Com grande atuação, Brasil passa pelo México e vai às quartas da Copa

Não contavam com a astúcia do Brasil. Pela sétima vez consecutiva, a Seleção Brasileira alcança as quartas de final da maior competição esportiva do planeta. A vaga veio com vitória – suada pelo primeiro tempo, merecida pela grande atuação do segundo – sobre o México, por 2 a 0, na manhã desta segunda-feira (02), em Samara. Os gols de Neymar e Roberto Firmino, e a ótima partida de Willian e da defesa comandada por Thiago Silva, levam o Brasil adiante para enfrentar Bélgica ou Japão na próxima fase.

Suspeitava-se desde o princípio que o duelo contra o México seria duro para a Seleção Brasileira. O técnico Juan Carlos Osorio prometeu atacar o Brasil. E cumpriu. Os primeiros dez minutos foram mexicanos. Alisson teve que trabalhar em cruzamento e soltou mal, para dentro da área, aos três minutos. Para sua sorte, Miranda travou Lozano na sobra. A marcação brasileira não parecia ajustada às subidas de Vela e Lozano pelas pontas. Neymar chegou a responder com a primeira finalização do Escrete aos cinco, mas não tirou de Ochoa, que espalmou com tranquilidade. O lateral terrivelmente cobrado por Fagner, aos 14, que resultou em contragolpe dos norte-americanos, era o retrato de uma Seleção ainda perdida, com um terço do primeiro tempo. E os gritos de “olé” da torcida mexicana, dando o tom do toque de bola dos jogadores de sua seleção, evidenciavam a superioridade inicial dos azarões que, em menos de 25 minutos, já haviam tido três oportunidades de finalização bloqueadas dentro da área pelos defensores brasileiros.

Até que Neymar apareceu como que saído de um barril. Partiu para cima da marcação mexicana e bateu cruzado. Só que o povo da terra da tequila e do sombrero sabe bem quem poderá defendê-lo quando a coisa aperta. Ochoa, em seu uniforme de Chapolin, fez grande defesa. Mas não espantou o Brasil. Philippe Coutinho recebeu de Neymar e emendou por cima do gol. Aos 32, Gabriel Jesus limpou a marcação na área e chutou de perna esquerda. Ochoa pegou e, no rebote, Coutinho finalizou sem força para o corte da zaga rival. Ao apito final de Gianluca Rocchi aos 45 minutos, uma história diferente, mas o placar idêntico ao de quatro anos atrás em Fortaleza, na Copa do Brasil: 0 a 0.

Mas no início do segundo tempo, o Brasil não quis mais se misturar com a gentalha. Coutinho tentou após cobrança de escanteio, mas Ochoa voltou a defender. Aos seis minutos, porém, não teve jeito. Neymar deixou de calcanhar para Willian. O “Foguetinho” decolou na terra dos foguetes russos e surpreendeu a marcação puxando para a perna esquerda. No chute cruzado, Gabriel Jesus se esticou, mas foi Neymar, atrás dele, quem tocou para as redes. Isso, isso, isso: 1 a 0 Brasil!

Comemoração do primeiro gol brasileiro fez alusão ao choro de Kiko, personagem do histórico seriado mexicano, Chaves. | Getty Images

Atrás no placar, Osorio botou o time para frente. Além da mexida no intervalo, quando tirou o histórico Rafa Márquez, capitão em cinco Copas, para a entrada de Layún, o treinador colombiano sacou o defensor Álvarez para colocar o meia Jonathan dos Santos. Mas foi o Brasil quem chegou. Fagner passou pela direita e cruzou para Paulinho, mas o volante brasileiro parou em Ochoa. Willian também tornou a aparecer, dessa vez, cortando para a perna direita, aos 18, mas o tiro foi, mais uma vez, defendido pelo arqueiro do México.

Aos 27 minutos, Neymar caiu junto à linha lateral e Layún pisou a perna do brasileiro, de maldade. No entanto, nem com auxílio do VAR, o árbitro tomou alguma providência. Precisando de um gol, os mexicanos tentavam sair, quase sempre em velocidade. Mas os movimentos friamente calculados da defesa brasileira evitavam qualquer perigo. Com Neymar caçado e cansado, Gabriel Jesus passou a voltar acompanhando o lateral pelo lado esquerdo da Seleção. Faltando cinco minutos, o México ensaiou uma pressão, conseguindo alguns escanteios. Mas não contavam com a astúcia de Neymar. O camisa 10 puxou contra-ataque, invadiu a área e – como ninguém tem paciência mais com Ochoa – só tocou de lado na saída do goleiro para servir ao recém-entrado Roberto Firmino. Com o gol vazio, o atacante só empurrou para as redes e mostrou o brilhante sorriso de quem classificou a Seleção, pela sétima vez consecutiva, para as quartas de final da Copa do Mundo.

O Brasil agora aguarda o vencedor de Bélgica e Japão para conhecer seu adversário da próxima sexta-feira (06), nas quartas de final. Quando a bola rolar em Kazan, às 15 horas, porém, Casemiro não estará em campo. Com o cartão recebido aos 14 minutos do segundo tempo, o volante está suspenso. Aos mexicanos que, mais uma vez, “jogaram como nunca e perderam como sempre”, restam apenas férias em Acapulco após a eliminação.

Brasil 2 x 0 México

Local: Arena Samara (Samara – Rússia)

Árbitro: Gianluca Rocchi (Fifa/ITA).

Auxiliares: Elenito di Liberatore (Fifa/ITA) e Mauro Tonolini (Fifa/ITA).

Brasil: Alisson, Fagner, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Casemiro e Paulinho (Fernandinho); Willian (Marquinhos), Philippe Coutinho (Roberto Firmino) e Neymar; Gabriel Jesus. Técnico: Tite.

México: Ochoa, Álvarez (Jonathan dos Santos), Ayala, Salcedo e Gallardo; Rafa Márquez (Layún), Herrera e Guardado; Vela, Chicharito Hernández (Jiménez) e Lozano. Técnico: Juan Carlos Osorio.

Gols: Neymar – Brasil (06’/2º tempo) e Roberto Firmino – Brasil (41’/2º tempo).

Cartões Amarelos: Filipe Luís, Casemiro (Brasil); Álvarez, Herrera, Salcedo e Guardado (México)

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 41.970 pessoas.