Gonçalo Luiz: Personagens da Copa – A alegria histórica de Baloy

Bastou a Inglaterra começar a marcar gols em profusão sobre a frágil defesa do Panamá que as redes sociais foram recebendo, pouco a pouco, mais e mais comentários que questionavam a presença dos debutantes em uma Copa do Mundo. Alguns, chegavam a reclamar a presença dos Estados Unidos, que ficaram atrás dos panamenhos nas Eliminatórias da Concacaf, como se uma fatal surra de uns dois, três a zero dos ingleses sobre os americanos fosse mais digna dos gramados russos e dos olhares mundiais que a graça de ver estreantes escreverem suas primeiras páginas em Copas. A enxurrada de insensibilidade só parou com o gol de Felipe Baloy.

Zagueirão de 37 anos, Baloy é velho conhecido de quem acompanha o futebol brasileiro. Atuou no Grêmio e no Atlético Paranaense entre 2003 e 2006. Em seu período no Brasil, ficou muito mais marcado por algumas falhas e bordoadas distribuídas sobre pernas adversárias do que pelos três gols marcados em solo tupiniquim. Mas, neste domingo (24), em Nizhny Novgorod, teve a chance de reescrever sua história e de realizar o sonho que vem fomentando ao longo de mais de 100 convocações para defender os Canaleros. Graças ao que construiu com sua seleção, conseguindo, após quatro tentativas, levar o Panamá, finalmente, a uma Copa do Mundo.

O placar já mostrava 6 a 0 para os ingleses, quando o capitão entrou em campo. Após a falta cobrada pela esquerda, esticou-se num carrinho de quem sabia ver à sua frente, talvez, a única oportunidade de completar a transformação do Panamá na história do futebol. Como quem tira a borboleta do casulo, Baloy conseguiu um bate-pronto improvável para dar asas coloridas aos saltos eufóricos de seus compatriotas nas arquibancadas russas e trazer aos panamenhos a alegria, o alívio, o orgulho, o prazer do jovem imberbe que acaba de perder a virgindade.

Não é todo dia que se vê uma torcida comemorar enquanto sofre uma goleada de 6 a 1. Tampouco é comum ver um homem experiente, em posição de comando, chorar diante dos seus pupilos. Aconteceu com o Panamá. Aconteceu com Baloy. Jamais aconteceria caso estivessem ali os ianques. Bem como ainda não aconteceu deles pegarem gosto pelo futebol da bola redonda como há quem jure que ainda vai ocorrer.

O Panamá vai voltar para casa depois da primeira fase, é verdade. Mas, graças ao histórico gol de Baloy, o primeiro de sua nação em uma Copa do Mundo, o mundo inteiro tirou o chapéu para a alegria, emoção e festa dos estreantes.