França e Croácia fazem duelo de gerações: Saiba tudo sobre a decisão

Quem levantará a taça de campeão do mundo em 2018? | Divulgação

Muito se falou sobre a talentosa “Geração Belga” que eliminou o Brasil nas quartas de final. Mas o fato é que, neste domingo (15), no Estádio Luzhniki, em Moscou, duas outras gerações – a francesa e a croata – se enfrentam, disputando o título de campeã mundial. E a Live Esporte, é claro, deixa você por dentro de tudo o que se precisa saber sobre a decisão.

A França, com a segunda menor média de idade do torneio, 25,6 anos, tem ainda o segundo atleta mais novo da competição, o atacante Kylian Mbappé, de 19 anos. Um dos destaques do time dirigido pelo capitão do título em 1998, Didier Deschamps, o garoto do Paris Saint-Germain está bem acompanhado por jogadores acostumados a atuar juntos desde a base, como Umtiti e Pogba. No mesmo núcleo, entre os 22 e 25 anos, estão ainda Varane, Pavard e Hernandez. Sem falar em Griezmann, apenas um pouco mais velho, com 27 anos.

A realidade dos adversários na luta pela taça é similar, mas com uma diferença fundamental: a Croácia tem um time mais velho – ou mais experiente – que o dos franceses. O elenco tem 27,4 anos de média e possui uma espinha dorsal que já passou dos 30 na idade e dos 10 atuando junta com a camisa quadriculada, seja na equipe sub-21 ou no time principal do país. Casos de Luka Modric, Ivan Rakitic e Mario Mandzukic, alguns dos principais nomes da equipe dirigida pelo técnico Zlatko Dalic, que assumiu o comando croata há apenas nove meses.

Quando entrarem em campo, sob a atenção de mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo, os Bleus e os Vatreni carregarão, além da responsabilidade de decidir a maior competição esportiva do planeta, o peso de tentar superar ou, no mínimo, igualar uma história escrita há 20 anos.

Na ocasião, as gerações mais vitoriosas da história dos dois países se enfrentaram na semifinal da Copa de 1998, na França. Melhor para os donos da casa que, com dois gols de Thuram, viraram o jogo para cima dos croatas liderados pelo artilheiro Suker e conquistaram a vaga para a final, onde derrotaram o Brasil. Apesar do discurso do próprio Suker, hoje presidente da Federação Croata de Futebol, na tentativa de evitar as comparações entre os confrontos, a eliminação de duas décadas atrás segue viva na memória dos jogadores:

– A França nos parou nas semifinais em 1998. Nós vamos ter uma motivação extra por causa disso, com certeza. Mas isso é uma história totalmente diferente. Eles são favoritos, mas nós vamos fazer o nosso melhor para surpreendê-los. Estamos muito contentes de seguir aqui em Moscou, que era nosso objetivo. E agora nosso sonho está muito próximo – declarou o meia Perisic, eleito melhor jogador da vitória croata sobre a Inglaterra, na semifinal, ao site da Fifa.

Mas o sonho também é dos jovens franceses. Autor de um dos gols mais bonitos da Copa, contra a Argentina, nas oitavas de final, Benjamin Pavard ainda parece difícil acreditar no que essa geração francesa e ele próprio já alcançaram na Rússia:

– Eu acho que a ficha não caiu ainda. Acho que não vou acreditar que estive atuando em uma Copa do Mundo até isso tudo acabar. Seis meses atrás, eu sequer imaginava ser convocado para a seleção, e agora estou aqui às vésperas de disputar uma final de Copa do Mundo. Vou aproveitar ao máximo porque não acho que vá ter a chance de viver isso de novo – vibra o lateral de 22 anos.

Para a jovem geração francesa, aproveitar é jogar o jogo franco e direto, explorando o pivô de Giroud e a velocidade de Griezmann e Mbappé. Já para os experientes croatas, a revanche de 1998 passa por administrar a bola, controlar o meio-campo no jogo de passes de Modric e Rakitic e servir o artilheiro Mandzukic. Correr com e atrás da bola versus fazer a bola correr: além de um duelo de gerações, França e Croácia fazem também um embate de estilos na decisão.

França e Croácia reeditam semifinal de 98 na decisão da Copa do Mundo. Fique sabendo tudo sobre o confronto | Getty Images

As Campanhas:

O destino que colocou França e Croácia frente à frente em uma Copa do Mundo, após 20 anos, conduziu as duas seleções por caminhos distintos, mas com algumas semelhanças, até chegarem ao Luzhniki, no domingo.

Depois das vitórias, jogando para o gasto, contra Austrália e Peru, a França apenas manteve um empate sem gols com a Dinamarca, resultado que levava ambas as seleções, sem sustos, para as oitavas de final, mas lançava os escandinavos, exatamente, a um duelo contra a Croácia.

Os Vatreni chegaram para enfrentaram os dinamarqueses após vencerem todos os jogos de seu grupo, com direito a acabar com as ilusões da Islândia, na última rodada, jogando praticamente com reservas. Mas o que chamou a atenção na primeira fase croata foi a vitória acachapante sobre a Argentina, por 3 a 0. No fim, os Hermanos caíram no caminho francês.

Azar de Messi e companhia que o mata-mata tenha trazido o bom futebol dos gauleses. Com grande atuação de Mbappé – que igualou Pelé ao marcar dois gols em jogo eliminatório de Copa com menos de 20 anos – e alguns sustos, a França passou às quartas de final, com vitória por 4 a 3 em um dos jogos mais eletrizantes do Mundial. Na outra chave, depois de um início surpreendente, com um gol para cada lado, Croácia e Dinamarca se arrastavam para os pênaltis até que Rebic foi derrubado na área aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação. Schmeichel defendeu o pênalti de Modric, levando a decisão às penalidades. Mas, na disputa final, o camisa 10 croata converteu, Subasic defendeu três cobranças e a Croácia saiu classificada. Era só o começo da tortura.

Pois nas quartas de final, contra os anfitriões, novamente os Quadriculados precisaram da prorrogação, após 1 a 1 no tempo normal. Chegaram a desempatar o jogo, mas o brasileiro naturalizado russo, Mario Fernandes, empatou. Nos pênaltis, Subasic voltou a brilhar, Fernandes bateu para fora e o time dos Bálcãs seguiu em frente. Enquanto isso, praticamente sem sofrer, a França contou com a grande defesa de Lloris no primeiro tempo e o frangaço de Muslera no segundo para derrotar o Uruguai por 2 a 0.

Nas semifinais, o duelo entre a jovem geração francesa e a talentosa geração belga prometia mais do que entregou. Mas o toque de cabeça de Umtiti, aproveitando cobrança de escanteio de Griezmann colocou os Azuis em sua terceira final de Copa do Mundo. Já os croatas, mais uma vez, precisaram das pernas, do psicológico e da superação para buscar um empate contra os embalados ingleses no segundo tempo. Na terceira prorrogação seguida, Mandzukic apareceu para fazer o gol da classificação inédita a uma decisão de Mundial.

Assim, a França alcança a finalíssima com cinco vitórias e um empate. Ao todo, foram 10 gols marcados e apenas quatro sofridos ao longo da campanha. Já a Croácia entraria na partida decisiva em desvantagem caso a Copa fosse disputada em pontos corridos. Com quatro vitórias (uma delas na prorrogação, mas a Fifa considera o resultado ao fim dos 120 minutos) e dois empates, os Quadriculados teriam 14 pontos – contra 16 dos franceses. Até aqui, foram 12 gols anotados pelos croatas e cinco tomados.

Curiosidades da Final:

Com três prorrogações seguidas, a Croácia já detém – junto com a Inglaterra de 1990 e a Argentina de 2014 – o recorde de equipe mais jogou tempos extras em uma Copa do Mundo. No entanto, só os Quadriculados saíram com o resultado positivo na terceira. Enquanto os ingleses caíram em frente a Goycochea na disputa de pênaltis contra a Argentina, em 90, os mesmos argentinos acabaram perdendo a decisão no Brasil, quatro anos atrás, para a Alemanha: gol de Mario Götze. Já os Vatreni conseguiram a classificação com o gol de Mandzukic sobre a Inglaterra, na última quarta-feira (11). Caso o jogo termine empatado nos 90 minutos, porém, a Croácia será a única seleção a disputar quatro prorrogações seguidas em uma Copa do Mundo.

Do lado francês, um homem pode se inscrever para o rol das lendas do futebol mundial. Até hoje, só Zagallo e Franz Beckenbauer conseguiram a façanha de conquistar o Mundial como jogador e treinador. O Velho Lobo foi bicampeão em campo, em 1958 e 1962, e comandou a conquista brasileira no México, em 1970. Já o Kaiser, além do título de 1974, em casa, foi o técnico do tricampeonato alemão na Itália em 1990. Neste domingo, Didier Deschamps pode igualar o feito de ambos, no Luzhniki. Era ele o capitão da conquista francesa, sobre o Brasil, em casa há 20 anos. Agora, o ex-meio-campista tem a chance de conduzir, do banco de reservas, os garotos da França ao segundo título de Copa do Mundo do país.

Além disso, três jogadores chegam à decisão podendo entrar para o seleto grupo de 10 atletas que venceram Copa do Mundo e Champions League no mesmo ano. O francês Varane e os croatas Modric e Kovacic ajudaram o Real Madrid (ESP) a alcançar sua 13ª conquista do maior torneio do futebol europeu. Caso conquistem o Mundial, se unem ao brasileiro Roberto Carlos (2002), ao francês Christian Karembeu (1998) e aos alemães Khedira (2014), Beckenbauer, Hoeness, Gerd Muller, Breitner, Sepp Mayer, Kapellmann e Schwarzenbeck (1974).

Histórico do Confronto:

Ao todo, França e Croácia se enfrentaram cinco vezes na história. Além do famoso duelo das semifinais da Copa de 1998, citado acima, há ainda um confronto pela Eurocopa de 2004 e outros três amistosos:

França 2 x 1 Croácia (Semifinal da Copa do Mundo – França, 1998)

França 3 x 0 Croácia (Amistoso – França, 1999)

Croácia 0 x 2 França (Amistoso – Croácia, 2000)

Croácia 2 x 2 França (Fase de Grupos da Eurocopa – Portugal, 2004)

França 0 x 0 Croácia (Amistoso – França, 2011)

França e Croácia se enfrentam neste domingo (15), ao meio-dia no Estádio Luzhniki, em Moscou, para saber quem fica com o título da Copa do Mundo da Rússia.

 

França x Croácia

Domingo, 15 de julho de 2018 – 12 horas

Local: Estádio Luzhniki (Moscou – Rússia)

Árbitro: Néstor Pitana (Fifa/ARG)

Auxiliares: Hernán Maidana (Fifa/ARG) e Juan Pablo Belatti (Fifa/ARG).

Escalações Prováveis:

França: Lloris, Pavard, Varane, Umtiti e Hernández; Kanté, Pogba e Matuidi; Mbappé, Giroud e Griezmann. Técnico: Didier Deschamps.

Croácia: Subasic, Vrsaljko, Lovren, Vida e Strinic; Rakitic e Brozovic; Rebic, Modric e Perisic; Mandzukic. Técnico: Zlatko Dalic.