul-Americana, Segunda fase – Jogo 2

Local: Estádio Nilton Santos (Rio de Janeiro – RJ)

Árbitro: Patricio Lostau (FIFA/ARG).

Auxiliares: Diego Bonfá (ARG) e Maximiliano Del Yesso (ARG).

Botafogo: Saulo, Marcinho, Carli, Igor Rabello e Moisés; Rodrigo Lindoso e Matheus Fernandes; Renatinho (Rodrigo Pimpão), Léo Valencia e Luiz Fernando; Aguirre (Brenner). Técnico: Zé Ricardo.

Nacional-PAR:Rojas, Franco (Nery Cardozo), Paniagua, Velásquez e Montiel; Miño, Arguello (Vieyra), Santacruz e Clarke; Alegre (Baez) e Bareiro. Técnico: Celso Ayala.

Gols: Rodrigo Lindoso (BOT – 37’/1T).

Cartões Amarelos: Rodrigo Lindoso, Léo Valencia (BOT); Montiel, Paniagua (NAC)

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 33.891 pagantes; 35.788 presentes.