Edson “Pânico” projeta vôos maiores após bela vitória Shooto 86

A vitória no Shooto 86 pode ter sido o divisor de águas de um dos lutadores mais agressivos do circuito nacional, que somou sua sétima vitória na carreira profissional e manteve a invencibilidade. O pupilo de Alex Chadud enfrentou, o até então invicto, Wilker “Feijão” Lemos, lutador da RD Champions, nocauteando o adversário no segundo round do co-main event do card.

O lutador, que soma sete triunfos na carreira, vem de quatro vitórias por nocaute em sequência. Em 2017 protagonizou um nocaute brutal na edição 11 do Iron Fight Combat, vencendo o experiente Guilherme Soares, que na época somava 13 vitórias em 19 lutas.

A HISTÓRIA

Nascido em Brasília, o lutador de 29 anos passou muitos apertos na infância, por ser magro demais e introspectivo, sendo muitas vezes surrado por garotos até menores que ele. Como estava farto de apanhar na rua, Edson, aos 13 anos, decidiu aprender alguma arte marcial e o destino o levou até o boxe, com o treinador Paulo “Boxe”.

Com o mestre Paulo “Boxe”(Arquivo Pessoal).

“Minha infância foi normal, morava em Brasília e ainda novo me mudei para Goiânia, e foi nessa mudança que conheci o boxe. Eu era alto e muito magro, era considerado o “prego” da turma, todo mundo me batia. Um dia cansei de ficar apanhando e procurei uma luta pra fazer, foi nessa caminhada que conheci o projeto do Paulo “Boxe” e passei a treinar com ele.”- conta

Em pouco tempo o lutador começou a se destacar na nobre arte. Sendo considerado imbatível no estado de Goiás, o jovem buscava alcançar vôos mais altos dentro do boxe. Após alguns títulos no circuito estadual, Edson foi lutar o campeonato brasileiro de boxe onde acabou ficando em segundo lugar e se credenciando para disputar a seletiva para integrar a seleção brasileira de boxe.

“No começo conquistei os títulos primeiro dentro do estado, sempre me destacando por ter a mão pesada. Logo no primeiro brasileiro que disputei consegui o segundo lugar, participei da seletiva e fui convidado a integrar a seleção brasileira.” – detalha

Foto: Arquivo Pessoal

O sonho de Edson “Pânico” estava prestes a se tornar realidade, com a vaga na seleção brasileira assegurada, e a certeza vindo da confederação que as passagens seriam emitidas para ele viajar e encontrar o restante da equipe em São Paulo, o lutador pediu demissão do emprego e ficou aguardando as passagens para viajar, que só chegaram quatro meses após o combinado. Após cerca de um mês treinando com a seleção, Edson acabou cortado da equipe e viu seus planos ruirem.

“Quando me disseram que eu viajaria com a seleção para me preparar e disputar os torneios optei por pedir demissão do meu emprego, já esperando que fosse viajar em poucos dias. O problema é que demoraram quatro meses para me enviarem as passagens e eu morava de aluguel, fiquei desesperado pois as contas não paravam de chegar. Neste período me convidaram para lutar MMA e como eu precisava pagar as contas, consultei o meu mestre na época, Paulo “Boxe”, e como o mestre disse que não haveria problemas com a minha ida a seleção eu acabei topando e fiz a luta. Foi em outubro de 2012, foi a minha estreia no MMA profissional. Quando as passagens chegaram eu arrumei minhas coisas e fui me encontrar com a seleção, porém, após investigarem minha vida, com cerca de um mês que eu estava lá, disseram que eu não poderia ter lutado MMA e fui cortado da equipe.” – revela

O corte na seleção foi um golpe forte demais recebido por Edson, que retornou a Goiânia e não queria mais se envolver com as artes marciais. Decidiu que daquele momento em diante trabalharia normalmente e buscaria seu futuro longe do esporte, a decepção havia neutralizado o lutador.

“Quando eles me cortaram eu quase enlouqueci, não acreditei no que estava acontecendo. Parecia que o chão havia aberto e me engolido. Voltei para Goiânia e decidi ficar só trabalhando, buscando uma oportunidade para ser alguém na vida.” – desabafa

Após um período sabático o jovem retornou aos treinamentos com o até então mestre Paulo “Boxe”, que percebeu a necessidade de Edson trilhar um novo caminho. A partir desse momento entrou na vida do lutador um pessoa que seria um divisor de águas, o mestre Alex Chadud, que foi o responsável por aprimorar as técnicas de Edson “Pânico” e tornar o lutador um dos meio-médios mais temidos do país.

Com Alex Chadud e os companheiros da New Level.

“Passei por alguns problemas e para extravasar decidi voltar aos treinos. O meu antigo mestre(Paulo “Boxe”) disse que não tinha mais condições de me treinar, que eu precisava de uma academia mais ampla e me apresentou o mestre Chadud. Já estou quatro anos na New Level, aprendi e aprendo todos os dias com ele, temos uma relação de muita confiança.” – conta

Com o retorno aos cages três anos após sua estreia, o pupilo de Alex Chadud, emplacou mais seis vitórias, sendo três delas em 2017. As três vitórias no ano passado foram por nocaute, duas delas no primeiro round. Atualmente o lutador é campeão meio-médio do NP Fight e projeta se tornar dono de dois cinturões no Shooto Brasil.

Com o cinturão do NP Fight.

“Desde que retornei fui evoluindo aos poucos e me testando. Tenho muita dificuldade em encontrar adversários no circuito nacional, a maioria não quer lutar comigo. Minha meta é conquistar dois cinturões do Shooto, o 77 e o 74. É claro que um dia pretendo ser lutador do UFC, é o sonho de todo atleta de MMA.” – revela

Com um jeito simples e humilde, Edson “Pânico” se mostrou emocionado em conhecer o Rio de Janeiro, cidade que só conhecia por fotos e televisão.

“Estou muito feliz com a oportunidade de ter lutado o Shooto, fui visto por todo o Brasil e acho que isso era o que faltava para a minha carreira, agradeço muito a Luciana que me ajudou com as passagens e ao mestre Alex Chadud. Ainda realizei o sonho de conhecer o Rio de janeiro, pisar nas areias de Copacabana era algo que eu nunca tinha imaginado que aconteceria. Estou muito feliz e pronto para novos desafios.” – finaliza