Chocolate belga: Bélgica goleia Tunísia e encaminha classificação no Grupo G

Hazard (10) e Lukaku marcaram dois gols cada um na goleada da Bélgica sobre a Tunísia (Foto: Getty Images)

Um recorde: pela primeira vez, nenhum 0 a 0 acontece nos primeiros 27 jogos de uma Copa do Mundo. Graças aos outros 26, sim. Mas também graças a Bélgica e Tunísia que fizeram jogo de muitos gols na Arena Spartak. No Mundial dos centroavantes, Lukaku voltou a brilhar. Com dois gols, o atacante do Manchester United se igualou a Cristiano Ronaldo na artilharia do torneio e, ao lado de Hazard (também com dois gols), liderou a vitória de sua seleção sobre os africanos, por 5 a 2, neste sábado (23), em Moscou. Batshuayi completou a goleada belga. Bronn e Khazri descontaram para a Tunísia.

O resultado deixa os europeus com seis pontos no Grupo G e praticamente garantem vaga para a famosa geração de jogadores do país nas oitavas de final. Com duas derrotas em dois jogos, os tunisianos já não têm chance de classificação.

As respostas do técnico Roberto Martínez nos dias de preparação para o duelo deste sábado na Arena Spartak não deixavam dúvidas: a Bélgica viria para cima, disposta a trucidar – esportivamente – os adversários. Por isso, não foi surpresa quando o goleiro Ben Mustapha já teve de intervir para impedir Lukaku de marcar logo aos dois minutos, e foi obrigado a trabalhar no chute de Meunier, aos cinco. Mas a resistência tunisiana durou apenas até o minuto seguinte. Hazard foi lançado pela direita, fez o drible e foi derrubado, na área, por Syam Ben Youssef. Pênalti que o próprio capitão bateu, deixando o goleiro plantado no meio do gol: 1 a 0, logo aos seis minutos. E era só o início. Dez minutos depois, Mertens roubou bola no campo de ataque e acelerou, servindo a Lukaku. Matador, na área, fez o difícil parecer simples. Ajeitou o corpo e bateu de primeira, cruzado, na bochecha da rede.

Sem outra alternativa, a Tunísia tentou responder. E tinha razões para acreditar, depois do bom jogo na estreia, contra a Inglaterra. Na bola parada, chegou ao seu gol. Khazri levantou em cobrança de falta e achou a cabeça de Bronn. O defensor subiu entre os zagueiros e não deu chances a Courtouis: 2 a 1, aos 18 minutos. Mas brilhar com a camisa tunisiana não tem sido bom negócio, nesta Copa do Mundo. A exemplo do que ocorrera com o goleiro Hassen, substituído por lesão após fazer grandes defesas no início de jogo contra os ingleses, Bronn caiu de mal jeito e sentiu. De maca, foi tirado de campo para a entrada de Naguez. Mas as lesões foram democráticas entre os africanos e, mesmo sem ter feito muito mais que o pênalti sobre Hazard no início do jogo, Syam Ben Youssef também sentiu, obrigando o treinador Nabil Maaloul a gastar sua segunda alteração ainda no primeiro tempo. E, por falar em “ainda no primeiro tempo”, Lukaku decidiu não esperar o intervalo para alcançar Cristiano Ronaldo na artilharia da Copa. Aos 48, ele se movimentou de maneira perfeita para receber passe na cara do gol e tocar por cobertura sobre Ben Mustapha: 3 a 1.

Na volta do intervalo, Hazard deixou os vestiários conversando com ninguém menos que Thierry Henry. O grande craque francês, campeão do mundo em 1998, é um dos auxiliares de Martínez no comando técnico da Bélgica. Pois, praticamente, no primeiro lance de ataque belga na segunda etapa, Hazard partiu e recebeu lançamento entre os zagueiros adversários. Antes de concluir, ainda deixou o goleiro para trás antes tocar para as redes e fazer o quarto gol da Bélgica. Coincidência?

Com 4 a 1 no placar, a Tunísia resolveu, ao menos, se divertir e tornou o jogo ainda mais aberto. Em dois cruzamentos, chegou a assustar Courtois, quando os atacantes apareceram na frente do goleiro belga, mas não conseguiram concluir. Carrasco também teve chance, buscando o ângulo à meia distância e quase ampliou. Sangue novo, Batshuayi também queria fazer o dele. Primeiro, recebeu na área, limpou Ben Mustapha e empurrou para o gol vazio, mas o zagueiro tunisiano tirou em cima da linha. Depois, aos 33, Carrasco chutou no meio do gol, mas o goleiro bateu roupa. Batshuayi completou o rebote com firmeza, porém, parou no travessão. Não parou por aí. Dois minutos depois, De Bruyne foi ao fundo e centrou para o jovem centroavante. O voleio parecia fulminante, mas Ben Mustapha fez incrível defesa e salvou a Tunísia do pior. Mas aos 45 minutos do segundo tempo, não teve jeito. Tielemans cruzou da direita e Batshuayi, finalmente, conseguiu deixar o seu. Chocolate belga: 5 a 1. Ainda houve tempo, no entanto, para um último ato tunisiano no jogo. Após jogada pela direita, Khazri aproveitou passe e chutou meio que de raspão, tirando do goleiro Courtois e dando números finais aos 5 a 2.

Com seis pontos ganhos, após as vitórias sobre Panamá e Tunísia, a forte geração belga já praticamente garante sua classificação para as oitavas de final da Copa (uma provável vitória inglesa sobre os panamenhos, matematicamente selam a passagem dos europeus à próxima fase). Restaria, apenas, disputar a primeira colocação do grupo contra a Inglaterra, na próxima quinta (28), em Kaliningrado. Com duas derrotas em dois jogos, a eliminada Tunísia tem, pela frente, apenas o confronto – de muito carisma – com o debutante Panamá, só para cumprir tabela, em Saransk.

 

Bélgica 5 x 2 Tunísia

 

Local: Arena Spartak (Moscou – Rússia)

Árbitro: Andres Cunha (Fifa/URU)

Auxiliares: Nicolas Taran (Fifa/URU) e Mauricio Espinoza (Fifa/URU)

Bélgica: Courtois, Meunier, Alderweireld, Boyata e Vertonghen; Witsel; Mertens (Tielemans), De Bruyne, Hazard (Batshuayi) e Carrasco; Lukaku (Fellaini). Técnico: Roberto Martínez.

Tunísia: Ben Mustapha, Bronn (Naguez), Syam Ben Youssef (Ben Alouane), Meriah e Maloul; Khaoui, Skhiri e Sassi (Sliti); Fakhreddine Ben Youssef, Khazri e Badri. Técnico: Nabil Maaloul.

Gols: Hazard (BEL – pen. 6’/1T e 6’/2T), Lukaku (BEL – 16’/1T e 46/1T) Batshuayi (BEL – 44’/2T); Bronn (TUN – 18’/1T) e Khazri (TUN – 48’/2T).

Cartões Amarelos: Sassi (TUN)

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 44.190 pessoas.