Marrocos joga melhor, mas perde para o Irã com gol contra no final

Gol contra nos acréscimos: 1 a 0 para o adversário. A frase, sozinha, mesmo fora de contexto, é capaz de resumir a crueldade da derrota sofrida por Marrocos em seu retorno à Copa do Mundo após 20 anos. Após cruzamento de Haji Safi, Bouhaddouz fez, na própria baliza, o gol que deu ao Irã os primeiros três pontos do Grupo B do Mundial, nesta sexta, em São Petersburgo.

Marrocos e Irã era dos jogos mais esperados da Copa por um simples motivo: toda e qualquer pessoa no mundo quer ter razão no seu palpite. Desde o sorteio, o torcedor médio já vaticinava que ali estaria um dos piores jogos da primeira fase. E, de fato, o primeiro tempo trouxe lances que ratificavam o prognóstico geral, como a espetacular furada do marroquino Ziyach, após cruzamento da esquerda. Ou a esquisita mecânica de arremesso lateral do iraniano Amiri, que se acocorou antes de recolocar a bola em disputa.

Mas também foi possível ver bom futebol. Especialmente de Marrocos, mais com a bola, tentando envolver o adversário e até ensaiando uma pressão. Um dos mais famosos do time, o zagueiro Benatia, da Juventus-ITA, quase abriu o placar assim, aos 18 minutos. Após cruzamento e bate-rebate na área iraniana, ele pegou a sobra e bateu para grande defesa de Beiranvand. Após a tocar no goleiro, a bola ainda bateu nas pernas de Saiss, que não conseguiu empurrar para as redes. Buscando o contra-ataque desde o princípio, o Irã também teve sua oportunidade, já no finzinho da primeira etapa. Com o campo aberto, Amiri deixou Sardar livre, de frente para o gol, mas a finalização parou em excelente defesa do arqueiro El Kajoui. O rebote ficou nos pés de Jahanbakhsh, mas El Kajoui conseguiu, com grande explosão, se recuperar a tempo de fechar o ângulo da nova conclusão e impedir que o placar fosse aberto nos primeiros 45 minutos.

De cabeça, Bouhaddouz marcou contra o gol que deu a vitória ao Irã sobre sua seleção, o Marrocos | Getty Images

Se o primeiro tempo deixara dúvidas, a segunda etapa, no entanto, veio para fechar questão. Os erros se multiplicaram. Sobretudo, no passe final e nas finalizações, de parte a parte. Para piorar o clima, a metade final de jogo ainda reservou ao público uma imagem forte. Buscando uma jogada pela lateral, o marroquino Noureddine Amrabat acabou batendo a cabeça contra o cocuruto de Arimi e caiu como um pugilista nocauteado por Mike Tyson: descoordenado, sem defesa e sem sentidos. Grogue, ainda protestou querendo voltar, mas acabou substituído.

Mas quando os marroquinos pensaram que a preocupação com a cabeça de um companheiro havia passado… Nos acréscimos do jogo, Haji Safi teve falta para cobrar pela esquerda. Ajeitou a bola, desajeitou, tirou-a do chão, tascou-lhe um beijo. E tanto acariciou-a que os deuses do futebol parecem ter se compadecido daqueles gestos de esperança e desespero. No cruzamento, Bouhaddouz encarnou Oséias: mergulho e cabeçada forte, fulminante, contra a própria baliza. Um golpe inesperado que transformou a seleção marroquina em cuscus poucos momentos antes do apito final.

A atuação segura da defesa e a segunda vitória do Irã na história das Copas, credencia o time a buscar ser o azarão de um grupo com dois favoritos claros: Portugal e Espanha. E é contra os espanhóis que os asiáticos voltam a campo, no próximo dia 20, para fechar a segunda rodada do Grupo B. Até lá, Marrocos tenta superar uma das maiores dores de cabeça da história dos mundiais para enfrentar Portugal, no mesmo dia.

Marrocos 0 x 1 Irã

Local: Estádio de São Petersburgo (São Petersburgo-RUS)

Árbitro: Cuneyt Çakir  (Fifa/TUR)

Auxiliares: Bahattin Duran (Fifa/TUR) e Sergey KARASEV (Fifa/RUS)

Marrocos: El Kajoui; Hakimi, Benatia e Saiss; Boussoufa, Ziyach, El Ahmadi e Harit (Da Costa); N. Amrabat (S. Amrabat), El Kaabi (Bouhaddouz) e Belhanda. Técnico: Herve Renard.

Irã: Beiranvand; Ramin, Chesmi e Pouraliganji; Karim, Omid (Hosseini), Haji Safi e Shojaei (Mehdi); Jahanbakhsh (Goddos), Sardar e Arimi. Técnico: Carlos Queiroz.

Gols: Bouhaddouz – Marrocos (contra 49’/2º tempo).

Cartões amarelos: Shojaei e Jahanbakhsh (Irã); El Ahmadi (Marrocos).

Cartões vermelhos: Não houve.

Público: 62.548 presentes