Gonçalo Luiz: Personagens da Copa – VAR pro inferno

A história foi escrita neste sábado (16) na Copa do Mundo. Não, pera… Não foi? [Mão na orelha] Foi ou não foi? Faz o seguinte, coloca na televisão ali pra eu ver em câmera lenta… [Olha na tela]

Sim [desenha um retângulo com os dedos indicadores das duas mãos], a história foi escrita neste sábado na Copa do Mundo. Pela primeira vez uma decisão do árbitro foi revertida após uso da tecnologia. Mais precisamente, pelo árbitro de vídeo.

“De vidro?!”

Não. De ví-deo! A tecnologia entrou em campo graças a Mauro Vigliano, argentino, árbitro de vídeo no jogo entre França e Austrália. Ele soprou na orelha do uruguaio Andres Cunha, que apitava o jogo de fato, no campo, que poderia ter havido pênalti do australiano Risdon no francês Griezmann. A observação do lance, quadro a quadro, por ângulos selecionados e em câmera lenta permitiu a Cunha ver que houve um toque dentro da área.

Com todos os replays, não foi levado em consideração o leve desvio de Risdon na bola, antes de atingir Griezmann. Desvio que só foi possível em virtude do movimento da perna direita do defensor, a mesma que na sequência pega o tornozelo do atacante do Atlético de Madri. Enfim… O árbitro interpretou que não houve pênalti. E pouco depois mudou a interpretação, baseado no sopro de Vigliano em sua orelha e no repeteco em câmera lenta, na beira do campo. Se errou ou se acertou, vai da opinião de cada um.

Como vai também da opinião de cada um se a arbitragem errou ou acertou na marcação do pênalti sobre Cristiano Ronaldo, na partida da última sexta, contra a Espanha. No entanto, ali, nenhuma interferência do VAR (video assistant referee), ainda que o lance seja extremamente discutível – afinal, o português já estava se jogando quando foi tocado por Nacho?

Se é para tornar o jogo mais justo, por que um lance foi revisto e o outro não? Se é para elucidar marcações, como pode ainda haver dúvidas após a suposta correção de uma penalidade apontada ou não? Se a interpretação sobre um lance pode mudar dependendo do ângulo pelo qual se veja, da velocidade na qual se veja, qual a interpretação correta?

Também na partida entre França e Austrália, o chute de Pogba, desviado por Behich, beijou o travessão e, em seguida, o solo. A dúvida pairou no ar, mas foi quase instantaneamente sanada pela tecnologia da linha do gol. A bola entrou. Ponto. Questão objetiva. Sem contestação. Tanto quanto o fato de que lances interpretativos não são objetivos. Por isso, viva a tecnologia da linha do gol e de todas as linhas: a de fundo, a lateral e até a de impedimento.

Mas o VAR… Que VAR pro inferno!