O regresso: Larissa Pacheco conquista cinturão e planeja voltar ao UFC

Larissa Pacheco com o cinturão do WOCS ao lado de Philip Lima.

Retornar nunca é fácil, principalmente quando você precisa descer alguns degraus, mas nada disso abalou a nova campeã do WOCS, Larissa Pacheco. Com uma vitória arrasadora na edição 49 do evento, a lutadora paraense, que hoje vive no Rio de Janeiro, não só se tornou a primeira campeão de uma categoria feminina do Watch Out Combat Show, como também provou estar melhor do que antes, mais madura e também com uma notável evolução técnica.

Estar de volta aos cages foi uma prova de coragem e obstinação da atleta de 23 anos, que não lutava desde março de 2015, após a demissão do UFC e precisar de um longo período para tratar uma lesão, ela teve o braço esquerdo quebrado durante a luta, contra Germaine de Randamie, no UFC 185, e muitos não acreditavam no retorno de lutadora, surgiram muitas especulações e ela, com toda paciência e foco, se manteve com os olhos no alvo, se aprimorando para o grande retorno, o renascimento da fênix.

Larissa em sua estreia no UFC.

O cinturão do WOCS veio através de uma luta contra a promissora Karol Rosa, atleta da PRVT, que é companheira de treinos de uma algoz de Larissa, a lutadora do UFC, Jessica “Bate-Estaca” Andrade. O combate foi um verdadeiro monólogo, com uma Larissa amplamente dominante, castigando Karol Rosa nos oito minutos que a luta durou, até que com uma guilhotina, a atleta da TFT encerrou o combate se consagrando a primeira campeã do WOCS e carimbando, sem deixar margens para dúvidas, o seu retorno ao mma.

– Retornar foi como a primeira vez que lutei, só que o nervosismo era zero. Estive confiante desde o início, porém nunca subestimei minha adversária, sempre soube do potencial dela. Ouvi muitas coisas até o meu retorno, mas me mantive focada e entrei no cage de cabeça erguida, sem medo do julgamento do público e simplesmente fiz minha luta, lutei por mim, lutei pra me sentir bem, lutei sem medo de mostrar o que sei e graças a Deus deu tudo certo. – conta.

Foto: Leonardo Fabri

Larissa fez sua estreia no UFC aos 20 anos de idade, em setembro de 2014, no UFC Fight Night 51, onde enfrentou e foi finalizada por Jessica Andrade. No ano seguinte, na edição 185 do UFC, ainda aos 20 anos, Larissa acabou nocauteada pela holandesa Germaine de Randamie.

– Meu período no UFC foi rápido, entrei como substituta e depois acabei me lesionando gravamente. A fama repentina por ser uma lutadora do UFC foi muito boa, mas depois tudo se desfez muito rápido, precisei vender tudo que eu havia comprado pois perdi muitos patrocínios e fiquei um longo período lesionada. – conta

Larissa após cirurgia no braço esquerdo.

Desistir nunca esteve nos planos de Larissa, a menina que começou a treinar escondida da mãe para ir em busca de um sonho. O início como lutadora profissional se deu em um período que sua mãe, dona Lucia, esteve doente e a família precisava de dinheiro para pagar as contas em casa. Mesmo se sentindo contrariada, dona Lucia aceitou e apoiou o desejo da filha, porém com uma condição: “Se apanhar na luta em casa eu termino de te quebrar”.

Parece que esse incentivo funcionou, desde a estreia em 2012, até o primeiro revés em 2014, Larissa somou 10 vitórias em 10 lutas, conquistando inclusive o cinturão do Jungle Fight, performance que a levou ao maior evento de mixed martial arts do mundo. A primeira derrota, das duas que possui, só aconteceu no UFC, mas nesse tempo, dona Lucia já era a maior incentivadora da filha e era só carinho com a guerreira paraense.

Ao lado da mãe, dona Lucia.

– Quando comecei no mundo das lutas minha mãe não aceitava, então, comecei a treinar escondida. Daí ela ficou doente e conversei com ela que poderia ganhar dinheiro lutando e assim ajudar em casa. Ela parou, pensou e disse que deixava, mas se eu apanhasse ela iria me quebrar em casa(risos). Hoje em dia é uma das minhas maiores incentivadoras.

Larissa trabalhava durante o dia na feira, com o avô vendendo farinha, saia de lá e seguia para treinar por mais ou menos duas horas, terminava este primeiro treino, se arrumava e ia para a escola, após sair da escola ela retornava para a academia e treinava mais duas horas e chegava em casa por volta de 23h. Esta rotina se repetiu por um ano inteiro, chegando a treinar até aos domingos.

– Eu sempre batalhei por esse sonho, acordava cedo para trabalhar com meu vô, depois seguia para o treino, terminava de treinar e ia estudar, saia da aula e voltava para os treinos. Fiz isso durante um ano, assim me fortifiquei, fiz três lutas no Jungle e ganhei meu cinturão. Foi com essa rotina que cheguei até o UFC. – revela

A lutadora, faixa marrom de jiu jitsu, hoje treina na TFT com Tata Duarte e Philip Lima, também é treinada pelo mestre João Bastos, que acompanha a atleta desde os 15 anos de idade.

Recebendo a faixa marrom do mestre João Bastos.

Ainda colhendo os frutos do cinturão conquistado recentemente, exatamente dia 24 de março, Larissa se mantém com os pés no chão em relação ao seu futuro, sabendo que é necessário progredir ainda mais como lutadora para provar que tem credenciais para retornar ao ultimate Fighting Championship.

– Eu estou mais madura e consciente, me sinto pronta para ir em busca dos meus objetivos. Tenho certeza que tudo será diferente. Que seja o meu ano, que eu volte pro UFC e mostre tudo que sei. – Finaliza