Cruzeiro vence o Fla e sai na frente por uma vaga nas quartas da Libertadores

Com gols de Arrascaeta (foto) e Thiago Neves, Cruzeiro venceu o Flamengo nesta quarta (8), no Maracanã (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

Quarenta e cinco mil vozes empurrando nas arquibancadas. Vinte e duas pernas correndo e disputando espaço dentro de campo. Nada disso foi suficiente para o Flamengo na noite desta quarta (8), no Maracanã. Diante de um Cruzeiro sólido defensivamente e letal nas chances criadas, o Rubro-Negro sai atrás na disputa por uma vaga nas quartas de final da Libertadores da América. Com gols de Arrascaeta, no primeiro tempo, e Thiago Neves, no segundo, a Raposa venceu o primeiro confronto por 2 a 0 – e teve chances para fazer mais no final – e voltou a derrotar o rival no Maraca após nove anos. O jogo de volta acontece no Mineirão, no próximo dia 29. Cabe lembrar que, na Libertadores, o gol marcado fora de casa é critério de desempate em caso de igualdade no fim dos dois jogos.

No primeiro encontro entre as duas equipes desde a decisão da Copa do Brasil do ano passado, era de se esperar certo clima de tensão. Ainda mais em se tratando de confronto decisivo pela maior competição da América. Assim, não foi de se espantar que os primeiros minutos disputados no Maracanã mais parecessem uma luta de boxe, com dois pugilistas se estudando e buscando impor seu estilo e marcar a distância do combate. Dono da casa, o Flamengo era empurrado para cima do rival por um estádio quase lotado, mas o ímpeto inicial foi freado por um Cruzeiro que lhe negava conforto, alternando pressão na saída de bola e na zona intermediária do campo. Além disso, esperto, soube aproveitar um pequeno momento de guarda baixa do adversário, logo aos 10 minutos. Lançamento da direita encontrou a infiltração de Robinho na área do Flamengo. Livre, o meia girou e, enquanto a zaga rubro-negra saía para o combate, serviu Arrascaeta. Com a tranquilidade de quem toma um café na pequena área, o uruguaio apenas rolou de lado na saída de Diego Alves para abrir o placar: 1 a 0 Cruzeiro.

O Fla tentou reagir ao golpe sofrido, mas os chutes de Marlos Moreno e Jean Lucas – escolhido para substituir o suspenso Paquetá – não atingiram o alvo. Enquanto isso, a Raposa seguia tratando a zaga flamenguista como um galinheiro: abafando a saída e estocando com perigo vez ou outra. Em uma dessas, Robinho mais uma vez encontrou espaço na área para receber cruzamento de Egídio. De carrinho, ele conseguiu toque para deixar Thiago Neves sem goleiro. Artilheiro do time no ano, com nove gols, o ex-jogador do Flamengo não fez jus ao ano goleador. Praticamente sob o travessão, conseguiu cabecear para cima e perder uma chance que parecia imperdível.

O gol perdido mexeu com o clima do jogo. Antes concentradíssimos, os mineiros começaram a se enrolar em lances bobos, como quando Egídio deixou para Fábio, de surpresa, uma bola mansa junto à linha de fundo e o experiente goleiro se atrapalhou e cedeu escanteio ao Flamengo. Falando em escanteios, foi à base deles que os cariocas entraram no jogo e fizeram pressão. Pouco, na maior parte do tempo, contra uma defesa de exímios cabeceadores como Dedé e Léo e um goleiro que não foge à responsabilidade de sair quando necessário, como Fábio. Mas, de um total de 12 corners na primeira etapa, fatalmente algum levaria perigo.

Depois de diversas cobranças de Diego, o meia resolveu deixar a tarefa para Rodinei e tentar jogada ensaiada. Uribe desviou no primeiro pau e ela por pouco não chegou aos pés do camisa 10 da Gávea, aos 23. Mas foi aos 34 que veio a principal oportunidade rubro-negra. Mais uma vez quando Diego não cobrou, Éverton Ribeiro colocou a bola na primeira trave e Uribe tocou de cabeça para uma defesa monumental de Fábio. No fim, Rodinei ainda teve duas oportunidades de empatar em jogadas seguidas, aos 45: primeiro, bateu forte e obrigou Fábio a defender de joelhos; depois, tocou fraquinho e o arqueiro cruzeirense não deu rebote e esgotou a pressão flamenguista na primeira etapa.

Na primeira etapa. Porque o segundo tempo começou melhor para o Flamengo. Menos refém das bolas paradas, mas sempre explorando o lado direito de ataque, o time viu Rodinei iniciar os 45 minutos finais passando por Egídio e cruzando na cabeça de Uribe. Só que, outra vez, Fábio estava lá para salvar o Cruzeiro. A posse de bola rubro-negra beirava os 65%, mas aos poucos o Cruzeiro foi se reencontrando no jogo. Com toques rápidos, não permitia o roubo de bola ainda em seu campo. Quando encontrava o espaço, conseguia aparecer velozmente na intermediária de ataque, setor que povoou como estratégia para arrumar espaços na defesa rival. Recuado, passou a buscar os contragolpes como principal alternativa.

Como Barcos estivesse em noite apagada, Mano Menezes trocou-o por Raniel. E, aos 24, o garoto aproveitou uma sobra de bola para bater de longe e quase surpreender Diego Alves. No Fla, Barbieri lançou mão de Vitinho em lugar de Jean Lucas. Uma tentativa também de fortalecer o meio-campo com Diego e Éverton Ribeiro juntos, na ausência de Paquetá. Além disso, no dia em que se confirmou a saída de Guerrero, a esperança voltou a cair sobre o jovem Lincoln, de 17 anos, uma semana após fazer o gol de empate contra o Grêmio, em jogo válido pela Copa do Brasil. E, por lembrar da competição mata-mata do futebol brasileiro, o Cruzeiro chegou para causar sofrimento ao Flamengo, como fez nas duas vezes em que as duas equipes se cruzaram na final do torneio.

Em jogada muito bem construída, Rafinha, que entrara em lugar de Robinho, evitou a saída da bola pela linha de fundo e cruzou. Arrascaeta ajeitou para trás e Lucas Silva bateu forte. Enquanto todos se preocupavam com o chute, Thiago Neves se ajeitava na marca do pênalti. Livre e em posição legal, apenas virou a chapa do pé esquerdo para matar Diego Alves e voltar a marcar depois de 12 jogos de jejum. O Cruzeiro fazia 2 a 0, fora de casa, aos 32.

Autor do gol, Thiago Neves ainda foi sacado para a entrada do argentino Ariel Cabral. Maurício Barbieri também tentou uma última alteração, trocando um lateral por outro e colocando Pará na vaga de um cansado Rodinei. Sem efeito. Sólido defensivamente como se mostrou ao longo de todo o segundo tempo e absolutamente confortável com sua estratégia, o Cruzeiro levou sua vitória até o final, prendendo a respiração somente para observar uma furada de Vitinho dentro da área e o chute cruzado de Uribe se perder pela linha de fundo. Mais: ainda teve a oportunidade de ampliar ainda mais a vantagem para o jogo de volta, mas Diego Alves defendeu conclusões de Raniel e Rafinha já nos acréscimos.

As duas equipes agora viram a chave de volta para disputar a 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mas não tiram o foco do adversário, já que o confronto se repete na competição de pontos corridos. Flamengo e Cruzeiro voltam a se enfrentar no mesmo Maracanã no próximo domingo, às 16 horas.

Flamengo 0 x 2 Cruzeiro

Copa Libertadores da América – Oitavas de Final

Local: Maracanã (Rio de Janeiro – RJ)

Árbitro: Néstor Pitana (Fifa/ARG)

Auxiliares: Hernán Maidana (Fifa/ARG) e Gustavo Rossi (Fifa/ARG)

Flamengo: Diego Alves, Rodinei (Pará), Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar e Jean Lucas (Vitinho); Éverton Ribeiro, Diego e Marlos Moreno; Uribe. Técnico: Maurício Barbieri.

Cruzeiro: Fábio, Edílson, Dedé, Léo e Egídio; Henrique e Lucas Silva; Robinho, Thiago Neves (Ariel Cabral) e De Arrascaeta; Barcos (Raniel). Técnico: Mano Menezes.

Gols: Arrascaeta (CRU – 10’/1T); Thiago Neves (CRU – 32’/2T)

Cartões Amarelos: Cuéllar (FLA); Thiago Neves, Robinho (CRU)

Cartões Vermelhos: Não houve

Público: 41.533 pagantes; 45.967 presentes