Éverton Ribeiro marca e Fla garante classificação às semifinais da Copa do Brasil

Éverton Ribeiro marcou o gol da classificação rubro-negra (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

O Flamengo está nas semifinais da Copa do Brasil. Depois do empate no primeiro jogo, em 1 a 1, há duas semanas, o Rubro-Negro da Gávea soube se aproveitar de uma atmosfera inflamável nos primeiros instantes de partida no Maracanã, na noite desta quarta (15). Éverton Ribeiro fez o Urubu pisar em campo com seu pé direito e marcou o gol da classificação, contra o Grêmio, aos cinco minutos de jogo.

A vitória por 1 a 0 coloca o Fla nas semifinais da competição mata-mata da temporada brasileira para enfrentar o Corinthians em duelos ainda sem data e mandos de campo definidos.

JOGO ANTES DO JOGO COLOCA FLAMENGO NA FRENTE NO COMEÇO

O clássico decisivo da noite desta quarta começou antes mesmo do apito inicial, como só acontece com duelos dessa magnitude. Nada a ver com o costumeiro foguetório às portas do hotel que hospede a delegação visitante na madrugada anterior à partida. Tudo a ver com a atmosfera de um Maracanã lotado. Impedidos de levarem sinalizadores e quaisquer artefatos produtores de fumaça, os quase 60 mil flamenguistas só tinham, a priori, a voz para apoiar os 11 eleitos para envergar o manto no gramado. Mas contaram com o apoio da diretoria para começar a fazerem a diferença já na recepção aos jogadores. Assim, quando pisaram a grama, os jogadores do Grêmio se viram envolvidos pelo fumacê rubro-negro e o canto ensurdecedor da torcida que agitava balões nas cores do time da casa: um flamejar de mil infernos que aqueceu o Maraca antes mesmo de a bola rolar.

Gelado como os ventos que vêm do sul, o Campeão da América não resistiu sequer cinco minutos intacto dentro do caldeirão. No primeiro cruzamento de Vitinho, Paquetá subiu e não encontrou a bola, mas realizou estardalhaço suficiente para atrapalhar Cortês. O corte mal feito sobrou quicando na entrada da área e achou o pé direito normalmente cego de Éverton Ribeiro, mas que, naquele instante, teve mira a laser para desferir o chute mortal, de primeira, no canto inalcançável de Marcelo Grohe: 1 a 0 e a confirmação matemática de uma vantagem que o Rubro-Negro já parecia ter desde a entrada em campo.

FRIEZA GREMISTA ESFRIA CALDEIRÃO, MAS MANTÉM PLACAR CONGELADO

O gol no início, porém, trouxe ao Flamengo não a fome de tentar matar o confronto de cara, mas a tranquilidade quase aliviada de possuir o jogo à feição em uma versão praticamente inversa da situação vivida 15 dias atrás, quando, na Arena do Grêmio, muito teve de correr atrás do empate que só veio no último lance, no último suspiro e na última esperança oriunda do banco de reservas, com o garoto Lincoln.

Por outro lado, o matreiro Tricolor de Renato Gaúcho foi encontrando cada vez mais a bola e seu estilo característico de jogo. Com a frieza de quem vem da consecução do objetivo mais desejado da temporada passada, foi diminuindo a temperatura do Maracanã e alugando o campo do rival. De repente, o Rubro-Negro se viu com o mando de campo, mas sem espaço, sem bola e também sem muito barulho da torcida. Mas, ainda assim, com o sorriso satisfeito de quem, apesar de tudo, mantinha o resultado a seu favor sem que, em nenhum momento ele fosse ameaçado. Nem mesmo no chute fraco de Everton Cebolinha aos 31’, facilmente defendido por Diego Alves. Até quando o próprio Everton assustou, mergulhando na pequena área para completar cruzamento e perder chance incrível, imediatamente se interpôs o alívio pela rápida constatação de impedimento na jogada gremista. E desta forma o primeiro tempo se desenrolou até seu final com o Grêmio tendo a bola como um cubo mágico: girando, mexendo e mudando de posição, porém sem conseguir deixar as seis faces iguais, isto é, sem atingir o objetivo da brincadeira.

Mas, já nos primeiros instantes de segundo tempo, os tricolores se mostraram dispostos a tornar mais farpado o liso arame da etapa inicial. Com um minuto, Léo Moura cruzou, Diego Alves esmurrou, mas na sobra de Jaílson dividida com a defesa, a bola se fez alta e Ramiro tentou bicicleta que passou por sobre o travessão. Em seguida, o time gaúcho chegou com a lucidez pela qual é reconhecido: bola de pé em pé, até que o mesmo Ramiro, na pequena área, com Diego Alves aos pés, quis mais um passe quando, talvez, o melhor fosse dar fim àquele toco y me voy com um petardo de pé direito.

SUBSTITUIÇÕES MUDAM JOGO, MAS NÃO MELHORAM TIMES

Vendo o Flamengo acuado em seu campo, Barbieri se voltou para o banco de reservas e chamou Marlos Moreno. A entrada do colombiano – no lugar de Vitinho – não chegou a mudar o panorama do jogo. No entanto, em sua primeira jogada, foi ele o responsável por trazer de volta a Nação para o jogo, ao sofrer uma falta na entrada da área. A cobrança de Diego bateu na barreira, aos 16, e a fervura voltou a arrefecer no Maracanã.

Do lado gremista, Renato Portaluppi tentou tornar seu time mais forte fisicamente no ataque e, quem sabe, mais mortal na última bola, com a entrada de Jael. Mas o resultado foi uma finalização sem perigo do “Cruel”, aos 27, e a diminuição do domínio territorial que o Tricolor possuía. Para recuperá-lo, veio Marinho, no lugar do experiente Léo Moura. Só que, com o acelerado passar dos minutos, como é comum em jogos bons, a peleja não recebeu um acréscimo de técnica e habilidade pela presença do meia-atacante recém-contratado pelo Grêmio. Pelo contrário: cresceu em nervosismo e, por conseguinte, em erros de parte a parte com o aproximar-se do juízo final que só conduziria uma das equipes ao paraíso das semifinais.

TENSÃO ACABA EM FESTA RUBRO-NEGRA

Foi nessa que o Flamengo quase chegou ao segundo gol, aos 32. Em bola roubada na intermediária, Paquetá achou Marlos Moreno pela esquerda. Marcelo Grohe apareceu primeiro para impedir o gol do colombiano; Ramiro apareceu depois para fechar as pernas e travar o chute – para uma baliza sem arqueiro – de Paquetá.

A tensão transparente em feições rubro-negras na arquibancada, somou-se ao esforço de um Cuéllar esgotado, mas eficaz na tarefa de anular Luan durante quase todo o segundo tempo. Único cabeça-de-área do time da casa, teve de ser substituído por Willian Arão.

As última alterações foram feitas pelos treinadores. Renato apostou na velocidade de Alisson. Barbieri se defendeu com a entrada de outro volante: Rômulo substituiu Diego. As faltas e paralisações consecutivas picotaram boa parte dos 10 minutos finais de jogo, deixando ao Grêmio só o abafa e aos gremistas não mais que a crença no mito da imortalidade tricolor. Pouco diante da força de um elenco vitorioso, porém de baixa efetividade nos 90 minutos da noite desta quarta. Nada perto da festa que explodiu dentro do peito dos mais de 50 mil flamenguistas nas arquibancadas e ganhou os ares por intermédio dos gritos de alegria de toda a Nação.

O Flamengo enfrenta, agora, o Corinthians em uma das semifinais da Copa do Brasil. Do outro lado da chave, o Cruzeiro aguarda o vencedor do confronto entre Palmeiras e Bahia.

Flamengo (1) 1 x 0 (1) Grêmio

Copa do Brasil, Quartas de Final – Jogo 2

Local: Maracanã

Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (FIFA/MG).

Auxiliares: Kleber Lúcio Gil (FIFA/SC) e Danilo Ricardo Simon Manis (FIFA/SP).

Árbitros Auxiliares de Vídeo: Raphael Claus (FIFA/SP), Emerson Augusto de Carvalho (FIFA/SP) e Wagner Reway (FIFA/MT).

Flamengo: Diego Alves, Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuéllar (Willian Arão); Éverton Ribeiro, Lucas Paquetá, Diego (Romulo) e Vitinho (Marlos Moreno); Henrique Dourado. Técnico: Maurício Barbieri.

Grêmio: Marcelo Grohe, Leonardo Moura (Marinho), Geromel, Kannemann e Cortês; Jaílson e Maicon (Alisson); Ramiro, Luan e Everton; André (Jael). Técnico: Renato Portaluppi.

Gols: Éverton Ribeiro (FLA – 5’/1T)

Cartões Amarelos: Diego Alves, Renê, Diego, Henrique Dourado (FLA); Maicon, Luan, Marinho, Douglas (GRE).

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 50.803 presentes; 54.461 pagantes.