Alexandre Araújo: Ceifando recordes

Quando a velha-nova cartolada tricolor se desfez de Fred, um dos maiores goleadores da história do Fluminense, restou ao torcedor apenas as boas lembranças do ídolo. Amado e odiado por uma menor parte da torcida, Fred deixou uma lacuna que dificilmente seria preenchida em tão pouco tempo. Coube a Henrique Dourado substituí-lo dentro de campo, marcando gols. Essa era sua única função. Ninguém cobrava do novo atacante que em pouquíssimo tempo ele se tornasse o “queridinho” da galera. E assim foi.

Dourado teve um primeiro ano muito ruim: poucos gols, desconfiança e banco de reservas. A cada gol desperdiçado, os olhos tricolores se enchiam de saudades do velho companheiro. Fred não conquistou apenas títulos, mas formou uma nova geração de torcedores do Fluminense. Cumpriu o papel de ídolo, embora tenha tropeçado em alguns momentos em copos de caipirinha. Dourado persistiu, assim como os treinadores que ainda acreditavam no seu futebol. Ainda não virou ídolo e não conquistou grandes títulos para o clube das Laranjeiras, mas pouco a pouco está ceifando as tormentas que assombravam os tricolores mais incrédulos.

Artilheiro isolado do campeonato com 18 gols, faltando ainda nove rodadas para o término do Brasileirão, ele está próximo de alcançar uma marca importante de Fred. Em 2014, Dourado anotou 16 gols e terminou como vice-artilheiro, perdendo justamente para o antigo dono da camisa nove, que fez 18 pelo Flu. Na partida contra o São Paulo, no Maraca, Dourado melhorou ainda mais seus números como cobrador de pênaltis, algo que faz a beira da perfeição. O Ceifador – apelido um pouco pesado, confesso- converteu a sua 11ª penalidade em 2017, sendo que em nove delas o goleiro nem apareceu na foto. Se os números de Dourado impressionam, há de se notar também o aumento da sua popularidade dentro e fora de campo.

Camisas com seu número e nome estampado estão por todos os lados da torcida, o seu nome ecoa alto quando o time entra em campo e até a sua comemoração está sendo repetida por jovens e velhos torcedores. Dourado ainda não é Fred, talvez possa até se aproximar do ídolo se títulos vierem. Mas a cada ceifada, a cada gol marcado e a cada pênalti milimetricamente batido, ele vai deixando as lembranças de uma sombra do passado cada vez mais longe.

 

Twitter: alexaraujo_75