Gonçalo Luiz: Personagens da Copa – O replay de Rojo

Rojo repetiu o feito de 2014 para levar Messi e cia., nas costas, para as oitavas da Copa (Foto: Getty Images)

Com a implantação do VAR (… pro inferno!), dá pra dizer que a Copa do Mundo da Rússia é a Copa do replay. Por sinal, conforme cresce a importância de cada partida na competição, tem aumentado o tempo de paralisação para que os juízes – os de vídeo e os de campo – analisem as jogadas duvidosas. Mas isso é outro assunto. O fato é que, assim como os lances que demandam a opinião do VAR permitem múltiplas interpretações, também há quem interprete diferente esse lance de “Copa do replay”.

É o caso de Marcos Rojo. O zagueiro argentino pode até, um dia, ter se mostrado a favor do uso da tecnologia no futebol. Mas quando o árbitro turco Cuneyt Çakir foi verificar o lance em que o defensor cabeceou a bola contra o próprio braço em plena área argentina, com certeza, Rojo espraguejou o VAR. Deu certo: o juizão não apontou a marca fatal pela segunda vez no jogo contra os hermanos. E, desta maneira, cumpriu sua parte no roteiro escrito para Marcos Rojo na partida desta terça (26), contra a Nigéria.

Aos 28 anos, o ora zagueiro, ora lateral do Manchester United começou a Copa do Mundo bem e mal. Bem porque seu chute ruim virou assistência para Aguero, computada pela Fifa e tudo. Mal porque a atuação fraca, sua e do time, contra a Islândia já deixou a seleção argentina pressionada desde o primeiro jogo. Barrado da derrota contra a Croácia, o jogador voltou aos 11 de Sampaoli – ou de Mascherano – justamente contra a Nigéria.

Obra do homem, do acaso ou do destino… Tanto faz! O fato é que Rojo tinha uma missão a cumprir, uma história a repetir.

Um cruzamento completado com a perna direita para o fundo de redes nigerianas, dando a vitória à Argentina, num jogo da terceira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Marcos Rojo, 2014. Marcos Rojo, 2018.

Mas não é porque é replay que tem que ser igual. Já diria Dunga, a repetição leva à perfeição. Foi o que fez Rojo. Se em 2014 o cruzamento veio da esquerda, em 2018, veio da direita. Se no Brasil, ele pegou meio de joelho, na Rússia, meteu uma chapa bonita na bola. Se naquele jogo, a Argentina estava garantida nas oitavas, nesta terça foi o gol de Rojo que desentalou a garganta dos milhões de argentinos e os dedos médios do maior argentino – Diego Armando Maradona – nas tribunas do estádio e levou Messi e cia. (nas costas) à próxima fase da Copa.

Que VAR o quê?! Para a Argentina, a maior inovação deste Mundial é o repeteco do gol de Marcos Rojo!