Egito se despede da Copa com derrota para a Arábia Saudita

Egito e Arábia Saudita entraram em campo, nesta segunda (25), em Volgogrado, para fazer um jogo que tinha tudo para ser um dos mais melancólicos da Copa. Eliminadas antecipadamente, após perderem seus dois primeiros jogos, as seleções apenas cumpririam o fim da tabela do Grupo A do Mundial. Mas acabaram fazendo um jogo para lá de especial. Primeiro, pelo recorde do goleiro El Hadary, do Egito, o mais velho jogador a atuar em uma Copa do Mundo e que não se contentou com o folclore: aos 41 minutos da primeira etapa, defendeu pênalti cobrado por Fahad e transformou o duelo de pouco interesse em um verdadeiro acontecimento. Depois, pela grande virada saudita, que chegou à sua primeira vitória em Copas em 24 anos com o gol de Salem, aos 49 minutos da segunda etapa. Salah marcou o gol egípcio. Salman, anotou o outro tento saudita no jogo.

Apesar de não significar nada para a classificação do Grupo A, o duelo entre Egito e Arábia Saudita já começou histórico. Grande goleiro do futebol egípcio em todos os tempos, El Hadary entrou em campo e passou a ser o mais velho jogador a atuar em uma Copa, com 45 anos, cinco meses e 10 dias. O recorde anterior era de outro arqueiro, o colombiano Faryd Mondragón, que, então aos 43 anos, quebrara a marca no Brasil, em 2014.

Com a bola rolando, o que se viu foi a Arábia Saudita ficando com a bola, bem ao estilo de seu técnico, o argentino naturalizado espanhol, Juan Antonio Pizzi. Porém, apesar da primeira finalização ter sido árabe, com Salem mandando por cima, o Egito era mais perigoso. E chegou ao gol com sua grande estrela. Salah foi lançado aos 21 minutos e mostrou porque é um dos grandes atacantes do futebol mundial. Dominou com precisão, protegeu da chegada dos defensores e, no tempo certo, tocou por cobertura na saída do goleiro. Pela primeira vez, desde 1934, o Egito saía na frente em um jogo de Copa do Mundo. Dois minutos depois, o jogador Liverpool tentou repetir a dose. Em lance parecido, mas desta vez com a bola no chão, ele ficou de frente com Almosailem e lançou a cavadinha. A bola, porém, saiu à direita. Mas não foi só Salah quem desperdiçou oportunidades. Trezeguet até tentou, mas não conseguiu fazer jus ao apelido que o compara ao grande goleador francês, e mandou três ocasiões de gol pela linha de fundo. E aí veio o grande momento do jogo.

Aos 38 minutos, Yasser cruzou pela esquerda e a bola bateu no braço de Ahmed Fathi. Pênalti para a Arábia Saudita. O centroavante Fahad se apresentou para a cobrança e bateu firme, na tentativa de empatar a partida. Mas deparou-se com um verdadeiro herói. Mais de 150 convocações depois, El Hadary vivia seu momento ao disputar sua primeira partida de Copa do Mundo. Experiente (até demais), o recordista esperou até o último instante para explodir em direção ao canto direito e estender o braço esquerdo para o alto, empurrando o chute forte de Fahad para o travessão e escrevendo a história não só com o documento de identidade, mas com as grandes defesas que marcaram sua longa carreira.

Recordista, El Hadary fez grande defesa em pênalti cobrado por Fahad (Foto: Getty Images)

Só que o árbitro colombiano Vilmar Roldán não se comoveu. Já nos acréscimos, apontou pênalti duvidosíssimo de Gabr sobre Fahad. O brasileiro Wilton Pereira Sampaio, árbitro de vídeo na partida, chamou a atenção de colega e o convenceu, com dificuldade, a observar o replay do lance. As imagens mostraram o jogador saudita girando sobre o defensor, puxando-lhe a camisa, ao mesmo tempo em que o egípcio tocava suas costas para queda espetacular do árabe. Vendo o lance, um nervoso Roldán gritava no microfone pedindo novas tomadas de câmera e que a reprodução fosse paralisada em determinado ponto da repetição. Resultado: quatro minutos depois, o pênalti foi mantido. Salman cobrou de perna esquerda, sem chances, desta vez, para El Hadary. Empate saudita, aos 51 minutos do primeiro tempo e primeiro gol da seleção no Mundial da Rússia.

Sem nada a perder, os times fizeram um jogo totalmente aberto na segunda etapa, mas mantendo suas características. Enquanto a Arábia Saudita preservava sua posse de bola em mais de 60%, o Egito buscava contragolpes e lançamentos mais longos para a velocidade, sobretudo, de Salah. Em jogada pela direita, surgiu o cruzamento e Trezeguet, aos 11, cabeceou à direita, para lamentação profunda do meia-atacante africano. Com o passar do tempo e as alterações dos técnicos, os sauditas cresceram no jogo e passaram a ser mais perigosos. Aos 24, duas cabeçadas árabes pararam em boas defesas de El Hadary. Mais na reta final de partida, com os asiáticos mais cansados, o Egito voltou a ter oportunidades de contra-ataque, mas a melhor delas acabou perdida por Kahraba.

No minuto final, quando tudo parecia se encaminhar para o empate, a Arábia Saudita teve a posse de bola e parecia repetir a história do jogo: mantinha a pelota sob seu domínio, sem agredir o adversário. Até que, em um momento de iluminação, Alburayk lançou para dentro da área. Após a briga no alto, a bola se fez aos pés de Salem, que bateu cruzado, sem chances para o recordista El Hadary. A Arábia Saudita voltava a ganhar um jogo de Copa do Mundo após 24 anos.

Eliminadas neste Grupo A, as duas equipes retornam para casa. Os árabes, apesar das duas derrotas iniciais, levam, na boca, um sabor mais doce que os egípcios. Sem vencer, o time dirigido por Héctor Cúper, deixa a Rússia com a decepção de quem era apontado como candidato a passar de fase, mesmo na chave de Uruguai e dos anfitriões. Sem pontos conquistados, o Egito termina sua campanha na lanterna, enquanto a Arábia Saudita deixa o Mundial com as boas recordações de um jogo que tinha tudo para ser banal e acabou histórico.

Egito 1 x 2 Arábia Saudita

Local: Arena Volgogrado (Volgogrado – Rússia)

Árbitro: Vilmar Roldán (Fifa/COL)

Auxiliares: Alexander Guzmán (Fifa/COL) e Cristian de la Cruz (Fifa/COL)

Egito: El Hadary, Fathi, Gabr, Hegazy e Abdelshafy; Elneny e Hamed; Salah, Abdalla (Warda) e Trezeguet (Kahraba); Mohsen (Ramadan). Técnico: Héctor Cúper.

Arábia Saudita: Almosailem, Alburayk, Osama, Motaz e Yasser; Otayf, Salman e Hussain; Hatan (Asiri), Fahad (Yahia) e Salem. Técnico: Juan Antonio Pizzi

Gols: Salah (EGI – 21’/1T); Salman (ARA – pen. 51’/1T) e Salem (ARA – 49’/2T)

Cartões amarelos: Gabr e Fathi (EGI).

Cartões vermelhos: Não houve.

Público: 36.823 pessoas.