Follman, de branco, e Alan Ruschel: sobreviventes da tragédia da Chapecoense celebram manutenção do clube catarinense na Série A do Brasileiro | Sirli Freitas/Divulgação

Chapecoense vence o Vitória e garante permanência na Série A

O acidente fatal que vitimou quase todo seu plantel e levou boa parte de seus dirigentes poderia ter dizimado a Chapecoense. O clube rejeitou a proposta de imunidade ao rebaixamento e optou pelo caminho mais longo: o da reconstrução nas esferas administrativa e esportiva. A eliminação precoce na Taça Libertadores da América, provocada por um jogador irregular, e a demissão de Vagner Mancini foram novas turbulências que o Verdão enfrentou no solo enquanto buscava ficar de pé. A recompensa pelos esforços realizados em meio à caminhada, marcada por inseguranças, incertezas e muita solidariedade, veio na noite desta quinta-feira, com o triunfo por 2 a 1 sobre o Vitória, na Arena Condá. O resultado garante ao clube do Oeste Catarinense a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro pela quinta temporada consecutiva.

O feito garantiu um vídeo compartilhado nas redes sociais do clube catarinense. No vestiário, jogadores, comissão técnica e dirigentes comemoram a permanência na Série A no mesmo estilo em que o time vitimado pela tragédia do ano passado, que matou 71 pessoas no voo da companhia aérea Lamía, que partia rumo à Colômbia, para a disputa do primeiro jogo da final da Copa Sul-americana, celebrava as vitórias.

Hoje no comando do Vitória, Vagner Mancini mostrou emoção com o carinho oferecido pela torcida, que o aplaudiu. O treinador também foi festejado pelos ex-comandados.

— Vivi um momento muito especial aqui hoje. O carinho e o abraço dos atletas mostram o mais importante: que a gente deixou um legado — afirmou, antes da partida.

O time baiano abriu o placar aos 18 minutos da primeira etapa, em falha do goleiro Jandrei, que saiu errado e deixou a bola livre para Deivid. O meia rubro-negro entrou na área, passou pela marcação e tocou rasteiro para colocar os visitantes em vantagem: 1 a 0. A resposta da Chapecoense não demorou: seis minutos depois, Arthur Kaíke apareceu na área para completar, de cabeça, um cruzamento de Arthur e deixar tudo igual: 1 a 1.

Aos 25 minutos da etapa final, a arbitragem assinalou impedimento em um gol de Douglas e a torcida protestou. Aos 32, não teve jeito: Túlio de Melo aproveita rebote oferecido por Fernando Miguel após boa cobrança de falta de Reinaldo e vira: 2 a 1. André Lima ainda acertou uma bola na trave para o time baiano, mas não houve tempo para mais nada.

O alívio pelo não rebaixamento foi a segunda boa notícia do dia para a torcida da Chapecoense, que vibrara antes com o retorno de Jackson Follman aos treinamentos. Um dos sobreviventes da tragédia aérea, o goleiro teve uma perna amputada e utiliza uma prótese. Nunca o verde esperança da Chape fez tanto sentido.