Vasco joga melhor, vence LDU mas acaba eliminado da Sulamericana

Thiago Galhardo foi o grande nome da vitória do Vasco que acabou não bastando para classificar o time (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Triunfo e frustração. Orgulho e desapontamento. É cheio de sentimentos contraditórios que o vascaíno vai deitar a cabeça no travesseiro no fim da noite desta quinta-feira (09). Guerreira, a equipe jogou bem e chegou perto de ser o “time da virada” exaltado pela goela do torcedor. Mas a vitória por 1 a 0 – gol de Thiago Galhardo – sobre a LDU, do Equador, não foi suficiente para levar o Vasco às oitavas de final da Copa Sulamericana. Depois da derrota por 3 a 1 no jogo de ida, o time dirigido por Jorginho amarga mais uma eliminação com vitória em casa e a sensação de ter chegado tão perto do objetivo, a exemplo do que acontecera frente ao Bahia pela Copa do Brasil semanas atrás.

A desvantagem de dois gols oriunda do primeiro duelo no Equador trazia ao ar de São Januário uma tensão palpável, visível na feição de cada torcedor presente à Colina Histórica. Somada a ela, a busca por um bom resultado ou uma atuação que alentasse o sofrido vascaíno de últimas semanas doídas pelos recentes maus resultados e até pela inacreditável falha da diretoria em não inscrever Maxi López, reforço recém-contratado na Sul-Americana a tempo da partida decisiva desta quinta. Com essa responsabilidade sobre as costas, o Vasco se lançou ao campo e sobre a LDU desde os minutos iniciais de jogo.

Mas o senso de urgência que mandava o time ao ataque, como quando Luiz Gustavo chegou ao fundo e cruzou para a cabeçada pouco inspirada de Andrey, logo aos quatro minutos, era o mesmo que fazia com que a defesa se expusesse à forte jogada aérea do adversário com o centroavante Anangonó que quase aumentou a desvantagem vascaína aos seis. A força que empurrava a equipe brasileira à frente para finalizar com Ríos, de fora da área, e com Breno, em cabeceio após cobrança de falta, era a mesma que trazia dificuldades na recomposição defensiva e permitia o contragolpe equatoriano que quase acabou, por duas vezes, em gol de Anderson Julio: na primeira, Martín Silva defendeu; na segunda, o camisa 11 da LDU mandou na trave.

O nervosismo também gerou consequências para além dos lances de perigo. Quando à tensão desceu da cabeça para os músculos, Henríquez sentiu e foi substituído pelo volante Raúl. Quando ela subiu de volta dos músculos para a cabeça, acabou resultando em reclamação exagerada de Pikachu e entradas fortes de Breno e Luiz Gustavo. Antes da metade do primeiro tempo, o Vasco se viu com sua dupla de zaga – Luiz Gustavo foi deslocado para o setor após a saída de Henríquez – e seu principal atleta amarelados.

No entanto, foi aí que tomou posse do jogo de uma vez. Aproveitando-se das inversões, o Cruz-Maltino chegava com perigo pelas duas pontas. Aos 25, Pikachu recebeu lançamento de Ramon, passou pelo marcador e cruzou por baixo. Ríos fez corta-luz e Galhardo driblou antes bater, mas foi travado. Escanteio cobrado, Breno tocou de cabeça e Luiz Gustavo girou pro gol, mas mandou à direita. Pouco depois, Galhardo voltou a aparecer e mostrar habilidade, mas bateu fraco em uma oportunidade e teve seu cruzamento cortado pelo goleiro Gabbarini em outra. Se os pontas assustavam a LDU, o meia assustava os vascaínos… Pela falta de intensidade. Sumido, Giovanni Augusto só foi visto em campo aos 41 minutos, quando, na área, finalizou de canhota para defesa inicial de Gabbarini. No rebote, Ríos mandou para fora a última chance do Vasco na etapa inicial.

O segundo tempo começou com mudança pelo lado carioca: Breno saiu contundido na volta do intervalo; o contestado Ricardo entrou em seu lugar. Ao mesmo tempo, porém, se iniciou como terminara a primeira metade do confronto. Isto é, com o Vasco martelando a porta da LDU. Andrey teve as duas primeiras oportunidades e Thiago Galhardo concluiu boa jogada iniciada por Ramon. Mesmo assim, os equatorianos mantinham a porteira fechada. E ainda tentaram aumentar o ferrolho com a entrada de Intriago no lugar de Jhojan Julio.

Antes dos 20 minutos da segunda etapa, o Vasco ainda tentou com Andrey, em cobrança de falta, e Galhardo – sempre ele – em chute colocado: ambos de longe, ambos por sobre o travessão adversário. Mas logo após aquela marca temporal, a LDU voltou a dar mostras de sua periculosidade. Em contragolpe, Anderson Julio invadiu e cruzou. Após desvios da zaga, Guerrero foi ao fundo e, cara a cara com Martín Silva, deu a cavadinha e assustou o torcedor em São Januário com uma bola que encobriu o arqueiro vascaíno e passou à frente do gol, quicando na pequena área.

Fazendo cera nas reposições desde o início do jogo, o goleiro Gabbarini já havia aparecido quando recebeu cartão amarelo por isso. Mas, aos 22, ele se apresentou também para defender o chute longo de Andrey e a cabeçada de Luiz Gustavo após cobrança de corner. Cinco minutos depois, Caio Monteiro – colocado no lugar de Desábato – rolou e Thiago Galhardo bateu de primeira e ela passou rente ao ângulo superior direito da meta estrangeira. Aos 30, em outro de seus lampejos, Giovanni Augusto entortou o defensor e, no fundo, cruzou forte para Caio Monteiro, mas a cria de São Janu não conseguiu o toque mortal.

Restavam menos de 15 minutos para a confirmação do mais provável: a classificação da LDU com a vitória conquistada no primeiro jogo. Os primeiros torcedores com ar de desespero e desalento, mãos na cabeça, foram flagrados nas arquibancadas. Pikachu também foi visto nesta mesma postura após cobrar falta por cima do gol, aos 37. Ainda assim, a imagem do Vasco na reta final de partida foi a de um time que não se furtou a batalhar, em cada lance, contra os prognósticos. E, aos 40 minutos, até eles pareceram, de repente, mudar. Pikachu tocou para Ríos e o centroavante ajeitou para Galhardo fazer o que só ele, em grande atuação, poderia ser capaz: arrombar, finalmente, o portão equatoriano e abrir o placar na Colina. Restava apenas um gol para a classificação e nove minutos (quatro de acréscimo) de avalanche vascaína em busca do segundo tento. Ríos tentou em rebote na área, mas a bola passou caprichosamente à esquerda. Ele próprio fez jogada acrobática dentro da área: matou no peito e emendou voleio, mas sem acertar o alvo. Foi o último suspiro vascaíno antes da consolidação do resultado negativo na soma dos placares.

A LDU passa à fase seguinte da Sul-Americana, onde há de enfrentar o Deportivo Cali, da Colômbia, nas oitavas de final. Ao Cruz-Maltino resta o alento da boa atuação, mas também a frustração de não ter conseguido transformar a incrível superioridade nos gols necessários para a classificação. Cacos recolhidos, a equipe terá pela frente o Palmeiras, em São Paulo, no próximo domingo (12), em jogo válido pela 18ª rodada do Brasileirão.

 Vasco 1 x 0 LDU

Copa Sul-Americana, Segunda fase – Jogo 2

Local: São Januário (Rio de Janeiro-RJ)

Árbitro: Mario Díaz de Vivar (PAR).

Auxiliares: Juan Zorrillar (PAR) e Roberto Cañete (PAR).

Vasco: Martín Silva, Luiz Gustavo, Breno (Ricardo), Henríquez (Raul) e Ramon; Desábato (Caio Monteiro) e Andrey; Yago Pikachu, Giovanni Augusto e Thiago Galhardo; Andrés Ríos. Técnico: Jorginho.

LDU: Gabbarini, Quintero, Guerra, Salaberry e Chalá; Orejuela e Vega; Jhojan Julio (Intriago), Anderson Julio e Guerrero (Rodríguez); Anangonó (Pellerano). Técnico: Pablo Repetto.

Gols: Thiago Galhardo (VAS – 40’/2T).

Cartões amarelos: Breno, Luiz Gustavo, Yago Pikachu (VAS); Gabbarini, Guerrero, Orejuela (LDU).

Cartões vermelhos: Não houve.

Público: 18.517 pagantes; 18.943 presentes.