Rudson Caliocane: exemplo de determinação

Rudson Caliocane já venceu 7 das 8 lutas que disputou. Mas, por trás das vitórias, existe um lutador que chegou a desistir da carreira. Rudson chegou a ouvir que seria a vergonha da família e uma imensidão de energia negativa.

O jovem de 26 anos começou sua trajetória ainda na infância. Nascido em 19 de janeiro de 1993, em Cachoeira de Macacu (Rio de Janeiro), ele conta, em tom de brincadeira, que iniciou as atividades nas artes macias junto aos seus primeiros passos. O judô foi seu primeiro amor, onde conquistou a faixa marrom. Depois, aos 12 anos migrou para o jiu-jitsu, conquistando ao longo do tempo a faixa preta, e aos 15 para o Muay Thai, onde é faixa azul escuro. Mas a grande paixão são as Artes Maciais Mistas, mais conhecidas como MMA.

A paixão pela luta desde a infância.

Sua história no MMA começou no dia 25 de agosto de 2012, através do primo Carlos Marvila. No dia da pesagem, Rudson foi acompanhar Marvila e, por ironia do destino, um atleta faltou à avaliação de peso. A sorte começava a sorrir para ele. A oportunidade de lutar profissionalmente chegou. Pai e irmão confiantes. Já a mãe, não poderia saber da luta – mas tudo era por precaução; pois mãe é mãe.

Rudson não iria receber pela luta, mas, por perseverança, ele foi para sentir a experiência.

O grande dia: Início do primeiro round, com menos de um minuto, o sonho parecia ir por água abaixo. Após a proteção bucal cair no chão, Rudson levou um cruzado de seu adversário e quebrou o maxilar. Desistir? Não. O atleta continuou lutando até o final do 1 round. Mas o corpo já não conseguia ir adiante. Após passar por 3 hospitais e não ser aceito em nenhum, às 4h da manhã, o atleta conseguiu ser atendido no hospital dos bombeiros.

E não parou por aí: foram 2 cirurgias e mais de 2 meses sem poder abrir a boca, fazendo com que as refeições fossem feitas através de canudos.

Em recuperação, após cirurgia no maxilar.

As pessoas não acreditavam no atleta. “Vergonha” e “você não é capaz” se repetiam a todo o momento. Aos poucos seu sonho ia ficando para trás. Ao longo dos anos, Rudson com toda sua fé, transformou seu amor pela arte e iniciou a faculdade de música. Para ajudar na renda familiar, trabalhava como maqueiro em um hospital e guarda-vidas aos finais de semana.

Mas o esporte sempre esteve presente em sua vida. Filho de Raquel – profissional de educação física – e Cleiton – lutador de judô – , desde cedo foi na luta que ele se encontrou – até chegar ao tão sonhado MMA. E, com o apoio de Cleiton, seu grande herói, foi que o atleta se reergueu para voltar ao octógono.
Foram inúmeras tentativas até chegar na TFT (Tata fight team). Lá, morava na casa oferecida pela academia, mas era cada um por si. Alimentação, luz, passagem, entre outros gastos, ficavam por conta de cada atleta. Por não ter condição financeira, após os treinos Rudson trabalhava na academia fazendo faxina e ajudando em algumas tarefas. O trajeto de ida e volta ficava em torno de 10 km, mas até o dinheiro da passagem faltava.

Em toda sua caminhada, também apareciam pessoas do bem. Luan Índio, seu grande amigo, é a prova disso. Índio emprestava a bicicleta para Rudson realizar o caminho de ida e volta para casa.

Mas, como nada é fácil na vida do lutador, a bicicleta emprestada pelo amigo, que custava R$ 2.000,00, foi roubada e Rudson a fim de pagar o prejuízo sofrido, comprometeu-se a dar mensalmente o valor de R$ 200,00 a Índio. Essa dívida acabou pesando, pois havia meses em que o valor da “prestação” era o único recurso do qual ele dispunha ; o que o obrigou, durante cinco finais de semana, sustentar-se com apenas 1 refeição por dia e , aos domingos, alimentar-se na igreja .

A sorte começou a sorrir para Rudson Caliocane e aos poucos, o atleta foi conquistando seu espaço no MMA. Sem perder desde 2012, o atleta tem um cartel com sete vitórias consecutivas e apenas uma derrota.

Campeão peso-galo do Titan FC

Atualmente, é o mais novo campeão peso-galo do Titan FC, evento realizado em Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), no qual o carioca venceu o venezuelano Edir Terry por decisão unânime, em uma luta de cinco rounds, na categoria até 61 kg. Esse foi o primeiro desafio internacional de Caliocane, que representa a Tata Fight Team e fez o camp para esta luta na American Top Team.