Future FC estréia com sucesso e, para entender esse sucesso, batemos um papo com Lucas Lutkus

Foto: Future FC

O último dia 25 de janeiro foi um verdadeiro marco no MMA nacional, tanto pela estrutura que o Future fighting Championchips apresentou, como pela repercussão entre o público e os atletas. Seu card foi com um número justo, 10 lutas, contando com confrontos emocionantes do início ao fim.

A primeira luta da organização contou com uma história digna de filme, quando o aluno de Clebinho Souza, Thiago TKS, aceitou lutar contra Pedro “Esfirrão” faltando apenas 14 horas para a pesagem. O adversário de Pedro, o nocauteador Mauricio Ruffy, sofreu uma lesão e precisou ser substituído as pressas. No momento que aceitou o desafio, Thiago TKS estava fazendo o café na academia quando o seu mestre, Clebinho Souza, recebeu uma ligação de Lucas Lutkus, que precisava de um atleta urgente para lutar de super-leve, até 74,8kg, e foi neste momento que Thiago TKS passou a fazer parte do Future, faltando dois dias para subir no cage.

Thiago TKS emocionado com a vitória. (Foto: Future FC)

Mostrando muito controle e tranquilidade, o atleta da K2MMA, dominou os três rounds, vencendo com sobras, por decisão unânime, o primeiro combate da organização.

A segunda luta da noite, entre Heloisa e Alana, foi a responsável por protagonizar a primeira finalização da história do future FC. A carioca Heloisa, que somava três vitórias e uma derrota, aplicou um arm lock em Alana Lana, ainda no 1º round, consolidando sua quarta vitória como lutadora profissional.

A organização já conta com um nocaute em tempo recorde, trata-se do mato-grossense Léo Alves, que, com uma sequência arrasadora, faturou um nocaute com 19 segundos em cima de Willian Alves, no terceiro combate do undercard.

Léo Alves nocauteou em 19 segundos. (Foto: Future FC)

CARD PRINCIPAL

A abertura do card principal do evento contou com dois trocadores, Vinicius “Lokdog” e Adriano Ramos, que se estranharam na pesagem. Após algumas brincadeiras na pesagem feitas por “Lokdog”, Adriano Ramos se sentiu desrespeitado e subiu com sangue nos olhos no decágono do FFC. O golpe de esquerda, na ponta do queixo, aplicado por Adriano Ramos rendeu a ele não só a vitória por nocaute como também o bônus de nocaute da noite, sem contar o sentimento de ter respondido a provocação na melhor moeda.

A luta da noite ficou por conta dos pesos meio-pesados, Matheus Buffa e Acácio Pequeno, que protagonizaram uma luta de muita entrega. O combate foi bem equilibrado, mas, com Buffa começando melhor e quase nocauteando no primeiro round. No fim, após três rounds, os juízes laterais assinalaram a vitória para “Pequeno” por decisão dividida.

Melhor luta da noite. (Foto: Future FC)

Em uma noite recheada de nocautes, o striker de Goias, Edson Pânico, não tomou conhecimento de Alan Franci, nocauteando o atleta da CM System no primeiro round com uma bela joelhada. O lutador, que era o único de cartel limpo no card, manteve a invencibilidade e chegou a nove triunfos sem revés na carreira.

Um duelo de strikers, e também de gerações, que foi muito aguardado pelos fãs, terminou sem resultado e deixou um gostinho de quero mais entre as duas equipes e o público. A luta entre Caionã “Blade” e Paulo Pizzo foi interrompida por um dedo no olho, não intencional, aos 2 minutos e 34 segundos do primeiro round, acabou gerando a primeira luta sem resultado da história do FFC. A organização se prontificou a remarcar essa luta na 4ª edição do evento, que deverá acontecer em abril.

Paulo Pizzo não conseguiu continuar na luta. (Foto: Future FC)

No co-main event, Gustavo Erak impôs seu jogo para cima de Dieguinho, chegando a vitória de número 20, vencendo por TKO no 1º round. Com uma torcida enorme a seu favor, Gustavo Erak viu um início mais difícil, com Dieguinho acertando boas combinações, porém, a leitura de Erak foi rápida e, para delírio da torcida, o lutador de Indaiatuba, conseguiu uma blitz gigante para cima de Dieguinho, que culminou com o fim do combate. Festa no clube nove de julho.

No main event, o jovem e surpreendente, Rafael “Coxinha”, não tomou conhecimento de Carlos Alexandre “Mistoca”. Com um estilo muito semelhante ao de Lyoto Machida, o karateka Rafael “Coxinha” nocauteou com uma bela cotovelada, logo no início do 2º round. Uma noite memorável para os fãs de artes marciais mistas.

Rafael Coxinha após nocautear Mistoca.(Foto: Future FC)

O Future Fighting Championships começou com o pé direito, principalmente pelo tratamento aos atletas. a estrutura oferecida aos lutadores foi coisa de primeiro mundo. Além de hotel de qualidade para acomodar atletas e treinadores, existia toda uma produção disposta a sanar qualquer dúvida ou problema que surgisse em relação ao bem estar dos atletas do card.

A estrutura montada no clube nove de julho foi digna de um verdadeiro show de lutas, como havia idealizado o CEO da organização, Jorge Oliveira. Desde a iluminação até a transmissão via streaming, pelo app do Future FC, tudo com muita qualidade e empenho. Nomes como Felipe Pamplona, Vica Bueno, Leonardo Fabri, além do presidente Lucas Lutkus, se reuniram a uma equipe, de bom número, que fez acontecer a primeira edição sem que houvesse nenhum detalhe negativo a se destacar.

Da esquerda para direita: Lutkus, Alexandre Corrêa e Jorge Oliveira.

A próxima edição do Future FC já tem data marcada e card, que é escolhido pelo público através da votação no app, já definido para o dia 22 de fevereiro. O clube nove de julho abrigará também a segunda edição do evento.

Para entender melhor a proposta da organização, batemos um papo com o presidente do Future Fighting Championships, Lucas Lutkus, que nos contou um pouco sobre como surgiu a ideia do evento e também suas primeiras impressões desta primeira edição.

Como foi idealizar um evento dessa magnitude?

Lucas Lutkus: “O Jorge Oliveira foi o grande idealizador de tudo. Tudo começou quando eu precisei fazer uma escala em Los Angeles um pouco mais longa, liguei para o Jorge e perguntei se eu e minha atleta Talita Bernardo poderíamos ficar lá, e o Jorge acenou positivamente. Quando cheguei a casa do Jorge ele já tinha toda a ideia em mente, de como seria o aplicativo, das votações para definir confronto, da transmissão de qualidade no app. Com o aval dele pude trazer uma equipe de qualidade para, juntos, fazermos acontecer a primeira edição. Foi fundamental ter nomes como Felipe Pamplona, Leonardo Fabri e Vica Bueno em nosso time. Outro cara que foi fundamental para que tudo funcionasse no app, e em tempo recorde, foi Mark Karpelès. Sem o Mark, o aplicativo não teria se desenvolvido com o tempo e qualidade que se desenvolveu.”

Da idealização a execução, foi tudo como vocês planejaram?

Lucas Lutkus: “Foi até melhor do que planejamos. A equipe merece todos os louros, trabalharam muito bem. As expectativas foram superadas na primeira edição. Foi indescritível ver tudo que nós colocamos no papel sendo executado ali com maestria. Nós esperávamos atingir esse nível de produção após a quinta edição, só posso agradecer a toda equipe.”

O que você espera para as próximas edições? Buscará alguma mudança ou ficou satisfeito com tudo que viu?

Lucas Lutkus: “Alguns detalhes a gente sempre busca corrigir, não podemos ficar acomodados. Sei que existem alguns detalhes mínimos a serem corrigidos, queremos beirar a perfeição. Eu classificaria nosso primeiro evento como nota nove ou nove e meio. A segunda edição será ainda melhor.”

Quais lutadores você gostaria de ver no Future FC?

Lucas Lutkus: “Estou conseguindo casar excelentes lutas, com grandes nomes. Nesta segunda edição consegui casar a luta do Anderson Buzika contra o Ismael Marreta, os dois que já tem credenciais para estarem no UFC, era um combate que eu já havia idealizado e agora sairá do papel. Nós teríamos Felipe Cabocão na terceira edição, porém ele assinou com o UFC. Tem muito atleta bom pelo Brasil que terão sua chance no Future. Já estamos em conversas com Charles Blackout, campeão peso-mosca do Wocs, Gustavo Gabriel, que lutou recentemente o Contender Series. Já temos muitos nomes de peso para as próximas edições.”

Qual a meta do Future FC no cenário nacional?

Lucas Lutkus: “Nossa meta não é competir com ninguém, pelo contrário, queremos ser porta para todos. Por exemplo, no nosso próximo evento teremos a campeão do SFT, Vanessa Melo, um dos maiores eventos do país, contra a campeã peso galo do NEC, Nilde Furacão, e promoveremos também as organizações de onde esses atletas detêm o cinturão. Não queremos a ideia de competição entre eventos, queremos o crescimento de todos. Nossa luta é que se melhore o tratamento aos atletas, o pagamento de bolsas justo. Nós queremos melhorar a qualidade de vida dos atletas e dar visibilidade e oportunidade. Eu quero que o Future seja uma plataforma que ajude o atleta a viver do esporte.”