Malutrom surpreendeu o Brasil em 2010, ao conquistar os módulos verde e branco da Copa João Havelange | Reprodução

Clube do PR é o 1º campeão brasileiro a encerrar atividades

O J Malucelli, do Paraná, anunciou nesta quinta-feira que fechará as portas. É mais provável que você conheça o time de Curitiba por outro nome: Malutrom ou Corinthians Paranaense. Essas foram as três denominações utilizadas pelo clube, fundado em São José dos Pinhais em 1994, antes de mudar-se para a capital paranaense. O reconhecimento nacional veio em 2000, na boa campanha que culminou no título dos módulos verde e branco da Copa João Havelange, equivalentes à Série C daquele ano, o que faz do clube o primeiro vencedor de uma edição do campeonato brasileiro a encerrar as atividades.

Como o regulamento da Copa João Havelange previa o cruzamento entre os participantes das três divisões, o Malutrom acabou enfrentando o Cruzeiro nas quartas de final e, após derrota por 3 a 0 no jogo de ida, na Vila Capanema, que interrompeu uma sequência de 20 jogos sem derrota, os paranaenses seguraram um honroso empate em 1 a 1 no Mineirão, na despedida. O elenco era qualificado e contava com jogadores que despontariam nos anos seguintes, e tinha o meia Tcheco como grande destaque.

O nome Malutrom gerava controvérsia desde o início: embora pareça remédio ou anime japonês, em época marcada pelos sucessos de Pokémon e Digimon, o nome é produto do acrônimo formado pelos sobrenomes de duas famílias donas de importantes negócios em todo o estado: Malucelli e Trombini. Em 2005, quando os Trombini saíram de cena, o clube foi rebatizado como J. Malucelli, nome do grupo econômico comandado pelo então presidente de honra Joel Malucelli. Quatro anos depois, foi anunciada uma parceria com o Corinthians, que o transformou em Sport Club Corinthians Paranaense. Acordo duraria até 2012, quando o nome anterior foi resgatado.

Evolução das identidades visuais do J.Malucelli, que nasceu como Malutrom | Arte: Inácio Passos
Evolução das identidades visuais do J.Malucelli, que nasceu como Malutrom | Arte: Inácio Passos

A mudança de São José dos Pinhais para Curitiba e a adoção do nome Corinthians Paranaense, com um escudo que, embora exaltasse o Paraná no nome, era ilustrado com uma bandeira de São Paulo, exatamente como o da matriz, foram apontados como erros estratégicos pela comunidade esportiva e dificultaram a criação de uma identidade local.

Arquibancada sustentável do Ecoestádio Janguito Malucelli: o único estádio do gênero no Brasil | Stéfano Salles
Ecoestádio Janguito Malucelli: o único no Brasil | Stéfano Salles

O Jotinha, como era conhecido pela torcida, deixou São José dos Pinhais em 2007, quando passou a jogar no hoje abandonado Pinheirão. No ano seguinte, mudaria-se para o Ecoestádio Janguito Malucelli. Construído ao lado da sede do Grupo J. Malucelli e em frente ao Parque Barigui, o campo fica ao lado de um barranco, completamente gramado, onde foram colocados assentos para formar uma arquibancada lateral que comporta 3.150 pessoas e faz do local uma atração turística para os apaixonados por futebol. Sem uso de concreto, o equipamento foi considerado o primeiro estádio ecológico do Brasil.

REBAIXAMENTO E PAIXÃO VERDE

Embora mantivesse boas relações com Paraná Clube e Atlético-PR, que chegou a montar uma estrutura provisória no ecoestádio, para ampliar sua capacidade e poder mandar jogos enquanto a Arena da Baixada passava por obras de ampliação para receber a Copa do Mundo, o presidente Joel Malucelli nunca negou sua paixão pelo Coritiba, bem anterior à profissionalização do Jotinha. Em 1996 e 1997, foi presidente do clube do Alto da Glória, quando contou com o apoio de dois empresários na direção: Sérgio Prosdócimo e Edilson Mauad. Ele já confirmou que pretende ajudar o coxa, rebaixado esse ano para a Série B do Campeonato Brasileiro.

No entanto, não se pode dizer que o fim do J. Malucelli esteja atrelado ao rebaixamento do Coritiba: tem mais a ver com um drama próprio. Na atual temporada, o clube foi rebaixado para a Série Prata do Campeonato Paranaense ao perder 16 pontos pela escalação irregular do atacante Getterson, punição da qual recorreu, sem sucesso, em todas as instâncias. Inconformada com a decisão, a diretoria decidiu não enviar representantes para o arbitral da Série Prata, e será substituído pelo Batel.

CAMPANHA NA COPA JOÃO HAVELANGE (2000)

1ª FASE
06/08 – Etti Jundiaí 4×0 Malutrom
09/08 – União Bandeirante 2×1 Malutrom
13/08 – Malutrom 3×0 Comercial-SP
16/08 – Malutrom 3×2 União
20/08 – Internacional-SP 2×2 Malutrom
28/08 – Madureira 0x0 Malutrom
02/09 – Malutrom 2×1 Madureira
09/09 – Malutrom 0x0 Internacional-SP
13/09 – União 0x2 Malutrom
16/09 – Comercial-SP 1×4 Malutrom
20/09 – Malutrom 2×2 União Bandeirante
24/09 – Malutrom 2×1 Etti Jundiaí

2ª FASE
30/09 – Rio Branco-SP 0x2 Malutrom
05/10 – Malutrom 2×0 Friburguense
07/10 – Santo André 1×1 Malutrom
11/10 – Malutrom 4×2 Santo André
15/10 – Friburguense 0x0 Malutrom
18/10 – Malutrom 1×0 Rio Branco-SP

3ª FASE
22/10 – Moto Clube 2×2 Malutrom
28/10 – Tuna Luso 3×1 Malutrom
01/11 – Malutrom 2×1 Tuna Luso
07/11 – Malutrom 1×1 Etti Jundiaí
11/11 – Malutrom 4×3 Moto Clube
13/11 – Etti Jundiaí 1×2 Malutrom

FINAL
16/11 – Uberlândia 1×1 Malutrom
19/11 – Malutrom 3×2 Uberlândia (Campeão do módulo verde e branco)

PLAYOFF ENTRE OS MÓDULOS
23/11 – Malutrom 0x3 Cruzeiro
26/11 – Cruzeiro 1×1 Malutrom