Caionã Blade: um vencedor dentro e fora do cage

Das ruas para o cage, assim o jovem Caionã Batista, conhecido como Blade, encontrou no esporte uma maneira de alcançar seus objetivos. Para o morador da comunidade de Vila Aliança em Bangu (RJ), as dificuldades começarem bem cedo.

O pai foi assassinado quando o jovem lutador tinha meses de vida. Após a morte do pai, a mãe de Caionã teve uma filha chamada Carol e mais tarde ela também acabou perdendo o pai por assassinato.

A mãe de Caionã também veio a falecer quando ele tinha 8 anos de idade, antes disso, passou 2 anos no conselho tutelar, pois haviam acusações de maus tratos por parte do padrasto. Caionã e a irmã acabaram sendo acolhidos pela tia Joseli, que tirou os dois da custódia. Caionã foi morar com a bisavó e a irmã ficou com a tia Joseli.

Sempre disposto a colocar a mão na massa e vendo de perto as dificuldades que sua bisavó enfrentava, inclusive com as coisas básicas que faltavam, o pequeno Caionã ajudava em algumas construções ou com serviços de capina de terreno para levar dinheiro para casa.

O menino foi crescendo e junto com ele cresceu a fama de brigão. Na comunidade da Vila Aliança, Caionã era conhecido por não levar desaforo para casa, e mesmo sem treinar nenhuma luta, todos o consideravam um cara duro para enfrentar nas brigas de rua, sempre persistente, na gíria das ruas ele era aquele que “não levava prejuízo para casa”.

Quando saía para alguma festa com os amigos, era comum um grupo de jovens brigar com outros jovens de alguma comunidade “rival”, o famoso lado “A” contra lado “B”. Até que a “performance” do menino chamou a atenção de um amigo que já treinava Muay Thai e quando viu Caionã brigando ficou abismado com as mãos duríssimas do garoto.

O convite para treinar foi feito, mas no primeiro instante o jovem declinou com medo de represálias na academia, devido ao seu histórico de brigas nas ruas. Até que um belo dia ele resolveu ir a um treino, lá conheceu o professor Maik Pedra, que enxergou no jovem um futuro promissor como lutador.

Após Caionã trocar luvas no 1° dia de treino com um aluno que já era experiente, Maik Pedra viu que o jovem era um diamante a ser lapidado. Após 2 semanas treinando na academia, Caionã entrou em um torneio de Muay Thai e venceu o oponente que já treinava a 8 meses. Caionã parecia conseguir canalizar a raiva de algumas frustrações da vida nos punhos.

As brigas na rua continuaram, porém em uma dessas o professor Maik Pedra descobriu e proibiu Caionã de disputar torneios enquanto não mudasse a postura, e assim foi feito. O menino parou de brigar nas ruas, foi evoluindo cada vez mais nos treinamentos e em pouco tempo já estava disputando torneios de MMA amador, além dos torneios de Muay Thai onde colecionou muitos troféus e medalhas.

Aos poucos foi colecionando cinturões também no MMA, dentre eles o cinturão até 57kg do Favela Kombat, um evento que vem se consolidando cada vez mais no cenário nacional, cinturão que defenderá em 2018.

Sua última luta foi em dezembro de 2017, no Wocs 48, onde apesar da derrota por decisão unânime, Caionã dominou 2 dos 3 rounds. Porém, por não ter batido o peso, Caionã começou com menos 2 pontos (- 1 ponto no 1° e 2° rounds). O atleta havia lesionado o joelho 1 mês antes da luta e com isso ficou um tempo sem treinar, chegou a pedir a um dos treinadores para a luta cair, porém, como o pedido não chegou até os organizadores do evento o card permaneceu com Caionã.

Faltando uma semana para a luta, Caionã viu seu nome no Main Event do Wocs após o adversário de Leleco Guimarães, que até então faria o Main Event, ter que se retirar do Card por uma conta de uma lesão. Sorte de Caionã o pedido para sair do card não ter chegado aos organizadores do Wocs.

Leleco se manteve no card, porém o Main Event ficou na conta de Charles “Blackout” e Caionã “Blade”. Em uma semana o menino da Vila Aliança correu atrás para perder 9kg e estar apto para a categoria, porém só conseguiu perder 7kg e na pesagem ficou 2kg acima.

O acordo por estar acima do peso foi entrar com 2 pontos a menos, o que não mudou a vontade de Caionã entrar no cage e sair com a vitória, mesmo com o saldo negativo inicial. Mostrando muita garra e disposição o jovem lutador mostrou um espírito guerreiro, transformou o cage em um campo de guerra e faltou pouco para Caionã “Blade” não sair da luta como vencedor.

Pai do pequeno Thauan de 7 meses, Caionã divide sua rotina entre o trabalho como auxiliar de serviços gerais no jovem aprendiz em um hospital de Campo Grande e os treinamentos de Muay Thai na Pedra Team, Jiu Jitsu na Nova União e Luta Livre na Gladiadores. O jovem de 22 anos diz que não tem sonhos e sim objetivos, e o maior objetivo é cuidar da sua família.

– Quando era pequeno sentia muito a falta de ter meus pais por perto, principalmente nesses períodos de festas onde as famílias se reúnem, olhava ao meu redor e via todos nesta comunhão e eu me sentia pra baixo. Hoje eu só quero realizar meu sonho que é ter uma família, pois perdi muito cedo a minha. Não fico sonhando em chegar em evento gigante para ficar no auge, eu só almejo ter dinheiro para comprar a minha própria casa, levar meu filho, minha namorada Tatiana e minha irmã Carol para morarem comigo, na nossa casa. Esse é meu sonho, quer dizer, meu objetivo. Sonho quando acordamos muitas vezes esquecemos, mas objetivo a gente segue buscando até conseguir, e eu irei conseguir dar uma vida digna para minha família. – conta emocionado.

O lutador soma 6 vitórias e 2 derrotas em seu cartel profissional de MMA, possui a faixa azul de Jiu Jitsu e ponta azul escuro de Muay Thai, além de ser um faixa preta da vida. O ano de 2018 promete ser o de consolidação para o jovem talento do MMA nacional.

No próximo dia 27 de janeiro ele estará disputando o Prêmio Osvaldo Paquetá, considerado o Óscar do MMA nacional, na categoria luta da noite. A luta que foi escolhida entre as 5 melhores do ano aconteceu em dezembro do ano passado no WOCS 48, quando perdeu por pontos para Charles “Blackout”, após ter entrado com saldo negativo de -2 pontos e quase reverter a pontuação a seu favor na decisão dos árbitros.

Para votar em Caionã e ajuda-lo a conquistar o POP é só entrar no site do Prêmio, fazer o login com o facebook, selecionar a luta “Charles Blackout x Caionã Blade no WOCS 48” e clicar na opção votar agora.

Link para votação:

http://premioosvaldopaqueta.com.br/de-seu-voto/