Finalistas duelaram uma única vez em Copas, há 20 anos. Relembre!

Lilian Thuram marcou os gols da virada francesa no único duelo entre os finalistas de 2018 em Copas (Foto: Pedro Ugarte/AFP)

Um confronto histórico se avizinha. França e Croácia fazem, no próximo domingo (15), às 12 horas, a grande final da 21ª edição da Copa do Mundo. Restando menos de 72 horas para a bola rolar no Estádio Luzhniki, em Moscou, o momento é de buscar quem seria o grande favorito a erguer a taça. De um lado, liderados por Mbappé, mas com um time repleto de grandes jogadores como Griezmann, Pogba e Kanté, os franceses vivem a expectativa de conquistarem um Mundial pela segunda vez. Do outro, os croatas, comandados em campo por Modric e Rakitic, já possuem seu lugar garantido na história: pela primeira vez, o selecionado dos Bálcãs vai disputar uma final do máximo campeonato de futebol do mundo. As credenciais dos Bleus, nesta Copa, são os campeões deixados pelo caminho – Argentina e Uruguai – além da vitória, nas semis, que eliminou a talentosa seleção da Bélgica. Mas como duvidar de uma Croácia que superou três prorrogações e duas disputas de pênaltis para chegar à finalíssima, mandando de volta para casa dinamarqueses, russos e ingleses? Sendo assim, o jeito é buscar uma pista nos números, apesar do curto histórico entre as duas equipes.

Foram apenas cinco partidas disputadas entre elas. Melhor para a França, que nunca saiu de campo derrotada pelos adversários da grande decisão de domingo. Até aqui: três vitórias dos Galos e dois empates. Mas um desses jogos, em especial, está gravado até hoje na memória de franceses e croatas. Trata-se da semifinal da Copa do Mundo de 1998, disputada, justamente, em solo francês.

Sete de julho de 1998, Saint-Denis. O Stade de France lotado, com 76 mil espectadores, empurrava a França rumo à primeira final de Copa em sua história. Mas a excelente seleção da casa, que contava com o talento de Zidane e a experiência de Blanc, Deschamps (hoje técnico do time) e Djorkaeff teria pela frente a sensação do torneio. Estreante em mundiais, a Croácia era um país independente havia apenas sete anos, mas apresentava um futebol empolgante, liderado pela técnica de Boban na meiúca e o faro de gol do artilheiro da competição, o atacante Davor Suker. No entanto, com a bola rolando no primeiro tempo, os croatas não foram páreo para um faminto Zidane. Depois de ter ficado de fora contra Dinamarca, na fase de grupos, e da dramática vitória no gol de ouro sobre o Paraguai, nas oitavas de final, Zizou entrou em campo endiabrado e dominou as ações na primeira etapa. O camisa 10, que havia sido expulso contra a Arábia Saudita, no segundo jogo dos franceses na Copa, deu trabalho ao goleiro Ladic com um chute cruzado e, minutos mais tarde, com um tirambaço de longe. O contestado centroavante Guivarch – titular com Trezeguet no banco – foi outro a criar situações. Foi ele, aliás quem serviu Zidane com um passe de calcanhar para a primeira conclusão do meia. Depois, em cobrança de falta, quase abriu o placar, mas o arqueiro croata buscou no canto direito.

O 0 a 0 da primeira etapa, porém, não durou quase nada após as equipes retornarem do intervalo. Logo a um minuto, a Croácia mostrou porque havia chegado até ali em sua primeira participação no torneio. Asanovic roubou de Deschamps e lançou Suker às costas da zaga gaulesa, que saía para o ataque. O goleador fez o que fazia de melhor: dominou e tocou de perna esquerda, na saída de Barthez. Era o quinto gol dele naquela Copa. Até hoje, Suker, hoje presidente da Federação Croata, é o maior goleador da seleção, com 51 gols. Mas, se os Quadriculados se aproveitaram da distração dos anfitriões logo após o apito inicial do segundo tempo, logo em seguida foram os franceses que se privilegiaram da comemoração croata. Mal a bola havia saído, Thuram desarmou Boban e Djorkaeff devolveu para o lateral, que bateu tirando de Ladic: 1 a 1.

Aos 25 minutos,  a virada francesa. Thuram tabelou pela direita, dividiu com Jarni e bateu forte de perna esquerda, da entrada da área. Ladic se esticou, mas a bola morreu no cantinho da meta dos estreantes: 2 a 1. Na comemoração, o dedinho do lateral em frente à boca era um gesto menos de silêncio do que de reflexão. Afinal, o que um lateral mais acostumado a defender que atacar fazia ali, em pleno Stade de France, como herói da passagem dos Azuis à sua primeira final de Mundial? Thuram se aposentou da seleção em 2008 como o jogador que mais atuou com a camisa da França: 142 jogos. Os gols marcados naquela semifinal são os únicos dele pela equipe nacional.

No fim, o zagueiro Laureant Blanc ainda seria expulso por agredir um croata em uma disputa na área rival. A Croácia tentou uma pressão, mas acabou sofrendo mais com os contragolpes adversários do que ofereceu perigo a Barthez. Classificada à decisão, a França derrotaria o Brasil por 3 a 0 e ficaria com o título. Relegados à disputa do terceiro lugar, os Quadriculados não fizeram feio: venceram a Holanda por 2 a 1 e Suker ainda marcou mais um gol, ficando com a artilharia daquela Copa, com seis tentos anotados. E domingo? Será que a França repete o feito de 1998 ou a Croácia coloca um capítulo a mais na história que já escreveu na Copa da Rússia?

França 2 x 1 Croácia

Local: Stade de France (Saint-Denis – França)

Árbitro: José Maria García (Fifa/ESP)

França: Barthez, Thuram, Desailly, Blanc e Lizarazu; Deschamps, Karembeu (Henry), Petit e Zidane; Djorkaeff (Leboeuf) e Guivarch (Trezeguet). Técnico: Aimée Jacquet.

Croácia: Ladic, Bilic, Stimac e Simic; Stanic (Prosinecki), Soldo, Asanovic, Boban (Maric) e Jarni; Vlaovic e Suker. Técnico: Miroslav Blazevic.

Gols: Suker (CRO – 1’/2T); Thuram (FRA – 2’/2T e 25’/2T).

Cartões amarelos: Asanovic, Stanic e Simic (CRO).

Cartões vermelhos: Blanc (FRA).

Público: 76.000 pessoas.

Demais confrontos entre as duas seleções:

França 3 x 0 Croácia (Amistoso – França, 1999)

Croácia 0 x 2 França (Amistoso – Croácia, 2000)

Croácia 2 x 2 França (Eurocopa – Portugal, 2004)

França 0 x 0 Croácia (Amistoso – França, 2011)