Mandzukic decide, Croácia derruba Inglaterra e pega a França na decisão

Mandzukic e Perisic fizeram os gols que levam a Croácia à primeira final de Copa em sua história (Foto: Getty Images)

O futebol não está voltando para casa. Nesta quarta (11), com Mick Jagger presente no Estádio Luzhniki em Moscou, os ingleses não foram capazes de superar a determinação da Croácia e a fama de pé frio do vocalista dos Rolling Stones. Mesmo tendo que disputar sua terceira prorrogação seguida, adicionando, ao todo, um jogo inteiro às pernas já destroçadas pelos duelos de oitavas e quartas de final, os croatas chegam à primeira final de sua curta história de Copa do Mundo. Após tempo normal empatado em 1 a 1 (gols de Trippier e Perisic), Mandzukic apareceu na hora certa para marcar, aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação, o gol que leva a Croácia à decisão do próximo domingo (15), às 15 horas, contra a França, no próprio Luzhniki.

Analistas ao redor do mundo antecipavam que, em uma semifinal de Copa, não há favoritos. Mas com a presença de Mick Jagger no Luzhniki, a balança dos gaiatos pendia em favor da Croácia. Porém, ansiosos pelo hiato de 52 anos fora de uma decisão, os ingleses mandaram a imprevisibilidade às favas, ignoraram a presença do roqueiro e, praticamente, entraram em campo com a vantagem. Afinal, logo aos 4 minutos, Dele Alli foi derrubado por Modric na entrada da área. De frente para a meta, cinco croatas postados na barreira foram nada para a cobrança perfeita de Trippier. Atrasado, Subasic ainda voou, mas chegou atrasado para impedir o English Team de sair na frente já no comecinho de partida: 1 a 0 Inglaterra. Após 56 anos, uma semifinal de Copa voltava a testemunhar um gol de falta.

À frente no marcador, os campeões de 1966 tiveram o jogo bem ao seu gosto. Enquanto a Croácia tentava dominar as ações e pressionar, os ingleses se fiavam no forte sistema defensivo para roubar e encontrar campo aberto disponível À armação de suas jogadas. Em escanteio, Maguire ainda mostrou a já conhecida força da tradicional bola aérea da Terra da Rainha, mas mandou cabeçada à direita do gol. Perisic tentou reagir à incapacidade de penetração croata com um chute de longe, mas que foi para fora. No entanto, pouco depois, Kane recebeu em profundidade e bateu para grande defesa inicial de Subasic. Na sobra, o próprio Furacão invadiu a pequena área e bateu sem ângulo: a bola explodiu na trave e ricocheteou sobre as pernas do goleiro adversário antes de subir e se perder pela linha de fundo. A sinalização do bandeira, porém, advertia que os segundos de respiração presa e os anos de vida perdidos por croatas e ingleses em razão daquela jogada haviam sido em vão: Kane estava impedido. Na última boa jogada do primeiro tempo, Lingard ainda buscou o canto esquerdo da meta rival, mas mandou nas placas de publicidade a derradeira chance de uma etapa inicial completamente dominada pela Inglaterra.

Depois de decidir as classificações para quartas e semifinais com necessidade de prorrogação e disputa de pênaltis, os croatas precisariam das pernas, mesmo em frangalhos, para modificar seu destino nos 45 minutos finais. Os primeiros 15 deles foram nervosos, com cartões amarelos mostrados a Mandzukic e Walker. Em seguida, cada time teve sua chance. A Inglaterra de pôr um pé na decisão, quando Sterling recebeu de Henderson na área e, na hora de chutar, acabou travado por Vida e abafado por Subasic. Já a Croácia, teve a bola do empate com Perisic, mas a finalização do croata estourou no muro de zagueiros britânicos montado à frente da meta.

Mas à metade do segundo tempo, a maré do jogo virou. Vrsaljko levou a bola pela direita e cruzou para área. Absoluto no lance, Walker abaixou para limpar a área de cabeça, só que a vontade de quem queria manter a vantagem não foi páreo para a fome de quem esperava uma migalha de chance para empatar a peleja. Perisic chegou voando e estendeu a perna esquerda sobre o cocuruto do oponente para desviar a bola em direção ao cantinho de Pickford. Tudo igual: 1 a 1.  E não foi só. Logo depois, o duelo entre ambos voltou a acontecer. E, outra vez, o croata levou a melhor. Perisic pedalou e passou como quis por Walker, invadiu a área e bateu cruzado, mas a bola beijou a trave e o rebote assustou Rebic, que só recuou para o goleiro.

Enquanto na Inglaterra os locais catavam seus panos de chão para enxugar a água derramada no preparo do chá das cinco, na Rússia, os ingleses tentavam recuperar as rédeas da partida. Kane e Lingard finalizaram com algum perigo, mas sem efetividade. Lá pelos 35, foi a vez da Croácia voltar a chegar. Primeiro no chute cruzado de Mandzukic, espalmado por Pickford. Depois, com Perisic tentando toque por cobertura após soco errado do próprio arqueiro. Já na reta final, Lingard não dominou livre a bola que lhe foi lançada na área rival e Lovren chutou, loucamente, da intermediária na ideia de resolver o jogo no tempo normal. Mas quem teve a bola do jogo foi Harry Kane, que cabeceou para fora a bola centrada por Trippier aos 47 minutos. Franceses foram flagrados rindo, mundo afora, ao apito final de Cuneyt Çakir que determinou mais 30 minutos de futebol – e desgaste – para os pretendentes à finalista da Copa.

Não que Zlatko Dalic e Gareth Southgate estivessem pensando nisso. Até o início do tempo extra, apenas o inglês havia realizado um substituição. Caminhando para a terceira prorrogação seguida, a Croácia mantinha em campo os mesmos 11 homens que iniciaram a semifinal. Claro que isso durou pouco. Rose entrou no lugar de Young para o começo dos 30 minutos adicionais e Strinic sentiu a coxa logo aos três minutos de jogo e deu lugar a Pivaric.

Com a bola rolando, o lance mais espetacular veio aconteceu aos oito minutos. Escanteio cobrado para a área croata, o zagueiro Stones subiu mais alto que todo mundo e testou no ângulo, sem chance para Subasic. Entretanto, apareceu quem não devia estar ali. Vrsaljko tinha sido descartado pelo técnico na coletiva desta terça (10), por conta de lesão. Mas veio para o jogo, como titular e surgiu em cima da linha para impedir o gol inglês. Já aos 14 minutos, a Croácia teve sua chance com o até então sumido Mandzukic, mas Pickford saiu no tempo certo, com braços e pernas abertos para tocar na bola com o joelho e manter a igualdade.

Mas a prorrogação era mesmo o momento da aparição do atacante da Juventus. No início do segundo tempo, Perisic tocou de cabeça bola que havia sido cortada pela zaga inglesa, devolvendo a pelota para dento da área. A defesa cochilou e Mandzukic saiu de trás da marcação para aproveitar a chance de ouro, na risca da pequena área. Chute forte de perna esquerda, cruzado, sem chances para Pickford. E uma comemoração do tamanho daquela virada, com jogadores amontoados derrubando um dos fotógrafos que registravam aquele momento. Restabelecida a ordem, o beijo de Vida no profissional que não terá as melhores imagens, mas ficará, por certo com as melhores recordações de uma classificação histórica. A Croácia próxima demais de alcançar uma final inédita para um país independente há apenas 27 anos.

Fora dos instantes finais em razão de uma lesão na virilha, Trippier, autor do gol inglês chorava no banco de reservas. Kramaric ainda teve a chance de matar o jogo, mas mandou para fora. Tudo bem. Sem arrependimentos. Mesmo tendo jogado um jogo inteiro a mais que a França, só com as três prorrogações disputadas ao longo do mata-mata, o destino é o mesmo. As duas seleções se encontram no mesmo Luzhniki no próximo domingo (15) para decidir quem leva para casa a maior glória do futebol mundial.

 

Croácia 2 x 1 Inglaterra

Local: Estádio Luzhniki (Moscou – Rússia)

Árbitro: Cuneyt Çakir (Fifa/TUR)

Auxiliares: Bahattin Duran (Fifa/TUR) e Tarik Ongun (Fifa/TUR)

Croácia: Subasic, Vrsaljko, Lovren, Vida e Strinic (Pivaric); Rakitic e Brozovic; Rebic (Kramaric), Modric (Badelj) e Perisic; Mandzukic (Corluka). Técnico: Zlatko Dalic.

Inglaterra: Pickford, Walker (Vardy), Stones e Maguire; Trippier, Henderson (Dier), Dele Alli, Lingard e Young (Rose); Sterling (Rashford) e Harry Kane. Técnico: Gareth Southgate.

Gols: Trippier (ING – 5’/1T); Perisic (CRO – 23’/2T) e Mandzukic (CRO – 4’/2TP)

Cartões Amarelos: Mandzukic e Rebic (CRO); Walker (ING)

Cartões Vermelhos: Não houve.

Público: 78.011 pessoas.