Léo Duarte marca, mas Flamengo é eliminado da Libertadores pelo Cruzeiro

Léo Duarte (centro) fez o gol da vitória do Flamengo, mas é o Cruzeiro quem avança na Libertadores (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

O Flamengo precisava de um milagre. E ele até veio em uma defesa espetacular de Diego Alves aos 19 do segundo tempo. Mas, no fim, o gol de Léo Duarte e a vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, nesta quarta (29), no Mineirão, não foram suficientes para transformar em realidade a esperança do torcedor rubro-negro. Na soma dos placares das duas partidas, avançam os mineiros para as quartas de final da Libertadores da América. Lá, os Celestes aguardam o vencedor do confronto entre Boca Juniors e Libertad.

PRIMEIRO TEMPO DE ESPERANÇA E POUCA INSPIRAÇÃO

Para o Flamengo, o apito inicial do árbitro uruguaio Andrés Cunha significava um silvo de esperança. Esperança na volta de Lucas Paquetá que, suspenso, não jogara a partida de ida no Maracanã, quando o Cruzeiro venceu por 2 a 0. Esperança na novidade de Barbieri que lançou Marlos Moreno como titular na ponta esquerda e Vitinho como centroavante. Esperança de que o próprio Vitinho, na nova posição, ficasse mais próximo de suas características, de corresponder com o manto rubro-negro e do gol tão almejado. Esperança, por fim, na virada histórica, mágica. Mas a magia só apareceu, no primeiro tempo, na linda bicicleta de Lucas Paquetá, que abriria o marcador aos 40 minutos não fosse a posição irregular da joia flamenguista bem apontada pela arbitragem.

De resto, nada da tal magia. Nada de fantasia. Uma primeira etapa de “pés no chão” como queria Mano Menezes. Se o Fla começou pressionando a saída de bola cruzeirense e teve mais posse da pelota nos 45 minutos iniciais, o Cruzeiro soube transformar um Mineirão fervente pela presença do torcedor da Raposa em uma panela de água morna. Picotando o jogo com paralisações quando preciso. Trocando passes na intermediária quando conseguia roubar a bola dos meio-campistas cariocas. Assim, aos 21 minutos, surgiu a única real chance de gol da primeira metade de jogo. Diego foi desarmado por Arrascaeta, que tabelou com Robinho e cruzou na medida para Barcos. Dentro da pequena área, com Diego Alves já batido, o argentino sentiu na perna direita o peso da má fase – oito jogos sem marcar – e nos olhos a existência abstrata de um duplo tapa-olho. Assim, o Pirata bateu mal e perdeu a chance imperdível. Do lado rubro-negro, o único lance (válido) de perigo a se destacar foi a tentativa de Éverton Ribeiro em cumprir a “lei do ex”. Porém, o chute de fora da área do camisa 7 passou a esquerda.

DIEGO ALVES FAZ MILAGRE E LÉO DUARTE RESSUSCITA FLAMENGO

Tudo o que não conseguiu criar no primeiro tempo, no entanto, o Flamengo precisou de apenas cinco minutos para lograr na segunda etapa. Após uma tentativa de longe de Vitinho – ainda centroavante, porém mais recuado – Réver lançou com GPS para encontrar Marlos Moreno, em diagonal, dentro da área. O colombiano matou no peito e ficou de cara para Fábio, mas jogou a chance de inflamar o confronto por sobre o travessão. Pior para o Rubro-Negro que a oportunidade desperdiçada despertou o Cruzeiro no segundo tempo. E aos 19 minutos, Arrascaeta lançou Barcos. Ao contrário do lance bisonho na etapa inicial, desta vez o argentino viu mais do que todo mundo. Um toque sutil deixou Thiago Neves livre e de frente para a meta que parecia vazia. Mas, em uma recuperação espetacular, Diego Alves correu toda a extensão da baliza e se lançou aos pés do TN30. Mais do que uma defesa excepcional, um novo sopro de esperança para um Flamengo que esteve a um passo da eliminação líquida e certa, oxigênio para quem esteve prestes a morrer no confronto.

De fé renovada, o Flamengo veio então ao ataque para apresentar, em plena noite mineira, um milagre de proporções muito mais bíblicas que futebolísticas. Diego cobrou escanteio, Dedé apenas raspou no meio da área e a bola cruzou quase todo o campo. Éverton Ribeiro apanhou a sobra e refez o cruzamento. Outra vez um cruzeirense, agora Fábio, relou nela sem impedir que encontrasse seu destino: Léo Duarte. Jovem zagueiro, recém tornado titular, encontrou a bola no limite alcançável pela testa para empurrá-la rumo às redes e anotar seu primeiro gol com o manto rubro-negro: 1 a 0 Flamengo, aos 24. Em uma espécie de projeção futebolística da parábola de Lázaro, o Fla, praticamente decretado morto cinco minutos antes, se levantou e andou. Para frente… Para cima do Cruzeiro.

EXPERIENTE, CRUZEIRO ESFRIA JOGO E MATA ESPERANÇAS RUBRO-NEGRAS

Claro, apareceram os espaços e os donos da casa tiveram contragolpes à disposição. Entretanto, mantiveram a tônica – a exemplo do jogo do Maracanã – de não aproveitá-los. Ao Flamengo, não havia outra alternativa que não se lançar à frente. Barbieri tirou o volante Cuéllar e colocou o atacante Lincoln; sacou o lateral Renê e lançou o meia-atacante Geuvânio em seu lugar. Pouco para criar ao menos uma oportunidade de levar a decisão para os pênaltis. No fim, a experiência e frieza cruzeirenses – com todos os gols perdidos – frente aos milagres de Diego Alves e do Flamengo, foram determinantes para impedir que o rival ressuscitado, ainda por cima, lhe tirasse a vida. Com muita cera no final, os Celestes demonstraram que a esperança é a última que morre. Mas também morre.

 

Cruzeiro (2) 0 x 1 (0) Flamengo

Copa Libertadores, Oitavas de Final – Jogo 2

Local: Mineirão (Belo Horizonte – MG)

Árbitro: Andrés Cunha (FIFA/URU).

Auxiliares: Nicolás Taran (FIFA/URU) e Mauricio Espinoza (FIFA/URU)

Cruzeiro: Fábio, Lucas Romero (Edílson), Dedé, Léo e Egídio; Henrique, Lucas Silva e Robinho (Rafinha); Thiago Neves e De Arrascaeta; Barcos (Raniel). Técnico: Mano Menezes.

Flamengo: Diego Alves, Rodinei, Léo Duarte, Réver e Renê (Geuvânio); Cuéllar (Lincoln); Éverton Ribeiro, Lucas Paquetá, Diego e Marlos Moreno; Vitinho (Henrique Dourado). Técnico: Maurício Barbieri

Gols: Léo Duarte (FLA, 24’/2T).

Cartões Amarelos: Thiago Neves, Raniel e Rafinha (CRU); Renê, Léo Duarte e Rodinei (FLA).

Cartões Vermelhos: Não houve.