Islândia segura Argentina de Messi e faz história na sua estreia em Copas

Messi, Aguero, Di María, Mascherano, Higuain, etc., etc., etc. Nada foi, nem nada seria, suficiente para passar por cima dos guerreiros vikings. Em sua primeira partida em Mundiais, a Islândia mostrou força e caráter, mas também entrosamento e qualidade para garantir seu primeiro ponto na história da Copa da Mundo contra os bicampeões mundiais, neste sábado (16), na Arena Spartak. Aguero abriu o placar, mas Finnbogasson anotou empate: o primeiro gol do time em Copas. A cereja no sorvete (bolo seria quente demais para combinar com um dos mais frios países do globo) veio com pênalti cobrado por Messi e defendido por Halldorsson, no segundo tempo. O empate na abertura do Grupo D deixa a situação da chave muito mais aberta do que se poderia supor na briga pela classificação para as oitavas, nas próximas rodadas.

Quando a bola rolou sob os 22° de Moscou, a careca do árbitro polonês Szymon Marciniak já suava. Imagine, então, como já não estavam as mãos, as camisas e – perdoem pela imagem – os sovacos dos islandeses, oriundos do mais frio dos países, prestes a fazer o primeiro jogo de sua nação em Copas do Mundo. Mas o nervosismo não era exclusivo dos nórdicos. Sob desconfiança, a seleção argentina dava outro tipo de sinal de nervosismo: a ansiedade para concluir as jogadas. Ainda assim, o início de jogo mostrou o menor país a disputar um Mundial, a Islândia, fazendo jus ao rótulo: miúdo, encolhido nos arredores da própria área, tentando suster o maior volume sul-americano. E a primeira jogada de perigo do jogo só poderia sair dos pés de Messi. Quando o craque do Barcelona cruzou da intermediária, aos sete, Tagliafico se agachou para cabecear com muito perigo à direita do gol de Halldorsson. E, tirando um susto após erro de Rojo na saída de bola, que resultou em finalização de Bjarnasson, só deu Argentina nos primeiros 20 minutos. O resultado esperado, porém, veio de um lance inesperado. Rojo se precipitou e bateu de longe. Um chute fraco para levar perigo, mas na medida certa para ficar sob domínio de Aguero. O genro de Maradona girou sobre a marcação e bateu forte para fazer, na terceira participação, seu primeiro gol em Mundiais: 1 a 0 Argentina.

O golpe acordou os guerreiros islandeses. Após tanto recuar, era preciso avançar. Por isso, aos 23 minutos, quando Gudmundsson cruzou, o pequeno país estreante cresceu em campo, colocando as 600 mil pernas vikings existentes na nação nórdica dentro da área contra indefesos – sabe-se lá – seis, sete jogadores albicelestes. Da primeira vez, a bola passou. Desviada, mas passou. Na segunda, os zagueiros sul-americanos estavam tão acuados, que evitaram tocá-la. No terceiro cruzamento seguido, Bjarnasson fechou para cima de Caballero e a bola sobrou para Finnbogason fazer história: o primeiro gol da Islândia em Copas do Mundo e festa viking em Moscou.  Dali em diante, a Argentina teve mais posse de bola e domínio territorial, mas sem levar grande perigo. A melhor chance foi islandesa, já nos instantes finais do primeiro tempo, em chute cruzado de Gilfy Sigurdsson, defendido por Caballero.

Halldorson defendeu pênalti cobrado por Messi no segundo tempo e garantiu o empate | Getty Images

Veio o segundo tempo e, com ele o equilíbrio. Não em termos de volume de jogo, mas a Islândia conseguiu ser um país pequeno a se defender com força de gigante. Muro de gelo armado na frente da área, movimentos de balé no balanço defensivo com um entrosamento invejado por Sampaoli. E, claro, sempre dois, três homens em volta de Messi. E mesmo quando a fortaleza ruiu e Magnússon cometeu pênalti bobo sobre Meza, aos 19, nem o gênio Messi foi capaz de romper as fronteiras para dominar os vikings, porque Halldorsson o impediu. Voo seguro, no canto direito e muita história para contar aos descendentes.

A entrada de Pavon no lugar de Di María deu mais profundidade ao ataque dos Hermanos, mas não surtiu nenhuma oportunidade. Messi ainda conseguiu liberdade em dois lances. Aos 36, bateu perigosamente à direita de Halldorsson. Aos 38, a bola explodiu sobre Banega. Pavon ainda cruzou, aos 41, e, depois que a bola passou por todos e se encaminhou para o cantinho, Halldorsson chego a tempo de espalmar. No fim das contas, a posse de bola de mais de 70 % dos bicampeões mundiais mostrou que, assim como dinheiro não compra felicidade e camisa não ganha jogo sozinha, ter a pelota para si não garante a dobradura do caráter de guerreiros.

Com a situação mais complicada do que era de se supor para conquistar a classificação no Grupo D, a Argentina vai ao Nizhny Novgorod enfrentar a Croácia, na segunda rodada, dia 21. Já a Islândia tenta galgar mais um parâmetro em sua recém-começada história mundialista: vai atrás de sua primeira vitória em Copas contra a Nigéria, em Vologrado, dia 22.

Argentina 1 x 1 Islândia

Local: Arena Spartak (Moscou – RUS)

Árbtitro: Szymon Marciniak (Fifa/POL)

Auxiliares: Pavel Scolniki(Fifa/POL) e Tomasz Listkiewicz (Fifa/POL)

Argentina: Caballero, Salvio, Otamendi, Rojo e Tagliafico; Mascherano e Biglia (Banega); Meza (Higuain), Messi e Di María (Pavon); Aguero. Técnico: Jorge Sampaoli

Islândia: Halldorson, Saevarson, Árnason, R. Sigurdsson e Magnússon; Gudmundsson (Gíslason), Gunnarsson (Skúlason), G. Sigurdsson, Hallfredsson e Bjarnason; Finnbogason (Sigurdason). Técnico: Heimir Hallgrimsson.

Cartões Amarelos: Não houve.

Cartões Vermelhos: Não houve.

Gols: Aguero – Argentina (19’/ 1º tempo) e Finnbogasson – Islândia (23’/1º tempo)

Público: 44.190