Croácia vence nos pênaltis, elimina donos da casa e chega às semifinais 20 anos depois

Croatas comemoram classificação . Equipe está outra vez na semifinal 20 anos depois (Foto: Getty Images)

Fim de linha para o sonho russo. Apesar da melhor campanha em Copas após o fim da União Soviética e de todo o apoio de quase 45 mil pessoas no Estádio Olímpico de Sochi, os donos da casa tentaram, dificultaram, estenderam o sofrimento até o fim da prorrogação, mas não foram capazes de evitar a derrota nos pênaltis, neste sábado (7). O brasileiro Mario Fernandes marcou o gol russo que levou a decisão para as penalidades, mas mandou para fora a sua cobrança e a jornada da Rússia na Copa em casa acaba nas quartas de final. O último pênalti, cobrado por Rakitic, garantiu a Croácia pela segunda vez em uma semifinal de Mundial – como já acontecera em 1998, na França. Enquanto os russos choram pela eliminação em casa, os croatas têm pela frente a Inglaterra, na próxima quarta-feira (11).  

Desde o princípio, a decisão de Cherchesov de escalar Cheryshev entre os titulares russos já era uma demonstração de que os anfitriões viriam para o duelo contra a Croácia com a confiança de quem eliminou a Espanha, uma das favoritas ao título. E não deu outra. O time da casa começou o jogo pressionando a saída de bola croata e recuperando a posse de bola já no campo ofensivo. Antes dos cinco minutos, Cheryshev e Dzyuba já haviam tido finalizações bloqueadas dentro da área rival. Mas, na primeira vez em que a Croácia conseguiu trabalhar a jogada no ataque, só parou no goleiro Akinfeev após o bonito lance de Rebic.

A pressão russa na marcação arrefeceu com o passar dos minutos sob o calor abafado de Sochi. Melhor para a Croácia, que passou a trocar mais passes e encontrar alguns espaços pelas pontas. Mandzukic teve duas chances de gol, mas errou a conclusão em ambas. E acabou castigado. A titularidade de Cheryshev deu frutos, aos 30, quando o artilheiro da Rússia na Copa tabelou com Dzyuba na intermediária, limpou Modric e Vida só no domínio e emendou lindo chute de perna esquerda no ângulo de Subasic: 1 a 0 para os donos da casa; quarto gol de Cheryshev na competição. A alegria que tomou conta das arquibancadas, porém, durou somente dez minutos. Em um lance despretensioso, a defesa russa cochilou, Mandzukic recebeu pela esquerda, levou à linha de fundo e ergueu a cabeça para observar a movimentação de Kramaric. Mesmo cercado por quatro adversários, o camisa 9 croata se livrou da marcação e apareceu livre para completar, de cabeça, o cruzamento para empatar o jogo ao fim do primeiro tempo.

Embalada pelo gol anotado nos minutos finais antes da ida ao vestiário, a seleção eslava começou a segunda etapa partindo para cima. Kramaric tentou uma bicicleta, logo no comecinho, mas não pegou em cheio e Akinfeev pegou sem problemas. Aos 13 minutos, Cherchesov sentiu o crescimento adversário e começou, aos poucos, a abrir mão das principais peças ofensivas para tentar resistir. Primeiro, ele tirou seu artilheiro Cheryshev. Minutos mais tarde, também substituiu o centroavante Dzyuba. Entre uma mexida e outra, a melhor chance do segundo tempo. Em cruzamento, Akinfeev se desentendeu com a defesa e a bola caiu nos pés de Perisic. Com calma, ele escolheu o canto e bateu cruzado sem nenhuma chance para o goleiro e os zagueiros russos… Mas a bola caprichosamente beijou a trave e correu à frente do gol por toda a pequena área.

A Rússia tentou responder, cruzando bolas na área. Erokhin, um dos substitutos colocados em campo no segundo tempo, conseguiu boa cabeçada, mas Subasic fez defesa tranquila. Só que a tranquilidade do goleiro acabou já perto do fim dos 90 minutos. Não porque a Rússia fizesse pressão. Pelo contrário, os anfitriões apenas tentava se defender de uma Croácia que rondava, rondava mas não finalizava. Só que, em uma bola recuada, Subasic se esforçou para evitar a saída da bola pela linha de fundo e sentiu um problema muscular na coxa. Zlatko Dalic acabara de processar sua última substituição. Mesmo contundido, o goleiro permaneceu em campo e chegou a ser testado por Smolov, mas realizou a intervenção. Apesar da preocupação, as duas equipes levaram o jogo até o fim. Ou quase isso: haveria prorrogação.

E Subasic seguiu. A quarta alteração croata veio pela lesão de outro jogador: Vrsaljko sentiu o joelho e foi substituído por Corluka. Com a alteração, o zagueiro Vida foi deslocado para a lateral direita. Mas a alteração tática fez pouca diferença para o jogo. O que mudou dramaticamente a história da partida foi a cabeçada do mesmo Vida, aos oito minutos do tempo extra. Após cruzamento, ele escorou para o chão. A bola passou entre defensores russos e à frente de Corluka sem que ninguém a tocasse. Encoberto e sobressaltado com a possibilidade de um desvio, Akinfeev apenas observou a entrada da pelota em seu cantinho esquerdo. A Croácia virava com o primeiro gol desta Copa do Mundo em prorrogações, para festa da presidente Kolinda Grabar-Kitarovic na tribuna de autoridades.

Pressionada pelo resultado, a Rússia tentou partir para cima. Sem criatividade, no entanto, restringia qualquer perigo ao bom e velho chuveirinho. Em um deles, já na segunda etapa da prórroga, Subasic socou mal e, na sobra, teve de fazer grande defesa após tirambaço de Kuziaev. Mas o destino não quis transformar Subasic em herói desta vez, como na decisão por pênaltis contra a Dinamarca. Aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação, Dzagoev cobrou falta para a área e encontrou um russo diferente, nascido em São Caetano do Sul. Mario Fernandes subiu livre e cabeceou firme, no canto, sem chances para o goleiro croata. Um dia após a eliminação frente à Bélgica, um brasileiro marcava o gol de um empate em 2 a 2, garantindo a sobrevida de sua seleção. Que pena que essa seleção é a russa. Que lindo que essa seleção é a russa! E o mundo teve a chance de ver o maior de seus países com a alma banhada em esperança, vivendo o mesmo sonho outra vez. Zobnin ainda bateu de longe na tentativa de evitar os pênaltis, mas o capenga Subasic salvou a Croácia e levou os times para sua segunda decisão por pênaltis neste Mundial.

Enquanto a Rússia se fiou no experiente Akinffev para derrotar a Espanha, Subasic defendeu três contra a Dinamarca. E assim começou contra os anfitriões. Smolov tentou uma cavadinha e o goleiro croata, mesmo caído, esticou o braço e impediu o gol. Akinfeev tentou manter a igualdade, acertou o canto, mas Brozovic colocou no ângulo: 1 a 0 Croácia após os primeiros penais. Dzagoev deslocou Subasic para a empatar. Kovacic tentou, mas bateu fraco e Akinfeev foi buscar no cantinho esquerdo. Tudo igual.

Depois de fazer o gol de empate e levar o jogo para as penalidades, Mario Fernandes tinha a responsabilidade de colocar a Rússia em vantagem. O brasileiro naturalizado bateu forte, mas mandou direto para fora. Como se a decisão por pênaltis não pudesse ser mais cruel, Akinfeev defendeu a cobrança de Modric, empurrou a bola para a trave. Mas a trave empurrou-a para as redes, do outro lado. A Croácia estava outra vez na frente.

Os zagueiros Ignashevich e Vida converteram suas cobranças seguintes. Kuziaev precisava marcar para manter a Rússia viva: goleiro para um lado, bola para o outro. Assim, o experiente Rakitic precisava fazer para levar a Croácia para a semifinal. E não deu chances a Akinfeev: 4 a 3 Croácia. Comemoração no campo, silêncio sepulcral nas arquibancadas.

A antiga praça olímpica do Luzhniki, em Moscou, não terá o prazer de torcer pela seleção da casa em busca de uma vaga na final. Na próxima quarta (11), o estádio recebe o confronto entre Inglaterra e Croácia, às 15 horas.

 

Rússia 2 x 2 Croácia

Local: Estádio Olímpico de Sochi (Sochi – Rússia)

Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa/BRA)

Auxiliares: Emerson de Carvalho (Fifa/BRA) e Marcelo Van Gasse (Fifa/BRA)

Rússia: Akinfeev, Mario Fernandes, Kutepov, Ignashevich e Kudriashov; Zobnin e Kuziaev; Samedov, Golovin e Cheryshev; Dzyuba. Técnico: Stanislav Cherchesov.

Croácia: Subasic, Vrsaljko, Lovren, Vida e Strinic; Rakitic e Modric; Rebic, Kramaric e Perisic; Mandzukic. Técnico: Zlatko Dalic.

Gols: Cheryshev (RUS – 30’/1T), Kramaric (CRO – 40’/1T), Vida (CRO – 8’/1TP) e Mario Fernandes (RUS – 10’/2TP)

Pênaltis: RUS – Dzagoev, Ignashevich e Kuziaev converteram; Smolov e Mario Fernandes perderam. CRO – Brozovic, Modric, Vida e Rakitic converteram; Kovacic perdeu.

Cartões Amarelos: Gazinskii (RUS); Kramaric, Strinic, Vida e Pivaric (CRO).

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 44.287 pessoas.