Vasco poupa titulares e não resiste a bombardeio da LDU na altitude de Quito

Thiago Galhardo fez, de pênalti, gol fora de casa que pode ser decisivo para o Vasco no jogo de volta (Foto: Vasco da Gama)

O Vasco vai precisar ser – outra vez – o time da virada caso queira seguir na disputa da Copa Sul-Americana. O gol marcado fora de casa dá razão para, mais uma vez, o torcedor cruz-maltino acreditar que é possível reverter a desvantagem inicial. Mas, no duelo de ida, pela segunda fase da competição continental, o Gigante da Colina poupou alguns titulares e acabou derrotado pela LDU por 2 a 0, na noite desta quarta-feira (25), em Quito.

Os donos da casa fizeram valer seu mando de campo e a velha vantagem de atuar sob o ar rarefeito da altitude de para derrubar os brasileiros. Anangonó e Jhohan Julio construíram o placar para os donos da casa nos vinte primeiros minutos. Thiago Galhardo diminuiu, em cobrança de pênalti, no comecinho da etapa final. Mas Anangonó voltou a marcar já aos 41 do segundo tempo para dificultar de vez a vida da equipe brasileira para o segundo jogo.

Na partida de volta, o Vasco necessita de um triunfo por 2 a 0 para sair classificado graças ao critério do gol fora. Caso sofra um gol em seus domínios, porém, será obrigado a vencer por três ou mais gols de diferença para alcançar as oitavas de final do torneio sem necessidade de pênaltis. O confronto decisivo acontece em São Januário, no dia 9 de agosto.

COMEÇO RUIM DERRUBA ESTRATÉGIA DEFENSIVA

Com Breno, Desábato e Pikachu no Rio de Janeiro – poupados do desgaste da viagem e dos 90 minutos a 2.850 metros de altitude –, a escalação de Jorginho reservou à equipe a entrada do colombiano Henríquez na zaga e uma formação sem atacantes, com Thiago Galhardo atuando como uma espécie de “falso 9”. A estratégia assumida pelo próprio treinador era de atuar, praticamente, em um esquema “10-0”, totalmente defensivo. No entanto, o que se viu em campo logo nos primeiros lances foi um time que passou longe de se defender com eficácia. Antes dos 10 minutos de jogo, Anderson Julio se mandou com liberdade pela direita e cruzou para um ainda mais desacompanhado Anangonó, na marca do pênalti, cabecear e abrir o marcador em Quito: 1 a 0 LDU na primeira finalização certa do jogo. Pouco depois do primeiro gol, foi a vez de Guerrero encontrar muito espaço pela ponta esquerda e levar perigo.

Perdido em campo, o Vasco não conseguia manter a bola e, quando a perdia, tinha dificuldades de encontrar os jogadores do time da casa na marcação. Após cobrança de escanteio afastada pela zaga cruz-maltina, Vega bateu de longe e o zagueiro Salaberry desviou de cabeça, consciente, acertando o travessão de Martín Silva. Um minuto depois, Ricardo Graça vacilou na saída de jogo e acabou desarmado por Anderson Julio. O meia invadiu a área e, contrariando a experiência dos pedagogos de todo o mundo, não teve ciúme ou inveja de seu irmão. Pelo contrário! Ao ver Jhohan Julio aparecer de frente para a meta, lhe serviu passe açucarado. Martín Silva fez, na primeira conclusão, o mais inútil dos milagres, pois, no rebote, o próprio Jhohan Julio empurrou para as redes, ampliando aos 19 minutos.

O roteiro se repetiu quase que totalmente aos 28. Quintero tomou a pelota de Henrique e acionou Anderson Julio pela direita. Uma vez mais, ele fitou seu irmão e o encontrou em infiltração veloz na segunda trave. Mas, desta feita, o autor do segundo gol da LDU desperdiçou a oportunidade de mandar a vaca vascaína, morro abaixo, direto para o brejo. Aos 36, finalmente, o Vasco mostrou algum vestígio de reação. Wagner cobrou falta para a área, Cosendey tocou de cabeça para o meio e Kelvin fechou para concluir, mas Anangonó chegou antes do atacante brasileiro para aliviar o perigo. Pouco depois, em mais uma bola parada, Andrey tentou se aproveitar da menor resistência do ar na capital equatoriana, porém mandou para fora. Acomodada com a vantagem, a Liga de Quito passou a dar mais espaços em sua intermediária de defesa. Já na reta final da primeira etapa, Wagner encontrou Kelvin na meia-lua e ele girou sobre a marcação. O passe para Giovanni Augusto, porém, ficou curto e a finalização do camisa 26 acabou se perdendo pela linha de fundo.

JORGINHO MEXE E VASCO REAGE, MAS LDU PRESSIONA E MARCA O TERCEIRO

Com dois gols atrás no placar, Jorginho foi obrigado a olhar para o banco e rever a estratégia inicial para o início do segundo tempo. Em vez da ausência de atacantes, a referência de Andres Ríos no setor ofensivo – Giovanni Augusto foi substituído. No lugar de um time que entrou para se defender e não conseguiu, uma equipe determinada a pressionar o adversário em busca de, no mínimo, um gol fora de casa. E, aí sim, foi bem-sucedida. Logo aos sete minutos, Kelvin recebeu na área e foi derrubado por Salaberry: pênalti que Thiago Galhardo bateu, no centro da meta, para diminuir.

No entanto, a equipe da casa não acusou o golpe. E a primeira mostra disso foi o drible do goleiro Gabbarini em Andrey, às portas do gol equatoriano. A jogada de alto risco (e confiança) do arqueiro foi o estopim para o início de um bombardeio da LDU. Primeiro, aos 14, com Orejuela batendo de longe para a defesa de Martín Silva. Um minuto depois, o uruguaio foi obrigado a trabalhar de novo em cabeçada de Anangonó. Em seguida, foi a vez de Guerrero, com seu short mínimo, invadir pela ponta esquerda e bater cruzado, com perigo. Assim como no gol sofrido logo no início de partida, a zaga vascaína ficou plantada aos 21, vendo Anderson Julio cabecear livre por cima do travessão. A pressão não parava e Martín Silva se transformou em herói de vez quando Anangonó recebeu desmarcado e chutou à queima roupa para excelente intervenção do guarda-metas.

Jorginho tentou esfriar os ânimos dos equatorianos, parando o jogo para colocar Paulo Vitor na vaga de Kelvin. Mas a LDU seguia trazendo dificuldades à defesa do Vasco com as inversões de jogada no meio-campo que provocavam desequilíbrio pelas pontas. Assim Quintero chegou ao fundo para cruzar e foi bloqueado. Mas deu certo, e a bola voltou para o lateral, que bateu colocado e assustou o torcedor cruz-maltino.

Cariocas voltam a sofrer com a bola aérea        

Nos minutos finais, o técnico do time estrangeiro colocou Gastón Rodríguez em campo: promessa de mais bolas alçadas à área do Vasco. Mas foi pelo chão que, aos 37, Anangonó teve mais uma chance. O grandalhão girou na entrada da área e chutou de pé direito: a pelota passou assoviando junto à trave esquerda. O lance, porém, foi só um despiste do centroavante que voltaria a ferir a equipe carioca pelo alto. Aos 41 minutos, Chalá conduziu até a linha de fundo e centrou para a área. Perdido durante toda a partida com a velocidade com que os cruzamentos chegavam na altitude, Ricardo Graça não teve nenhuma chance contra a antecipação do atacante adversário. Anangonó tocou de cabeça e pôs no cantinho de Martín Silva: 3 a 1.

O gol torna a vida do Vasco mais difícil para o jogo da volta, em São Januário, no dia 9 de agosto. Mas, antes de pensar nisso, os comandados de Jorginho precisam focar no Corinthians, adversário do próximo fim de semana, pela 16ª rodada do Brasileirão. O jogo, com mando de campo vascaíno, acontece no domingo (29), às 11 horas, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

LDU 3 x 1 Vasco

Local: Estádio Rodrigo Paz Delgado (Casa Blanca, Quito – Equador)

Árbitro: Juan Soto (VEN).

Auxiliares: Elbis Gomez (VEN) e Llubi Torrealba (VEN).

LDU: Gabbarini, Quintero, Guerra, Salaberry e Chalá; Vega (Gastón Rodríguez) e Orejuela; Anderson Julio, Jhohan Julio (Borja) e Guerrero; Anangonó. Técnico: Pablo Repetto.

Vasco: Martín Silva, Luiz Gustavo, Ricardo Graça, Henríquez e Henrique; Andrey e Bruno Cosendey (Raul); Kelvin (Paulo Vitor), Giovanni Augusto (Andres Ríos) e Wagner; Thiago Galhardo. Técnico: Jorginho.

Gols: Anangonó (LDU – 7’/1T); Jhohan Julio (LDU – 19’/1T); Thiago Galhardo (VAS – pen. 7’/2T) e Anangonó (LDU – 41’/2T).

Cartões Amarelos: Guerrero e Jhohan Julio (LDU); Ricardo Graça e Martín Silva (VAS)

Cartões Vermelhos: Não houve.