Virna Jandiroba mira cinturão do Invicta FC em 2018

Foto: Felipe Panfili

O ano de 2017 foi o início de uma nova etapa na vida da lutadora baiana Virna Jandiroba que fez a sua 1° luta internacional no Invicta FC 26, evento que aconteceu em Las Vegas, Estados Unidos.

Comparada com Demian Maia por sua incrível qualidade na luta de solo, a carcará, como é conhecida, manteve a invencibilidade vencendo a americana Amy Montenegro e soma agora 12 vitórias.

A atleta de 29 anos que cresceu em Serrinha na Bahia, iniciou sua história no mundo das lutas ainda criança porém os primeiros passos foram dados no Kung-fu, logo Virna migrou para o Judô, até chegar a modalidade de luta que mudou a sua vida, o Jiu Jitsu.

– Meu primeiro contato com a arte marcial foi com o Kung-fu ainda criança, depois iniciei os treinamentos no Judô e aos 16 anos migrei para o Jiu Jitsu, onde 3 meses após iniciar os treinamentos eu já estava encarando a minha primeira competição. – conta

No Jiu Jitsu a baiana tornou-se imbatível no norte e nordeste do país. Buscando competições e novos oponentes, a lutadora mesmo esbarrando nas dificuldades financeiras passou a competir no sul e sudeste do país, mas nem sempre os patrocínios conseguiam cobrir os custos das viagens.

– No norte e nordeste eu já havia conquistado o que podia, cheguei ao ponto de enfrentar meninas menos graduados para não ficar sem competir. Passei a buscar desafios no sul e sudeste do país, porém nem sempre conseguíamos estar nas competições pois nem sempre conseguíamos o apoio financeiro. – revela

Com poucas oportunidades no cenário nacional do Jiu Jitsu e enfrentando as grandes dificuldades que os atletas enfrentam no nosso país com a escassez de apoio financeiro, Virna voltou seus olhos para o MMA onde fez a sua primeira luta em 2013, e aos poucos foi se consolidando e despontando no cenário nacional.

– Eu decidi migrar para o MMA pois eu estava desestimulada com a dificuldade de estar em competições de jiu jitsu de alto nível. Minha estréia foi em 2013. – conta

Como todo bom baiano que já traz no sangue o DNA de lutador, Virna veio colecionando vitórias no cenário nacional, ao todo dentro do Brasil foram 11 lutas e 11 vitórias, onde 9 destas 11 vitórias foram por finalização. Uma prova que a fera baiana é dominante na luta de solo, é constatar que a maioria destas vitórias por finalização foram no 1° round.

O divisor de águas para Virna foi o evento Fight2Night que rapidamente ganhou bastante notoriedade dentro e fora do Brasil, na primeira edição que aconteceu em novembro de 2016, Virna mediu forças com a americana experiente Lisa Ellis que não conseguiu resistir ao ímpeto da brasileira que venceu por finalização com pouco mais de 2 minutos do 1° round, triunfo que rendeu indicação a finalização do ano de 2016 no Prêmio Osvaldo Paquetá. Escalada para o Fight2Night 2, Virna enfrentou a duríssima Ericka Almeida(Ex-UFC) e venceu por decisão dividida em um combate que levantou a plateia.

– A participação dela foi tão intensa que sem dúvidas ficará marcado na história do Fight2Night e na minha vida pessoal também. A primeira vez que vi a Virna foi no saguão do hotel, na primeira edição do evento e logo de cara ela mostrou toda simpatia e humildade que são sua marca registrada. Ela tem uma energia absurda, é uma pessoa que se doa demais. A Virna é uma figura marcante, tanto que mantivemos contato depois da primeira edição e fiquei ansioso para reencontra la em nossa segunda edição ocorrida em Foz do Iguaçu. Sem dúvidas ela é uma atleta que eleva o nome de qualquer evento, sempre solicita e dedicada, tudo isso fez eu me tornar fã da Virna. – conta Pedro Filet, analista de mídias sociais do Fight2Night.

Logo após a vitória no Fight2Night 2 surgiu a oportunidade de lutar um grande evento internacional, o primeiro de sua carreira. O evento que abriu os olhos para a brasileira foi o Invicta Fighting Championships, evento americano fundado em 2012 e que só promove MMA feminino.

– O convite para o Invicta veio após a vitória em Foz do Iguaçu no segundo Fight2Night, acho que pelo fato de eu ter enfrentado duas lutadoras que já estiveram no UFC que foram a Ericka Almeida e a Lisa Liss. Eu fiz uma boa luta, mostrei muita disposição e técnica, creio que com isso chamei a atenção do evento. – revela

A estreia da peso-palha no Invicta FC aconteceu em dezembro do último ano, como era esperado a brasileira subiu no cage e resolveu a peleja rápido, finalizando a americana Amy Montenegro ainda no 1° round.

– Fazer a minha 1° luta no Invicta foi a realização de um sonho e confesso que estava bem tranquila na estreia. A parte mais tensa foi com a questão do passaporte, por pouco quase não consigo viajar para a luta. – conta

Com um cartel perfeito e a estréia com o pé direito em seu primeiro grande evento internacional, a brasileira é muito especulada para ser a próxima lutadora peso-palha da maior organização de MMA do mundo, o UFC, porém com muita humildade e pés no chão a aluna do mestre Renato Velame prefere manter o foco na busca pelo cinturão do Invicta FC.

– Espero que o ano de 2018 seja um ano de muitas vitórias, desejo demais disputar o cinturão do invicta e mante-lo comigo. No momento eu tenho focado no Invicta, aos poucos estamos buscando nosso espaço no mundo das lutas, sei que com empenho e vitórias as coisas acontecerão no tempo certo. – declara

Representando a academia Fight House do mestre Renato Velame, a baiana é faixa preta 1° Dan de Jiu Jitsu e no Muay Thai é prajied branco e verde. Hoje em dia radicada em Feira de Santana na Bahia, Virna sempre retorna a Serrinha, sua cidade natal, para recarregar as energias e visitar a família. A expectativa é que em 2018, a baiana leve para sua terra natal o cinturão peso-palha do Invicta Fighting Championships para ser comemorado com uma grande festa pelos amigos e familiares da “carcará” baiana.