No sufoco: Brasil só marca nos acréscimos e vence a primeira na Copa

Pressão. Sufoco. Sofrimento. Mas a vitória veio. Depois de 91 minutos no zero, Philippe Coutinho e Neymar conseguiram furar a barreira liderada pelo goleiro Keylor Navas, do Real Madrid, para dar a vitória à Seleção Brasileira, nesta sexta (22), em São Petersburgo. Os 2 a 0 sobre a Costa Rica eliminam a sensação da última Copa e interrompem uma sequência do Brasil de três jogos sem vencer em Copas. Além disso, o triunfo garante ao Brasil um pouco mais de tranquilidade para a sequência no Mundial, especialmente, para o confronto com a Sérvia, pela última rodada deste Grupo E. Um empate passa, agora, a garantir o time de Tite nas oitavas de final.

Clima de 2002. Jogo em horário matutino, como em 2002. Contra adversário enfrentado em 2002. Mas com história completamente diferente. Se na Copa de Japão e Coreia o Brasil encontrou facilidade para golear por 5 a 2, nesta sexta, na Rússia, se deparou com uma seleção muito forte na defesa e insinuante, não só nos contra-ataques, como na troca de passes. Apesar da primeira finalização ter sido de Philippe Coutinho, logo aos três minutos, foram os Ticos que levaram perigo primeiro. Após recuperarem bola na intermediária, aceleraram o jogo pela direita e, no toque para trás, Celso Borges se apresentou de frente para o gol de Alisson. Para sorte brasileira, o chute do volante filho de brasileiros passou à direita.

Com a bola, a Seleção encontrava dificuldades para envolver a marcação costarriquenha. Na individualidade, esbarrava na falta de confiança de Neymar, que chegou a mancar por alguns momentos. Ainda assim, num chute de fora da área de Marcelo, Gabriel Jesus aparou no meio do caminho e balançou a rede, mas estava impedido. Aos 28, Coutinho voltou a aparecer, lançando Neymar em profundidade. Navas chegou antes do brasileiro. Se os espaços na zaga rival eram raros, o time de Tite apostou na longa distância com Marcelo e, novamente, com Coutinho. Na marca dos 30 minutos, Neymar finalmente entrou no jogo: o craque chamou jogada pela esquerda e pediu falta, não marcada pelo árbitro. Em seguida, invadiu a área, entortou o marcador e cruzou com perigo para Gabriel Jesus. Era a presença ofensiva que faltava para chamar a superioridade de pressão. Aos 41, Marcelo tentou mais uma vez de fora da área, mas com a perna direita: Keylor Navas defendeu. O apito final do primeiro tempo trazia a certeza de que a segunda etapa seria de muita tensão por parte do Brasil.

Tite voltou com Douglas Costa no lugar de Willian e o Brasil pisou no gramado determinado a abrir o placar. E se algum torcedor ainda tinha sono, ali pelas 10 da manhã, em menos de cinco minutos a Seleção espantou. Neymar brigou pela bola com Navas após cruzamento, Gabriel Jesus cabeceou bola no travessão e, na sobra, Paulinho serviu Coutinho, mas o zagueiro evitou o gol brasileiro quase em cima da linha. Pouco depois, Paulinho voltou a se mandar pela direita e cruzou para chute de Neymar. Navas, à queima roupa, desviou por cima da meta o que seria o primeiro gol. A pressão não arrefecia: Paulinho escorou mais uma e Coutinho bateu. Só que, no centro do gol, estava o goleiro costarriquenho. Mesmo tendo criado as melhores oportunidades do time no segundo tempo, Paulinho foi o escolhido para dar lugar a Firmino e a mexida de Tite prometia um ataque contra defesa ainda maior para a reta final de jogo.

Aos 26 minutos, Neymar foi mais esperto que o zagueiro, roubou-lhe a bola e saiu cara a cara com Navas na entrada da área. A batida com efeito, buscando o ângulo esquerdo, saiu por milímetros. Não contente, aos 32, Neymar quis ser mais esperto que todo mundo. E, num primeiro momento conseguiu: ao fazer o drible sobre Gonzalez, o atacante brasileiro foi tocado, mas poderia ter seguido na jogada. Preferiu abrir os braços e cair: pênalti assinalado por Bjorn Kuippers. Mas a consulta ao assistente de vídeo não deixou dúvidas e o juiz voltou atrás. Casemiro ainda tentou chute de longe, mas nada parecia ser capaz de vencer Navas. Até os acréscimos.

O relógio mostrava 46 minutos no segundo tempo. Marcelo recebeu pela esquerda e cruzou para a área. Firmino escorou de cabeça para Gabriel Jesus, que girou em cima do marcador e abriu espaço à frente da pequena área. Philippe Coutinho acompanhou toda a jogada e infiltrou na hora certa para sair frente a frente com Navas e meter, de bico, por entre as pernas do goleirão: 1 a 0, no sufoco. O olé magro nos minutos finais serviu para segurar a vantagem mínima, mas também para desmontar de vez os costarriquenhos. No último lance do jogo, a troca de passes deixou Douglas Costa livre na ponta direita para cruzar na medida. Neymar fechou na pequena área e completou a vitória brasileira, regada a choro de seu camisa 10, que, com o gol, se tornou, isoladamente, o terceiro maior artilheiro da história da Seleção.

Agora, o adversário é a Sérvia, no dia 27 em Moscou. Um empate garante o Brasil na próxima fase da Copa do Mundo e a vitória deixa a Seleção no primeiro lugar deste grupo E. Para a Costa Rica, a derrota sofrida significa a eliminação do torneio após ter sido a sensação do Mundial do Brasil em 2014. A equipe centro-americana entra em campo, no mesmo dia 27, em Nizhny Novgorod, contra a Suíça. Os jogos acontecem às 15 horas.

 

Brasil 2 x 0 Costa Rica

Grupo E – 2ª rodada

Local: Estádio de São Petersburgo (São Petersburgo – Rússia)

Árbitro: Bjorn Kuippers (Fifa/HOL)

Auxiliares: Sander Van Roekel (Fifa/HOL) e Erwin Zeinstra (Fifa/HOL)

Brasil: Alisson, Fágner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro e Paulinho (Roberto Firmino); Willian (Douglas Costa), Phillippe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus (Fernandinho). Técnico: Tite.

Costa Rica: Navas, Gamboa (Calvo), Gonzalez, Acosta, Duarte e Oviedo; Guzman (Tejeda), Borges, Venegas e Bryan Ruíz; Ureña (Bolaños). Técnico: Oscar Ramírez.

Gols: Philippe Coutinho (BRA – 46’/2T)

Cartões Amarelos: Neymar, Philippe Coutinho (BRA); Acosta (CRC)

Cartões Vermelhos: não houve.