Gameth: o Benjamin Button do MMA nacional

Um final de ano espetacular viveu o veterano do MMA nacional Edvaldo Gameth, caindo de paraquedas no Main Event do Thunder Shockwave e conquistando o cinturão dos meio-pesados da organização após uma batalha duríssima que durou 3 rounds de muita intensidade.

Aos 41 anos, o professor de capoeira e incansável lutador paulista não esperava fechar o último ano com o cinturão de uma das maiores organizações de MMA da américa latina, pegando a luta com menos de 1 semana antes do evento. O triunfo se deve a sua rotina de treinamentos, como professor e atleta, Edvaldo Gameth pode ser comparado ao protagonista do filme estrelado por Brad Pitt, “O curioso caso de Benjamin Button”, onde o personagem vivido pelo ator americano fazia o processo inverso, e ao invés de envelhecer, ele se tornava mais jovem com passar do tempo.

Brincadeiras a parte, o líder da Gameth Team venceu 2 dos seus 3 combates em 2017, uma dessas vitórias foi contra o ex-UFC Leleco Guimarães no evento FWC por decisão unânime. A única derrota no ano passado foi por decisão unânime para Ednaldo “Lula” Oliveira, outro atleta ex-UFC. Com suas 3 lutas em 2017 sendo decididas pelos árbitros laterais, Gameth prova que a parte física também está em dia.

                                                    Gameth no espaço cultural Muzenza, na cidade de São Paulo.

Com 57 lutas em sua carreira profissional de MMA, o atual campeão meio-pesado do Thunder Fight acumula 35 vitórias, sendo 20 delas por nocaute. Com uma infância humilde na periferia de Guarulhos, o lutador paulista lembra que desde criança tentava repetir o que via nos filmes de Rocky Balboa.

– Eu adorava assistir esses filmes na infância, lembro que sempre me empolgava, calçava meu tênis e ia correr na rua, fazia flexões e chutava o caule das bananeiras. Eu cresci em uma zona rural, não existiam academias, além de ter mais 5 irmãos, o que dificultava pelo gasto financeiro que meu pai teria para colocar todos para treinar. Meu pai aprendeu capoeira quando morava no nordeste e através dele tive meu primeiro contato com a arte que mudou minha vida. Ele nos ensinava alguns movimentos, alguns exercícios. De todos os filhos, eu fui o único que mantive o interesse em treinar. – revela

Porém a primeira vez em uma academia de capoeira só veio acontecer já aos 18 anos de idade, no próprio bairro onde morava. Na época, Edvaldo Gameth já trabalhava e pôde pagar a mensalidade do seu próprio bolso.

O início na Capoeira despertou o interesse em alguns eventos que começavam a pipocar mundo a fora. Apaixonado por lutas, Gameth acompanhava as competições pelo video-cassete, e se via encantado com a variedade que apresentavam eventos como o UFC e o IVC.

– Aos 18 anos me matriculei aqui mesmo no bairro, lembro que mesmo já trabalhando tudo foi com muita dificuldade. Na época as artes que estavam em evidencia eram a Capoeira, Karatê, Ful-Contact, entre outras. Eu assistia as fitas de VHS do UFC e ficava alucinado com as vitórias de Royce Gracie, também assistias as fitas do IVC aqui de São Paulo, o que me despertou o interesse de aprender outras modalidades. Porém permaneci um bom tempo treinando apenas capoeira. Me mudei para minas e lá em Belo Horizonte passei a treinar Jiu Jitsu, Muay Thai e boxe. A mudança também marcou meu início na academia do mestre Cavalo. – conta

Dono de 5 cinturões, um destes conquistado em uma batalha épica em 2011. Gameth lutou com a mão direita fraturada após um acidente de moto poucos dias antes do evento e mesmo com o seu mestre querendo cancelar a luta, o lutador paulista como um bom casca grossa, manteve o combate e conquistou o cinturão finalizando no 2° round. Outro título importante aconteceu em 2014, quando Gameth era o 1° colocado do ranking nacional dos meio-médios e aceitou o desafio de enfrentar o líder do ranking nacional dos médios da época, Tiago Varejão, no evento Coliseu Extreme Fight 10. O cinturão do evento alagoano veio por finalização no 1° round.

O ano de 2014 foi especial para Edvaldo Gameth e o reconhecimento veio através do Prêmio Osvaldo Paquetá(POP), considerado o Óscar do MMA nacional, quando ele foi escolhido o melhor lutador daquele ano.

Gameth ao receber o Prêmio de melhor lutador em 2014.

– Em 2014 o Gameth coroou a carreira dele com o POP, ganhou tudo que disputou mesmo desacreditado, aliás, é uma característica muito peculiar do Gameth, vencer lutas quando a balança pende para seu oponente. Fico feliz de tê-lo tido como campeão do Prêmio em um ano que o vencedor levou uma motocicleta para casa, algo que o ajudou muito pois roubaram a moto dele pertinho do Prêmio. – conta Cristiano Martins, presidente do Prêmio.

Acostumado a encarar desafios desmedidos, o lutador se considera pronto para qualquer batalha e não foi diferente no Thunder Fight Shockwave, que aconteceu em dezembro do último ano. O desafio do ano seria o Main Event do Thunder Fight “Shockwave”. contra Wagnão Luiz, valendo o cinturão dos meio-pesados da organização. O título para Edvaldo Gameth veio por decisão unânime, após 3 rounds de muita entrega entre os 2 lutadores.

– Eu acordei na quarta-feira, 3 dias antes do evento, e tinha uma mensagem do match maker do evento, pedindo para eu entrar em contato. A mensagem era do Magno Wilson, que é meu amigo pessoal, acompanha a muito tempo minha carreira, sabe que me mantenho sempre em forma e treinando em alto nível. Confesso que não tinha mais planos para lutar em 2017, estava focado apenas em dar aulas, inclusive tinha um exame de graduação para fazer no sábado de manhã, mesmo dia do evento. A princípio não seria disputa de cinturão, mas depois a organização decidiu manter a disputa de cinturão. Como peso geralmente 95kg, meu corte de peso foi pouco. Então fiz um intensivão de 3 dias para essa luta e graças a minha experiência conquistei mais este cinturão. – revela

Com o cinturão dos meio-pesados do Thunder Fight.

Sempre muito requisitado no cenário nacional, Edvaldo Gameth não vê prazo para a carreira, já que nacionalmente sempre está figurando entre Main Event e Co-Main Event dos principais cards. Agora é aguardar o retorno da lenda ao cage do Thunder para defender o título em 2018.