Com ajuda da tecnologia, França vence Austrália na abertura do Grupo C

O torcedor brasileiro mais traumatizado já começou o dia de sábado dando seu primeiro soco na mesa: lá vem a França outra vez. Mesmo sem fazer grande jogo em Kazan, o time dirigido por Didier Deschamps chegou à suada vitória por 2 a 1 sobre a Austrália em jogo que entra para a história das Copas por ser o primeiro a ter uma decisão de campo alterada pelo uso do árbitro de vídeo. O pênalti marcado sobre Griezmann – e convertido pelo próprio – abriu os caminhos para a vitória francesa. Jedinak empatou, também de pênalti, mas Pogba anotou o gol da vitória, confirmado pela tecnologia da linha do gol.

Em um dia recheado de jogos, um verdadeiro intensivão de Copa do Mundo, o primeiro jogo prometia ser apenas para soltar a musculatura. Não se esperava outra coisa do duelo entre uma fortíssima geração francesa contra uma seleção experiente, mas limitada da Austrália. A superioridade dos europeus – que parece começar já no abraço e capacidade pulmonar para entoar a Marselhesa antes do apito inicial – era evidente desde o início da partida. Com a pressa e velocidade com que fez história, tornando-se o mais jovem jogador francês a atuar em uma Copa do Mundo, Mbappé invadiu pela direita e bateu firme, para boa defesa do goleiro Ryan. Aos cinco, foi a vez de Griezmann dar o ar da graça com chute de fora da área, após passe de Pogba: nova intervenção do arqueiro australiano.

Mas, depois de suportar a mundialmente conhecida “pressão inicial nos primeiros 15 minutos”, a Austrália encaixou seu jogo, quer dizer, a sua defesa. Sem sofrer tanto para conter os franceses, quase abriram o placar, perto dos 20, quando o cruzamento de Mooy foi desviado por Sainsbury e completado por Tolisso, contra o próprio patrimônio. Atento, Lloris se esticou para pegar. Daí, o que se seguiu foi uma sequência de tentativas francesas, ora na individualidade de Mbappé, ora nos lançamentos de Pogba para Griezmann, todos sem sucesso diante da forte defesa da Austrália. No fim, os Kangaroos ainda se engraçaram com finalização de Behich, sem muito perigo.

E aí veio o segundo tempo e, com ele, a primeira  decisão de campo alterada pelo árbitro de vídeo na história das Copas. Aos 10 minutos, Griezmann foi lançado na entrada da área. O lateral Risdon deslizou no gramado na tentativa de interceptar a bola, sem sucesso. No fim do movimento, o toque no calcanhar do atacante francês chamou a atenção de Mauro Vigliano, argentino que atuava como árbitro de vídeo.  No campo, o juiz uruguaio Andres Cunha deixou seguir e aguardou a saída da bola pela linha de lado para se isolar na cabina do VAR (Video Assistant Referee, em inglês) para observar o lance e apontar a marca fatal. Pênalti para a França. Griezmann bateu firme, aos 12, e deixou plantado o goleiro Matt Ryan: 1 a 0 .

VAR fez sua primeira aparição em Copas do Mundo na manhã deste sábado, na Rússia | Getty Images

Enquanto os mais antigos ressuscitavam o velho ditado para afirmar que, agora sim, onde passara um boi, passaria uma boiada, a Austrália centrou bola na área rival. E o zagueiro Umtiti subiu para cortar… Com o braço erguido e o punho em riste, tocou a mão na bola de maneira inexplicável. Aos 16, o capitão Jedinak deslocou Lloris para converter a penalidade que empataria o jogo. De volta à estaca zero, Deschamps lançou mão de Fekir na vaga de um apagado Dembèlè. Também colocou o recauchutado Giroud, com a cabeça enfaixada por conta de um corte sofrido no último amistoso da França antes da Copa, tentando dar melhor referência ao ataque azul. Mas nada funcionou tão bem para a França quanto a própria defesa australiana. Em tabela de Giroud com Pogba, o jogador do Manchester United invadiu a área e tentou a conclusão, mas Behich chegou junto, tocando para o próprio gol. A bola encobriu Ryan, beijou o travessão e tocou o solo. O sinal no relógio do árbitro confirmou mais uma decisão eletrônica no jogo: gol da França. Já na decisão humana do árbitro, gol de Pogba. A França voltava à dianteira, aos 36 minutos.

Por fim, um jogo que ficou marcado pelo uso das novidades tecnológicas, também ficará marcado pelo encontro das duas maiores novidades humanas da Copa da Rússia. Com a entrada de Arzani na seleção da Austrália e a presença de Mbappé ainda em campo pelos campeões de 1998, estavam frente a frente os dois jogadores mais novos do Mundial, com o australiano 15 dias mais novo.

França e Austrália retornam a campo no próximo dia 21. Os australianos tentam pontuar em 2018, coisa que não fizeram no Brasil em 2014, contra os Dinamarqueses, no atrasado estádio de Samara. Já os franceses seguem sua caminhada em busca do segundo título mundial contra o Peru, em Ecaterimburgo.

França 2 x 1 Austrália

Local: Arena Kazan  (Kazan – RUS)

Árbtitro: Andres Cunha (Fifa/URU)

Auxiliares: Nicolas Taran (Fifa/URU) e Mauricio Espinosa (Fifa/URU)

França: Lloris, Pavard, Varane, Umtiti e Hernandez; Kante, Tolisso e Pogba; Mbappe, Griezmann (Giroud) e Dembele (Fekir). Técnico: DIdier Deschamps.

Austrália: Ryan, Risdon, Milligan, Sainsbury e Behich; Jedinak e Mooy; Leckie, Rogic (Irvine) e Kruse; Nabbout (Juric). Técnico: Bert van Marwijck.

Gols: Griezmann – França (10’/2º tempo), Jedinak – Austrália (16’/2º tempo) e Pogba – França (36’/2º tempo)

Cartões Amarelos: Leckie, Risdon (Austrália); Tolisso (França)

Cartões Vermelhos: Não houve.

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