Edival Marques, destaque do Taekwondo, sonha conquistar o ouro em 2020

Uma das grandes promessas do Taekwondo para 2020 é Edival Marques, 20 anos, mais conhecido como Netinho, que desde muito cedo vem se destacando e passou a fazer parte da seleção brasileira ainda na categoria juvenil. Recentemente, o lutador paraibano manteve a titularidade na seleção conquistando o Grand Slam, disputado na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 25 de fevereiro deste ano.

Atualmente, Netinho está com a seleção brasileira disputando alguns torneios na Europa, onde esteve no Open da Espanha e do Marrocos. A próxima disputa com a seleção será na Alemanha, torneio que acontecerá no próximo final de semana, e servirá como uma grande possibilidade de somar pontos no ranking mundial.

– Disputar as competições na Europa está sendo muito bom para a minha adaptação, aqui tem atletas de várias regiões e com isso temos um verdadeiro laboratório de preparação. Até agora disputei quatro lutas, venci duas, estou me sentindo melhor para o Open da Alemanha, estamos com tempo agora para estudar o estilo de jogo do adversário e surpreender. – conta

Netinho foi eleito atleta do ano em 2014 pela CBTKD.

O último torneio importante de Netinho, com uma excelente colocação, foi em 2017, quando ficou em segundo lugar no US Open, que aconteceu em Las Vegas.

Como era uma criança hiperativa, uma das maneiras que os pais buscaram para o filho “descarregar” a energia foi no esporte. O pai, Sr. Loidmar Pontes, foi zagueiro e quase fez o filho seguir seus passos, chegou a colocar o menino em uma escolinha, mas graças ao pai de um amigo, mestre Manoel Gomes, que era professor de Taekwondo, Netinho foi convidado a fazer uma aula experimental, e logo desistiu da ideia de ser jogador de futebol para se dedicar 100% a arte que mudaria a sua vida de uma vez por todas.

– Sempre fui muito agitado, inquieto e meu pai me colocou em uma escolinha de futebol, ele em sua juventude jogou de zagueiro e dizem que jogava bem (risos). Minha história começou a mudar quando em um dia qualquer fui convidado por um amigo, novo na minha rua, para jogar vídeo game na casa dele, eu tinha entre seis e sete anos de idade. o pai dele, mestre Manoel Gomes, era professor de Taekwondo e me convidou para uma aula experimental. Quando meu pai viu que eu levava jeito para a luta, me tirou rapidamente do futebol com medo que eu me machucasse nos treinos e atrapalhasse no Taekwondo. – revela

Netinho quando foi campeão mundial.

Nascido em João Pessoa, capital paraibana, Netinho que vem de família humilde, sempre encontrou nos pais a base para chegar onde está hoje. A mãe, dona Eridan, sempre se dedicou integralmente aos filhos, enquanto o pai de Netinho sempre batalhou para que não faltasse as coisas necessárias para a família, além de ser muito presente acompanhando o filho sempre que possível nas competições.

– Minha família sempre foi bem humilde, mas sempre fomos muito unidos. Graças a Deus tenho uma família abençoada, falo com meus pais todos os dias, morro de saudade deles e da minha irmã. Estar distante é algo necessário para que eu possa dar um futuro melhor para eles, encaramos muitas lutas juntos, nada foi fácil para mim e tão pouco para eles. Meus pais são a minha maior força, Sempre que estou triste ou desmotivado em relação ao esporte eles que conseguem renovar o meu espírito. – conta

Com os pais e a irmã.

O primeiro título importante na carreira do Netinho aconteceu aos 12 anos, quando se sagrou campeão brasileiro e com isso garantiu a vaga para a seletiva que valeria vaga na seleção brasileira. Após bater na trave dois anos seguidos na seletiva, o atleta paraibano, na época com 14 anos, pensou em desistir do Taekwondo, devido a sua frustração por não conseguir integrar a seleção brasileira. Foi então que o pai, que acreditava muito no potencial do filho, decidiu levar Netinho para treinar em Brasília, onde as condições de preparação e desenvolvimento eram melhores, lá o jovem foi acolhido pelo atleta Guilherme Dias.

– Meu pai sempre foi uma peça chave na minha vida, acho que ele sempre acreditou mais em mim do que eu mesmo. Confesso que após conquistar o campeonato brasileiro e não conseguir a vaga para a seleção por dois anos seguidos, pensei seriamente em desistir e buscar outras coisas. Meu pai não deixou, correu atrás de melhores condições, deu o jeito dele e me levou para Brasília, com uma ajuda crucial também do Guilherme Dias, este cara também sempre acreditou em mim, uma grande referência na minha vida. Foi então que com 15 anos fiz parte pela primeira vez da seleção brasileira de Taekwondo. – conta

Após a mudança para Brasília os títulos se acumularam, melhor preparado e com boas condições de treino, Edival Marques ganhou títulos como campeonato mundial juvenil,  campeão dos jogos olímpicos da juventude, Campeão dos Opens da Argentina e Bolívia, além dos vice-campeonatos do Pan-americano adulto e do US Open. Netinho entrou para a história do Taekwondo brasileiro ao se tornar o primeiro medalhista de ouro em uma olimpíada, a conquista veio nos jogos olímpicos militares.

Em 2016, ainda com 17 anos, e recém saído da categoria juvenil,  a esperança de se classificar para os jogos Rio 2016 estava ainda atrás do desejo de ajudar duas pessoas em especial a conquistar a vaga para os jogos Olímpicos, Guilherme Dias, um dos grandes responsáveis por sua evolução, e Talisca Reis, namorada de Edival Marques e uma das atletas mais vencedoras do país.

– Quando sai do juvenil muitos falavam que eu poderia ter chances de ganhar a vaga olímpica, Infelizmente na categoria 63kg eu acabei perdendo e migrei no ano seguinte para a 68kg, porém está categoria não estava dentre as escolhidas pela CBTKD. Confesso que sempre tive os pés no chão e via um outro momento para mim, meus olhos estavam voltados para ajudar na preparação da minha namorada, Talisca, e do meu amigo, Guilherme Dias, a conquistarem a vaga. Infelizmente não deu para eles, mas o trabalho sério continua para 2020. – conta

Com a namorada Talisca Reis.

Em seu terceiro ano consecutivo na seleção adulta e com um calendário cheio em 2018, o lutador paraibano, hoje radicado em Rio Claro, interior paulista, treina com Nicholas Pigozzi e espera continuar somando pontos e com isso conseguir classificação para o Pan-americano e Grand Prix que acontecerão este ano.

– Este ano esta sendo muito corrido, já começando com o US Open no início do ano, onde cai nas quartas-de-final. Este ano também teremos Pan-americano, campeonato mundiais militar e os Grand Prix. Todos contam pontos importantes para o ranking. Meus planos para o futuro é trabalhar cada vez mais para ir às olimpíadas em 2020 e conquistar a medalha de ouro, esse é meu maior sonho. Tenho como meta também formar um campeão, é algo que gostaria de fazer, mas esse projeto é bem mais pra frente. – finaliza