Rojo salva a pátria, Argentina elimina Nigéria e vai às oitavas

Foi no sufoco, com o drama de uma letra de tango. Mas a Argentina está nas oitavas de final da Copa do Mundo. A vitória por 2 a 1 sobre a Nigéria, em São Petersburgo, nesta terça (26), colocou os hermanos na segunda posição do Grupo D do Mundial e carimbou a vaga do time de Messi para a próxima fase da competição. Messi abriu o placar. Moses empatou, cobrando pênalti. Mas Rojo, aos 41 minutos do segundo tempo, fez o gol da heroica classificação albiceleste.

A pressão sobre a Argentina era sensível, palpável, mastigável até. Não era para menos. Depois de um empate com a Islândia e a derrota para a Croácia, os boatos davam conta de que, além de precisar vencer para ter chance de evitar a eliminação precoce, eram os jogadores – liderados por Mascherano – que estavam no comando. Inclusive escalando aquele time que, nervoso toda a vida, não acertava três passes seguidos nos primeiros seis minutos de partida. Melhor para a Nigéria, para quem o empate (desde que a Islândia não vencesse por dois ou mais gols de diferença no outro jogo da tarde) era o bastante para garantir a vaga nas oitavas.

Mas aí surgiu o craque. Crucificado pelas duas primeiras atuações no Mundial, achincalhado por não ter marcado um só gol enquanto Cristiano Ronaldo já marcara quatro, incapaz de liderar o grupo albiceleste até ali. Porém absolutamente genial para matar o lançamento de Banega na coxa e tocar a bola com o pé esquerdo antes mesmo dela cair, tirando do alcance do zagueiro nigeriano. Extremamente decisivo para, mesmo de pé direito, bater cruzado, sem chances para o goleiro, marcando o gol que, naquele momento, classificava a Argentina às oitavas e tirava da garganta de Maradona o grito de “Gracias, Dios”: 1 a 0.

Querendo jogo, Messi ainda balançou a trave nigeriana em cobrança de falta sutilmente desviada pelo goleiro Uzoho, em uma defesa providencial para o restante de partida.

Afinal, sem triscar nos dedos do arqueiro, onde teria ido parar aquela bola se não nas redes?

Veio o segundo tempo, para perturbar o sono e tranquilidade de Maradona nas tribunas do estádio. Logo aos quatro minutos, Mascherano segurou Balogun na área: pênalti. Um erro que um “Chefinho” (como é chamado o volante, apelido apropriadíssimo para o momento) não poderia cometer. Moses cobrou com tranquilidade, deslocando o goleiro, para empatar. Fora da Copa com o 1 a 1, a Argentina sentiu. A entrada de Pavón era para dar velocidade ao ataque argentino na busca do segundo gol.  Mas deu pressa. A imagem argentina era de um time afobado. A ponto de Rojo cabecear a bola no próprio braço, dentro da área. O árbitro chegou a consultar o replay, mas não marcou novo penal contra os sul-americanos.

Aos 35, já tentando um abafa, a seleção albiceleste foi reapresentada a um velho rival em momentos decisivos: o pé direito de Higuaín. Ele recebeu cruzamento rasteiro, mas mandou para as nuvens a chance de desempate. Três minutos depois, Ighalo teve a chance de, praticamente, fechar o caixão argentino, mas parou em Armani. E foi castigado por isso.

Aos 41, a Argentina insistiu em jogada pela direita, até que Pavón conseguiu o cruzamento e encontrou Rojo livre, de frente para a meta rival. Chapa de pé direito e bola no fundo do gol. Na torcida, Maradona se despiu do personagem e foi só mais um argentino a comemorar extravasando, com os dedos médios em riste para quem duvidou do poder de superação da Argentina na Copa. A classificação veio, com o drama de um tango. Para tristeza dos eliminados nigerianos.

A Argentina agora enfrenta a França, com a obrigação de mostrar o futebol que não jogou até aqui. O duelo pelas oitavas de final da Copa acontece em Kazan, no próximo sábado (30), às 11 horas. Os nigerianos, depois do excelente jogo contra a Islândia e de toda luta contra os hermanos, volta para casa sem conseguir atingir a segunda fase do Mundial.

Nigéria 1 x 2 Argentina

Local: Estádio de São Petersburgo (São Petersburgo – Rússia)

Árbitro: Cuneyt Çakir (Fifa/TUR)

Auxiliares: Bahattin Duran (Fifa/TUR) e Tarik Ongun (Fifa/TUR)

Nigéria: Uzoho, Balogun, Ekong e Omeruo (Iwobi); Moses, Etebo, Obi Mikel, Ndidi e Idowu; Musa (Nwankwo) e Iheanacho (Ighalo). Técnico: Gernot Rohr.

Argentina: Armani, Mercado, Otamendi, Rojo e Tagliafico (Aguero); Mascherano, Banega, Enzo Pérez (Pavón) e Di María (Meza); Messi e Higuaín. Técnico: Jorge Sampaoli.

Gols: Messi (ARG – 14’/1T); Moses (NIG – pen. 6’/2T); Rojo (ARG – 41’/2T)

Cartões amarelos: Balogun e Mikel (NIG); Mascherano, Banega e Messi (ARG)

Cartões vermelhos: Não houve.