“Je ne regrette rien?” – Neymar encara a realidade do fraco futebol francês

Eu adoro implicar com o PSG, clube que carinhosamente chamo de” Madureira da Europa”. Não tenho absolutamente nada contra os franceses, pelo contrário, um dos meus grande amigos nasceu na charmosa Aix-en-Provence, no sul da França. O que me incomoda é que transformaram um pequeno clube do futebol europeu, batizado em 1970,  numa potência do futebol mundial. Pelo menos em termos de história ainda não é grande. Falta peso a camisa do time parisiense. O clube recebeu nos últimos anos uma enorme injeção de capital asiático que, de fato, transformou o PSG numa força dentro do futebol francês. Isso é indiscutível. Não há como negar que na terra dos queijos e vinhos quem dá as cartas hoje é o milionário clube da capital.

Tivemos a época em que o Saint-Étienne dominou as conquistas,  a fase de ouro do Marseille e a grande fase do Lyon, encabeçada pelo brasileiro Juninho Pernambucano. Mas, para se tornar um gigante da Europa e  ganhar o satatus de potência, falta um título continental ao clube: a Liga dos Campeões, obessesão do qatari que despejou dinheiro na equipe. Nem dá pra dizer que o PSG “bateu na trave”. A equipe sempre caiu antes das fases finais da competição. Esse é o ano do clube “crescer” e ganhar o respeito dos vizinhos premiados. O investimento nos últimos anos fez com a torcida crescesse dentro da França e muito fora dela. É um dos clubes com maior torcida nas redes sociais e está nos top 5 dos que vendem mais camisas. O PSG fora das quatro linhas é um fenômeno…Falta mostrar sua força dentro de campo.

Nesta temporada, após as contratações milionárias de Neymar e Mbappé, o time lidera com folga o Campeonato Francês e fez uma campanha irrepreensível na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mas nem tudo são flores no Paris Saint-Germain. A chegada de Neymar no clube gerou um tremendo mal-estar com o uruguaio Cavani, ídolo da equipe e um dos líderes do grupo. Neymar tem o respaldo da diretoria, recebe mimos e privilégios. Cavani tem o respeito da torcida. Controlar os egos é o maior desafio do PSG nesta temporada. Não bastasse o clima conturbado nos bastidores, o próximo adversário na Champions será o Real Madrid, o maior vencedor da competição.

Será que o treinador será capaz de unir o grupo em torno desse objetivo maior do clube? Apesar da equipe ter se reforçado e gasto uma fortuna para alcançar a “orelhuda”, ainda considero o PSG uma azarão. O fato de liderar o fraco campeonato local não é parâmetro para medir a força desse time. É chegada a hora de encarar os gigantes. Segundo o tradicional jornal L’Equipe, Neymar teria se arrependido de deixar o futebol espanhol. De acordo a reportagem, o craque da nossa seleção teria dito que a Ligue 1 é fraca tecnicamente e o jogo é mais violento e defensivo. Sempre achei um erro a sua transferência. Neymar disputa um campeonato pequeno e atua  numa equipe menor que o Barcelona. Ele encarou essa mudança na carreira como um grande desafio, mas certamente não achava que seria tão complicado. Egos inflamados, um torneio muito abaixo do espanhol e críticas da torcida, que já chegou a vaiar o jogador, embora tenha sido escolhido o melhor do mês no Francesão.

A prova decisiva para a permanência ou não do craque na França começa como o embate com o time de CR7. Há muitos boatos que o atleta estaria interessado em voltar para a Espanha e jogar no clube merengue. O PSG se defende de todas formas, pois sabe que para deixar de ser o “Madureira da Europa” precisa de um gigante em campo. Neymar também sabe disso e joga com esse trunfo na mão. É hora do time parisiense mostrar o seu jogo.