Ricardo Guimarães: O valente e destemido “Capitão América”.

Com um cartel invicto no MMA profissional o valente e destemido lutador de Colombo no Paraná conquistou o troféu de finalização do ano da Revista Primeiro Round e também do Prêmio Osvaldo Paquetá, um momento especial na vida do jovem de 26 anos que cresceu ajudando o avô com os trabalhos no campo e detém uma humildade e simplicidade que o torna ainda mais querido para todos que estão a sua volta.

Nascido no município de Colombo, região metropolitana de Curitiba, lugar que tem ainda a essência de um municipio do interior, apesar da população estar na casa dos 220 mil habitantes. O apelido de Capitão América foi dado pelo saudoso mestre Zito, onde após ver Ricardo fazendo sparring com Vitor “Formigão” e caminhando pra frente mesmo recebendo inúmeras joelhadas no peito,  mestre Zito não pensou duas vezes e “batizou” com o nome do herói americano,  apelido que carrega até hoje.

Como todo jovem, as coisas que Ricardo mais gostava de fazer era jogar futebol e soltar pipa, mas também se ocupava com as tarefas em auxílio ao avô, que é um dos grandes amores da vida de Ricardo, o Sr Antonio Guimarães, mais conhecido como Tonico.

 

Na infância com o avô Tonico.

“Minha infância foi boa demais, jogava bola e soltava pipa, eram as coisas que gostava de fazer. Porém antes da diversão eu ajudava meu avô a mexer com os cavalos, cortar o capim e tratar os bichos. Eu acordava todos os dias muito cedo para ajudar e fazia isso com muito prazer. Aos 15 anos por gostar tanto de futebol eu cheguei a tentar se jogador, mas eu não era tão bom para isso(risos).” – disse

Foi com o avô Tonico que Ricardo conheceu a sua primeira paixão, a montaria. Até os 22 anos de idade o lutador da Chute Boxe era Ginete (peão de rodeios em cavalo), porém após sofrer várias lesões com as montarias resolveu mudar de ares e mergulhou de cabeça no mundo das lutas.

Ricardo Guimarães nos tempos de Ginete.

Após largar as montarias o “Capitão América” passou a trabalhar como servente de obras, profissão que mantém até hoje. ele trabalha ao lado do pai, Celso Guimarães, que é mestre de obras. A rotina é pesada, acordando 6h para ir trabalhar e depois seguindo a noite para os treinamentos na Chute Boxe, mas para Ricardo as poucas horas de sono e o trabalho pesado são o combustível para se manter focado e com os pés no chão.

“Eu sou acostumado a pegar no pesado desde cedo, na minha família sempre demos valor ao trabalho, sabemos o quanto é importante cada conquista. Tenho bons exemplos em casa para seguir em frente sem reclamar de coisa alguma. A família Guimarães só tem guerreiros.” – disse

Com um cartel impecável até aqui, vencendo as três lutas que disputou, o atleta da Chute Boxe treina na unidade Santa Cândida com os mestres Glauco Campi e Daniel Santos. O início aconteceu por um convite do mestre Glauco Campi.

Com os mestres Daniel Santos e Glauco Campi, respectivamente.

“Nós começamos a dar aulas em uma academia bem pequena, na verdade era uma sala pequena que ficava bem escondida. Eu sempre gostei de convidar as pessoas da região para uma aula experimental e assim foi com o Ricardo. Um dia ele apareceu lá dizendo que havia aceitado o convite e queria fazer uma aula experimental. Acho que ele se identificou com meu jeito de dar aula, o Ricardo é uma pessoa muito humilde, muito simples. Logo na primeira aula ele mostrou que tinha talento, apesar de se mostrar muito desengonçado, era nítido que ele era um cara muito determinado .” – conta o mestre Glauco Campi.

Nesse primeiro contato com o mundo das lutas Ricardo permaneceu na academia por um período, mas depois se ausentou da rotina de treinos. O retorno veio depois de algumas mensagens enviadas pelo mestre Glauco Campi para o celular do aluno, atitude que ajudou Ricardo a retornar a academia onde havia começado e permanece nela até hoje.

“De repente ele deu uma sumida da academia e como nos tornamos amigos isso me preocupou. Fiz como sempre faço, enviei algumas mensagens perguntando se estava tudo bem, se precisava de algo. Ele retornou depois de 1 ano mais ou menos, fato que me deixou muito satisfeito. Neste retorno o Ricardo me perguntou quando poderia lutar, eu falei para ele ir treinando que as coisas aconteceriam no tempo certo.” – explica o mestre Glauco Campi.

Quando surgiu a primeira oportunidade de lutar as coisas aconteceram como havia se imaginado, o talento de Ricardo era nítido e logo ele se destacou no cenário do muay thai. Vindo de uma academia conhecida mundialmente por ser um celeiro de strikers, os nocautes aconteciam rotineiramente nas lutas de Ricardo.

Recebendo o certificado de graduação no muay thai.

“Eu falei para ele ir treinando que as coisas aconteceriam naturalmente. Quando menos esperava surgiu a oportunidade de fazer uma luta e aconteceu algo que eu nunca havia presenciado no muay thai, o professor do adversário jogou a toalha. Eu não havia visto isso no muay thai amador e nem no profissional. Isso aconteceu nas duas primeiras lutas. O Ricardo sofreu na minha mão nos treinamentos(risos), ele foi meu primeiro aluno que tive, logo que comecei a dar aulas na academia do mestre Zito e eu exigia muito dele nos treinamentos, queria forjar ele para se tornar um campeão.” – revela Glauco Campi, mestre de Muay Thai.

A estreia no mma profissional aconteceu em maio de 2017 no AFT 9, quando nocauteou Will Silveira com pouco mais de 1 minuto do primeiro round. Seu segundo combate profissional de mma foi no AFT: Explosion Brasil, onde somou mais uma vitória por nocaute, dessa vez no 2° round, contra Tiago “Moikano” Afonso da Pelé Team.

A terceira luta profissional da carreira de Ricardo Guimarães seria a mais importante até aqui em toda sua carreira como lutador, quando enfrentou o também invicto Guilherme “Serial” Prescendo no Imortal FC 7. A luta foi uma das melhores da noite e contou com bons momentos na trocação para o “capitão america”, conseguindo inclusive um belo knockdown no 2° round. Percebendo o prejuízo que estava levando na trocação, Guilherme “Serial” passou a colocar Ricardo para o solo sempre que encontrava brecha, pois assim as coisas ficavam sob controle, e essa foi a estratégia dos três rounds, porém no 3° round com uma raspagem incrível o “Capitão América” tirou uma finalização da cartola e com uma linda kimura encerrou a peleja com 3:09 minutos do último round, mostrando que as aulas de jiu jitsu com o casca grossa Daniel Santos valeram a pena.

Finalização por kimura no Imortal 7.

“Ganhar no Imortal foi um sonho sendo realizado, um grande evento televisionado. Eu sabia que o adversário seria duro demais, porém me preparei bem para isso. Eu treinei de segunda a sexta na academia, segui a alimentação direitinho, sem comer 1 bala fora da dieta. Aquela chave de braço mudou minha vida. Eu lembro que quando eu estava correndo para perder peso e ganhar condicionamento, ficava imaginando o que falaria nas câmeras quando vencesse a luta.”- conta

A finalização no Imortal não só rendeu a maior vitória da jovem carreira de Ricardo Guimarães como também rendeu dois prêmios importantíssimos para o lutador da Chute Boxe Santa Candida. O primeiro prêmio veio dia 20 de janeiro deste ano, na cerimônia dos Melhores do Ano da Revista Primeiro Round, um prêmio especializado nos destaques do cenário das lutas em Curitiba e região.

Melhor Finalização do Ano de 2017 pela Revista Primeiro Round.

“Pra mim não foi nenhuma surpresa os jurados da bancada técnica do Prêmio Melhores do Ano da Primeiro Round terem eleito a finalização do Ricardo Guimarães como a melhor finalização do ano. Quando um evento casa bem uma luta, que é cercada de expectativas pelo público e a luta termina de uma forma brihante, é o caminho natural para o êxito. O Ricardo se destacou durante o ano não apenas por essa finalização, mas por uma coleção de nocautes em tão pouco tempo, desde o amador até o profissional, tudo isso em apenas um ano. É um atleta que terá um futuro brilhante no MMA.” – disse Marcio Valle, CEO da Revista Primeiro Round.

Após a conquista do prêmio de finalização do ano da Revista Primeiro Round, foi a vez do pupilo de Glauco Campi e Daniel Santos conquistar o Prêmio Osvaldo Paquetá, considerado o Óscar do MMA nacional. O lutador viajou de Colombo para o Rio de Janeiro acompanhado do mestre Glauco Campi e venceu com louvor a categoria finalização do ano.

Ricardo indo receber o Óscar do MMA nacional.

“Uma vitória maiúscula, de alguém que sabia o que estava fazendo, nem parecia um atleta que possuía apenas 2 lutas em seu cartel e com tão pouco tempo de estrada, certamente ele tem um futuro brilhante pela frente.” palavras de Cristiano Martins, presidente do Prêmio Osvaldo Paquetá.

Com o Óscar de finalização do ano.

Feliz pelo reconhecimento do seu trabalho, o lutador não escondeu a alegria por ter conquistado os prêmios e também por ver de perto que o público tem um carinho especial por ele.

“Foi fantástico vencer daquela maneira e de quebra ser indicado a dois grandes prêmios. Vencer na Revista Primeiro Round foi muito bom, gratificante. Eu sempre acompanhei o Prêmio Osvaldo Paquetá, sempre me imaginei em receber o Óscar do MMA nacional um dia, trabalho todos os dias para que o meu esforço e o da minha equipe seja reconhecido. Sai de Colombo para buscar um sonho no Rio de Janeiro, estava chique demais de terno e tudo. Quando leram meu nome como o vencedor da categoria finalização do ano eu fiquei feliz demais, não dá para dimensionar o quanto eu estava alegre, foi demais! Passou um filme na minha cabeça na caminhada que fiz de onde estava sentado até o palco onde recebi o prêmio.” – conta Ricardo Guimarães