Reservas da Croácia despacham Islândia e garantem 1º lugar no Grupo D

Não foi dessa vez que a Islândia fez ainda mais história que a própria participação em uma Copa do Mundo. Com a derrota para a Croácia, nesta terça (26), em Rostov-On-Don, por 2 a 1, os vikings retornam para a casa sem vencer nenhum jogo em seu primeiro Mundial. Já os croatas avançam na primeira colocação do Grupo D, com 100% de aproveitamento, e agora enfrentam a Dinamarca em seu confronto pelas oitavas de final da Copa. Gylfi Sigurdsson, de pênalti, marcou para a Islândia. Mas os gols de Badelj e Perisic garantiram o triunfo para a Croácia.

O jogo valia muito para a Islândia. Menor país a jogar uma Copa do Mundo, a equipe da Terra do Gelo tinha a chance de, vencendo, carimbar passaporte para as oitavas de final em sua primeira participação em um Mundial. Mas nem a necessidade do resultado e os dez reservas escalados pela já classificada Croácia fizeram com que os vikings mudassem seu estilo de jogo. Fechados atrás, esperavam o toque de bola dos croatas, comandados por Modric, único titular em campo pelo lado eslavo. Resultado disso foi que apenas aos 13 minutos ocorreu o primeiro momento de preocupação. Não para os goleiros, mas para os médicos. Pjaca acertou o nariz de Bjarnason com o cotovelo. O meia islandês necessitou de longo atendimento, mas um eventual nariz quebrado não é motivo para tirar um guerreiro viking de um jogo decisivo.

O gol de Messi sobre a Nigéria, no outro jogo do grupo, facilitava a vida islandesa. Com o 0 a 0 na partida paralela, os nórdicos necessitavam ganhar por pelo menos dois gols de diferença para superar o saldo dos nigerianos. Mas com os hermanos na frente por um gol, o 1 a 0 bastaria à Islândia. Mas com mais da metade do primeiro tempo, nenhuma chance de gol havia sido criada em Rostov. Melhor para a Croácia que, com o empate, garantia o primeiro lugar na chave, para enfrentar a Dinamarca nas oitavas de final. Próximo dos 30 minutos, Magnusson apareceu com duas cabeçadas que arregalaram os olhos do goleiro Kalinic, mas não chegaram a fazê-lo trabalhar, efetivamente.

Só Gilfy Sigurdsson foi capaz de sujar o uniforme do arqueiro rival, em cobrança de falta defendida por Kalinic. Apenas aos 40 minutos, o primeiro lance de real perigo. Badelj perdeu bola na saída de jogo croata. Finnbogason roubou e tabelou com Gilfy Sigurdsson antes bater colocado. A bola passou assobiando junto à trave esquerda da Croácia. O lance serviu como uma convocação aos guerreiros vikings para que avançassem contra o inimigo de batalha. Aos 45, Bjarnason teve nova oportunidade, após bola mal cortada pelo goleiro croata. Com as narinas lotadas de gaze, tal qual um defunto, o meia bateu por baixo para defesa de Kalinic. Antes do fim da primeira etapa, Gunnarsson ainda bateu colocado para mais uma boa defesa do arqueiro adversário e o apito final de Antonio Mateu soou como um gongo que salvou a Croácia de virar o intervalo atrás no placar.

Mas o segundo tempo veio lembrar dos filmes de Rocky Balboa. Depois de ter ido às cordas e quase a nocaute na primeira etapa, a Croácia voltava do intervalo disposta a lutar pela honra – ou pela liderança do grupo. Já aos cinco, Badelj deu o primeiro aviso: um petardo de muito longe que estremeceu o travessão de Halldorsson. Dois minutos depois, veio o golpe que levou a Islândia à lona. O próprio Badelj se infiltrou na área para aproveitar cruzamento desviado. De primeira, mandou no canto direito, sem chances para o goleiro islandês: 1 a 0 Croácia. Sem outra alternativa, a Islândia precisava atacar. Ainda mais depois de Moses empatar para a Nigéria contra a Argentina. Os vikings agora precisavam virar e vencer por dois gols.

Então a Islândia lançou mão de sua arma mais perigosa: o jogo aéreo. Aos nove, Ingason tentou de cabeça, mas Kalinic espalmou para escanteio. Um minuto depois, o mesmo Ingason cabeceou sem dar chances para o arqueiro croata, mas parou no travessão. Até que aos 29, veio um cruzamento mais baixo que, em vez de encontrar uma cabeça islandesa, achou um braço croata: toque de mão de Lovren e pênalti para a Islândia. Gylfi Sigurdsson cobrou com categoria e empatou o jogo: 1 a 1. Mas após o gol, o time da Terra do Gelo não foi capaz de buscar a virada que lhe garantiria nas oitavas. Pelo contrário, foi a Croácia quem acordou para não permitir que os islandeses lhe tirassem os 100% de aproveitamento. Perisic cobrou falta com perigo, Kramaric bateu colocado, com perigo, da entrada da área, mas só aos 44 minutos, veio o golpe de misericórdia. Após roubada de bola no campo de ataque, Perisic foi lançado na área e bateu cruzado para nocautear de vez os islandeses: 2 a 1 para a Croácia.

Com três vitórias em três jogos, os croatas agora têm pela frente a Dinamarca, no próximo domingo (1) em Nizhny Novgorod. O duelo, já pelas oitavas de final da Copa, acontece às 15 horas. Já a Islândia volta para casa sem ter sentido o gosto da vitória em uma Copa. Mas com a certeza de ter feito história em seu caminho mundialista.

Islândia 1 x 2 Croácia

Local: Arena de Rostov (Rostov-On-Don – Rússia)

Árbitro: Antonio Mateu (Fifa/ESP).

Auxiliares: Pau Cebrian (Fifa/ESP) e Roberto Díaz (Fifa/ESP).

Islândia: Halldorson, Saevarsson, Ingason, Ragnar Sigurdsson (Sigurdarson) e Magnússon; Gunnarsson e Hallfredsson; Johan Gudmundsson, Gylfi Sigurdsson e Bjarnason (Traustason); Finnbogason (Albert Gudmundsson). Técnico: Heimir Hallgrimsson

Croácia: Lovre Kalinic, Jedvaj, Corluka, Caleta-Car e Pivaric; Modric (Bradaric) e Badelj; Pjaca (Lovren), Kovacic (Rakitic) e Perisic; Kramaric. Técnico: Zlatko Dalic.

Gols: Badelj (CRO – 7’/2T), Gylfi Sigurdsson (ISL – 29’/2T), Perisic (CRO – 44’/2T).

Cartões amarelos: Pjaca (CRO).

Cartões vermelhos: Não houve.