Elenco da AVD antes do treino, na Vila Olímpica da Ilha do Governador | Divulgação

Time formado por surdos jogará o Estadual Adulto de Futsal

Elenco da AVD antes do treino, na Vila Olímpica da Ilha do Governador | Divulgação
Elenco da AVD antes de um treinamento, na Vila Olímpica da Ilha do Governador | Divulgação

Equipe estreia na competição nesta quarta-feira

Responsável por um projeto social que promova a inclusão de surdos por meio do futsal, a Associação Valorizando as Diferenças (AVD) está inscrita para a disputa do Campeonato Estadual Adulto da modalidade, no qual enfrentará os principais times do Rio, que contam com atletas ouvintes. O feito não é inédito: essa será a segunda participação da equipe da verde e branca na competição. A primeira, em 2015, foi a primeira iniciativa do gênero no país, mas deixou um saldo de oito derrotas, todas por goleadas. Entre elas, um 40 a 1 para o Esporte Clube Dourados.

Eduardo Duarte é presidente da AVD e exerce a função de treinador. Desta vez, ele espera placares menos elásticos e sonha em pontuar. Tarefa difícil para quem terá pela frente adversários como Canto do Rio, Maria da Graça, Portuguesa, Helênico e Luca, adversária da estreia, marcada para amanhã, às 20h30m, na sede do São Cristóvão.

— Temos alguns atletas remanescentes daquele primeiro ano. Eles aprenderam muito sobre disciplina tática desde então, e recebemos outros atletas surdos que têm muita qualidade técnica. No primeiro ano, sabíamos que tudo seria muito difícil. Decidimos participar para levantar a bandeira da inclusão, os resultados não tinham tanta importância. Sem dúvida, esperamos agora fazer jogos duros e, quem sabe, até vencer pela primeira vez em uma partida da competição promovida pela Federação de Futebol de Salão do Estado do Rio de Janeiro (FFSERJ) — explica o treinador, que se comunica com os atletas usando a Língua Brasileira de Sinais.

O DESAFIO DA ADAPTAÇÃO

O elenco é formado por 16 atletas. Embora alguns não sejam totalmente surdos, nenhum deles escuta acima de 55 decibéis (o comum para o ouvido humano é até 120), requisito para serem qualificados como atletas surdos pelos organismos internacionais. Na competição, a arbitragem utiliza recursos extras para sinalizar marcações daqueles que não escutam o apito: o gestual conta bastante, com indicações feitas por bandeiras ou coletes. As contagens de tempo para cobrança de falta, lateral e escanteio também é feita com os dedos pela arbitragem.  Atualmente, a equipe treina no ginásio da Vila Olímpica Nilton Santos, na Ilha do Governador.

Presidente da FFSERJ, Kennedy Teixeira vê a segunda participação da AVD como um ponto importante que reforça a identidade inclusiva da competição.

— A primeira participação deles fez o projeto crescer e, hoje, a AVD está montando uma estrutura ainda melhor. Isso só valoriza o campeonato — afirma Teixeira.

Eduardo Duarte reconhece os avanços, mas reforça que eles dependem de apoios e patrocínios, que estão cada vez mais escassos para a entidade.

— As pessoas observam o time em campo e as ações, e pensam que está tudo bem, porque tudo está funcionando. Ninguém faz ideia do tamanho da dificuldade envolvida. Precisamos do suporte da sociedade civil para prosseguir — conclui.